A Rússia lançou na madrugada desta quinta-feira, 2 de julho de 2026, um dos maiores ataques aéreos contra Kiev desde o início da invasão, em fevereiro de 2022. Segundo autoridades ucranianas, entre 13 e 17 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas. O bombardeio combinou mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones, destruiu prédios residenciais em vários distritos e danificou uma base de ambulâncias no centro da capital.
O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, decretou um dia de luto e relatou que os ataques afetaram áreas residenciais em cinco a sete distritos. Cinco profissionais de saúde ficaram feridos, um paramédico em estado crítico, e algumas pessoas ficaram presas em uma estrutura de nove andares danificada. Correspondentes ouviram explosões por várias horas, e moradores correram para abrigos e estações de metrô durante a noite.
Sobre os dados militares, há convergência entre as fontes: a Ucrânia afirma ter abatido 48 dos 74 mísseis e 476 dos 496 drones lançados. O Ministério da Defesa da Rússia classificou a ação como um ataque massivo contra a capital, dizendo ter mirado complexos da indústria de defesa e do setor de energia, em resposta a ataques ucranianos contra a infraestrutura russa. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que Moscou continuará intensificando a pressão sobre Kiev.
A cobertura de veículos de esquerda destacou o custo humano e o caráter indiscriminado dos bombardeios, enfatizando que a administração militar ucraniana acusa a Rússia de mirar deliberadamente zonas residenciais e civis, com apelo humanitário por defesa aérea. Já a cobertura de veículos de direita enfatizou o plano militar e diplomático: a fragilidade da defesa aérea ucraniana apesar dos interceptores, o pedido de Zelensky para produzir mísseis Patriot na própria Ucrânia e o fato de que Kiev ampliou seus próprios ataques dentro da Rússia, acionando alertas em áreas que abrigam mais de 70% da população russa. A cobertura de centro, ancorada em despachos de agências como AFP e Bloomberg, relatou os fatos com paridade entre as versões de Kiev e Moscou, sem vocabulário valorativo.
Os dois lados convergem em que o chanceler ucraniano Andrii Sibiga e o presidente Volodymyr Zelensky pediram aos aliados mais sistemas de defesa antiaérea, e em que as negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos permanecem estagnadas após mais de quatro anos de guerra. A escalada recente inclui um ataque russo em 2 de junho, com 656 drones e 73 mísseis, que deixou 23 mortos.
O que ainda não se sabe é o número final de vítimas, que autoridades ucranianas admitem poder aumentar, e a extensão real dos danos provocados no lado russo pelos ataques ucranianos citados por Moscou como justificativa. Também não há clareza sobre quando ou se os aliados ocidentais atenderão aos novos apelos por defesa aérea, nem sobre qualquer retomada concreta das negociações de paz.