A disputa pelo governo de São Paulo em 2026 ganhou novos contornos no fim de semana com duas desistências em sequência. No domingo, 21 de junho, o presidente estadual do PSDB e ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra, anunciou que não concorrerá ao Palácio dos Bandeirantes e será pré-candidato a deputado federal. A decisão veio um dia após o deputado federal Kim Kataguiri também deixar a corrida estadual para buscar a reeleição à Câmara. Com as duas saídas, restam dois pré-candidatos principais ao governo paulista: o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, que busca a reeleição, e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, do PT, que lidera o campo de oposição.
Em nota oficial, Paulo Serra afirmou que tomou a decisão após um amplo processo de reflexão, de diálogo e de avaliação sobre o momento político. Ele negou que se tratasse de um recuo e definiu a mudança como a continuidade de um projeto que nasceu em Santo André, cidade que administrou por dois mandatos. Ao confirmar a pré-candidatura a deputado, Serra disse que quer levar ao Congresso a experiência de gestão municipal, com foco em planejamento, responsabilidade fiscal, inovação e eficiência administrativa.
A cobertura de centro relatou os bastidores que levaram à desistência. Segundo apuração de veículos como a Folha de S.Paulo e o G1, a candidatura de Serra perdeu força depois que o ex-ministro Ciro Gomes decidiu disputar o governo do Ceará, e não a Presidência, o que esvaziou a importância estratégica de manter um palanque tucano em São Paulo. O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, teria sugerido a Serra adiar o projeto estadual para ajudar a ampliar a bancada federal do partido, que concorre em federação com o Cidadania. Aliados do governador Tarcísio também buscaram interlocução com o PSDB para reduzir o número de adversários e tentar definir a eleição ainda no primeiro turno. A última pesquisa Datafolha para o governo paulista, divulgada em março, mostrava Serra com 5% das intenções de voto, empatado com Kataguiri.
Veículos de direita enfatizaram a leitura de que a reorganização favorece a frente de centro-direita contra o PT. Nessa cobertura, ganha destaque o movimento para que o PSDB declare apoio formal à reeleição de Tarcísio, possivelmente em troca de participação no governo estadual, e a estratégia de unir a oposição a Haddad em torno de uma gestão associada a responsabilidade fiscal e eficiência administrativa. Esses veículos também ressaltaram que partidos como Solidariedade e PRD já anunciaram apoio à reeleição do governador, o que teria complicado a viabilidade da candidatura de Serra.
Veículos de esquerda, por sua vez, destacaram o ângulo da reentrada do ex-governador Márcio França, do PSB, na disputa. Segundo a coluna Painel, da Folha, emissários de França conversaram com lideranças petistas com o argumento de que a presença dele poderia aumentar as chances de a eleição ser decidida em segundo turno, evitando uma vitória de Tarcísio logo na primeira rodada. Nesse enquadramento, a movimentação aparece como tentativa de preservar uma alternativa competitiva diante da concentração de poder em torno do governador e do uso da máquina estadual. A possível entrada de França também mexe com a montagem das chapas ao Senado, em que aparecem nomes como Simone Tebet e Marina Silva para apenas duas vagas no campo aliado a Lula.
O que ainda não se sabe é se Márcio França de fato confirmará a candidatura e se o acordo de apoio do PSDB a Tarcísio será selado na convenção estadual do partido. Também permanece em aberto se o Missão, partido de Kataguiri, lançará outro nome ao governo ou manterá neutralidade, e como ficará a divisão das vagas ao Senado no campo governista. São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, segue no centro do tabuleiro nacional de 2026.