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O Superior Tribunal de Justiça julga nesta quinta-feira, em sessão fechada iniciada às 9h, o processo administrativo disciplinar contra o ministro Marco Buzzi, acusado de assédio sexual, importunação sexual e injúria por duas mulheres. Afastado do cargo desde fevereiro, o magistrado nega todas as acusações. A comissão apuradora deve recomendar a pena máxima, e a Procuradoria-Geral da República defendeu a condenação com aposentadoria compulsória. O tipo de punição é o principal ponto em aberto, porque o STF e o CNJ passaram a admitir a demissão de juízes.
O Superior Tribunal de Justiça julga nesta quinta-feira, 6 de agosto, o processo administrativo disciplinar contra o ministro Marco Buzzi, acusado de assédio sexual, importunação sexual e injúria por duas mulheres. A sessão começa às 9h, é fechada ao público e será presidida pelo presidente do tribunal. Afastado das funções desde fevereiro por decisão unânime dos colegas, o magistrado nega integralmente as acusações e pede absolvição.
O rito já está definido. A comissão de três ministros que conduziu a apuração faz um relatório dos fatos, e em seguida denunciantes, Ministério Público e defesa têm uma hora para se manifestar. Depois vem a votação, iniciada pelos integrantes da comissão e seguida pela ordem de antiguidade, do ministro mais novo de casa ao mais antigo. São necessários dezessete votos para absolver ou punir, e qualquer magistrado pode pedir vista e adiar o desfecho. Se houver condenação, a defesa pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal.
Os três blocos de cobertura convergem nos fatos essenciais. A primeira denúncia partiu de uma jovem de dezoito anos que passava férias com a família na casa de praia do ministro em Santa Catarina e afirma ter sido assediada durante um passeio na praia, em janeiro. A segunda veio de uma ex-servidora terceirizada do gabinete, que relatou episódios de assédio e importunação ocorridos entre 2023 e 2025 nas dependências do tribunal. A Procuradoria-Geral da República se manifestou pela condenação, em parecer de mais de cinquenta páginas no qual afirma que os relatos das vítimas são firmes, coerentes e convergentes com as provas. Paralelamente ao processo disciplinar, o ministro é investigado pelo Supremo e pela Polícia Federal em inquérito sobre suposta venda de sentenças, e as provas da sindicância administrativa foram compartilhadas com a apuração criminal.
O ponto realmente em disputa não é a condenação, tida como provável, e sim a pena. A Procuradoria propôs aposentadoria compulsória, sanção máxima prevista quando o processo foi instaurado, que preserva salário proporcional. Só que a Primeira Turma do Supremo decidiu, em maio, que magistrados condenados por infrações disciplinares graves devem perder o cargo, e o Conselho Nacional de Justiça confirmou a nova regra nos últimos dias. A comissão interna do tribunal deve recomendar a disponibilidade com demissão. Parte dos ministros, porém, avalia que o entendimento novo não se aplica automaticamente a processos abertos antes dele.
É nesse ângulo que as coberturas se separam. Veículos de esquerda destacaram a assimetria de poder do caso, com ênfase na servidora terceirizada, a parte mais frágil da hierarquia do gabinete, cujos colegas chegaram a reorganizar escalas de trabalho e monitorar a movimentação do ministro para que ela não ficasse sozinha com ele, e trataram a manutenção da aposentadoria compulsória como sobrevivência de privilégio corporativo. Veículos de direita enfatizaram o accountability institucional e o custo ao contribuinte de aposentar com vencimentos um magistrado punido, apresentando o fim da aposentadoria compulsória como alinhamento dos juízes às regras do restante do serviço público. A cobertura de centro relatou o processo em termos procedimentais, reproduzindo com o mesmo espaço os trechos do parecer da acusação e os argumentos da defesa, que fala em acusações absolutamente falsas, em conluio e fofoca de gabinete, questiona a coerência das testemunhas e apresentou até laudo médico para contestar os relatos.
O histórico do tribunal também entrou na cobertura. Buzzi é o terceiro ministro do STJ a ter a conduta analisada nesses termos, depois de casos de 2004 e 2010 encerrados com aposentadoria dos magistrados envolvidos.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há definição sobre qual pena o colegiado aplicará, nem sobre a tese de aplicação retroativa do novo entendimento do Supremo. Também segue em aberto se algum ministro pedirá vista e empurrará a decisão, qual será o desfecho do inquérito criminal sobre venda de sentenças e como o Supremo se comportaria diante de um eventual recurso da defesa contra a perda do cargo.
Todos os lados relatam os mesmos fatos: duas denúncias contra o ministro, afastamento desde fevereiro, parecer da PGR pela condenação e expectativa de punição na sessão desta quinta. Há convergência também em que a aposentadoria compulsória, que preserva salário, deixou de ser aceita como punição adequada depois da decisão do STF e da regulamentação do CNJ.
3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
O texto é majoritariamente factual, mas o enquadramento privilegia a dimensão de proteção às vítimas e a vulnerabilidade da denunciante na hierarquia do gabinete (servidora terceirizada, colegas reorganizando escalas para protegê-la), além de enfatizar a corporação em rota de colisão com o STF ao preservar a aposentadoria compulsória, sanção mais branda. Esse eixo de crítica ao privilégio institucional e de centralidade da parte mais frágil marca o enquadramento como de esquerda, ainda que a defesa do ministro seja registrada.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Cobertura factual e equilibrada: reproduz literalmente trechos do parecer da PGR contra o ministro e, com o mesmo espaço, as manifestações da defesa que pedem absolvição e questionam a coerência das testemunhas. Explica o rito, o quórum de 17 votos, a possibilidade de pedido de vista e traz precedentes de 2004 e 2010 como contexto. Vocabulário descritivo, sem termos valorativos.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Texto informativo, mas com carga narrativa que enfatiza o escândalo e a quebra de decoro do magistrado (rotina de terror, medida drástica da Corte, jovem que o tratava como avô) e valoriza o accountability institucional e a punição efetiva, criticando implicitamente a aposentadoria compulsória como benefício de casta. O silêncio sobre a defesa reforça o enquadramento acusatório e de controle institucional, típico do eixo à direita.
Perspectivas omitidas

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) deve decidir nesta semana o futuro do ministro afastado Marco Buzzi, alvo de um processo administrativo disciplinar por denúncias de assédio e importunação sexual.

Ministros vão analisar, em sessão fechada, conclusão de processo disciplinar contra colega

O ministro Marco Buzzi enfrenta julgamento no STJ por assédio e importunação sexual, podendo ser punido com a demissão do cargo nesta quinta-feira.
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