O MDB decidiu não apoiar nenhum candidato à Presidência da República em 2026. A definição foi anunciada durante a convenção nacional do partido, realizada de forma virtual na segunda-feira, 27 de julho, e conduzida pelo presidente nacional da sigla, o deputado federal Baleia Rossi. Junto com a neutralidade, a legenda liberou os diretórios estaduais para escolherem seus próprios apoios na disputa majoritária, de acordo com o cenário de cada estado.
Toda a cobertura converge nos fatos centrais. A prioridade declarada pelo partido passa a ser a formação de alianças locais para eleger governadores, senadores e deputados federais e estaduais. Em comunicado, a sigla afirmou ser preciso “compreender a realidade e o histórico eleitoral de cada estado” e disse que a neutralidade foi adotada mirando o “fortalecimento das bases estaduais”. Na mesma convenção foram oficializadas candidaturas em 24 estados, entre elas a de Renan Filho ao governo de Alagoas e a de Felício Ramuth à reeleição como vice de Tarcísio de Freitas em São Paulo.
A cobertura de centro relatou que a neutralidade nasce de uma fragmentação que já existia dentro do partido. No Norte e no Nordeste, parte dos filiados deve endossar a reeleição de Lula, enquanto em outras regiões o alinhamento tende ao pré-candidato do PL, o senador Flávio Bolsonaro, ou ao ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado. Esses veículos deram peso ao efeito da decisão sobre o Planalto e lembraram que o presidente havia sondado partidos do centrão no início do ano, com a intenção de ter um vice emedebista para isolar Flávio Bolsonaro e ampliar o tempo de campanha na televisão, estratégia abandonada com a manutenção de Geraldo Alckmin na chapa. Também recuperaram o precedente de 2022, quando a legenda lançou candidatura própria com Simone Tebet, terceira colocada com cerca de 5 milhões de votos, hoje filiada ao PSB e candidata ao Senado por São Paulo.
Veículos de direita enfatizaram o tamanho institucional da sigla e a leitura de equilíbrio apresentada pela própria direção: mais de 2 milhões de filiados, cinco governos estaduais, cerca de 856 prefeituras, dez senadores e 38 deputados federais, a sétima maior bancada da Câmara. Nessa cobertura, a liberação aparece como forma de evitar rachas em um momento descrito pelo presidente do partido como de “muita radicalização”. O mesmo material destacou que, apesar da neutralidade declarada, a legenda ocupou três ministérios na atual gestão federal, e detalhou o conflito no Distrito Federal, onde o rompimento entre o ex-governador Ibaneis Rocha e a governadora Celina Leão levou deputados distritais a pedir intervenção do diretório nacional. Registrou ainda as metas anunciadas pela cúpula: eleger de 45 a 50 deputados federais e de dez a doze senadores.
Veículos de esquerda não publicaram cobertura própria da convenção no material reunido até o momento. O ângulo crítico ao pragmatismo do centrão aparece apenas de forma indireta, nos dados sobre a divisão interna e sobre a presença do partido em pastas do governo federal.
Ainda não se sabe quais diretórios estaduais fecharão com cada candidatura presidencial, já que as projeções por região são expectativas e não decisões formalizadas. Segue indefinido o caso do Distrito Federal, onde o partido decide entre apoiar a atual governadora ou lançar nome próprio. Nenhuma fonte esclarece como a neutralidade nacional se comportaria em um eventual segundo turno.