Uma pesquisa do instituto Ideia divulgada na quarta-feira, 30 de setembro, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e o senador Flávio Bolsonaro, do PL, tecnicamente empatados a poucos dias do primeiro turno da eleição presidencial, marcado para domingo, 4 de outubro. O empate aparece em três medidas ao mesmo tempo: o voto espontâneo, em que o eleitor cita o nome sem ver a lista, o voto estimulado, com a lista de candidatos, e a rejeição.
O levantamento ouviu 2 mil eleitores por telefone entre 25 e 28 de setembro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, sob o protocolo BR-08706/2026.
Além do retrato do primeiro turno, a pesquisa mediu como os eleitores dos demais candidatos votariam num eventual segundo turno entre Lula e Flávio. Entre quem declarou voto em Augusto Cury, do Avante, 55,6% escolheriam Lula e 27,8% Flávio. Entre os eleitores de Renan Santos, do Missão, 82,2% iriam para Flávio e 17,8% para Lula. No grupo de Romeu Zema, do Novo, 47,8% votariam em Flávio e 37,7% em Lula. Entre os eleitores de Ronaldo Caiado, do PSD, 36,8% escolheriam Lula e 26,4% o candidato do PL. Somados os candidatos menores, Flávio teria 43,7% e Lula 39% das preferências nesse recorte.
A cobertura de centro tratou o resultado como o retrato do cenário mais polarizado desde a redemocratização, com um primeiro turno que tem cara de segundo. Esses veículos destacaram o que chamaram de antipetismo de chegada, fenômeno pelo qual eleitores de outros candidatos de direita avaliam migrar já no primeiro turno para Flávio Bolsonaro. Um comentário publicado no mesmo dia questionou a capacidade das pesquisas de antecipar o desfecho e apontou o eleitor que fica em casa como o maior ponto cego da reta final.
Veículos de direita enfatizaram a transferência de votos entre candidatos, com dados detalhados por eleitorado e a metodologia completa, inclusive o número que favorece Lula entre os eleitores de Augusto Cury. Até o momento, não houve cobertura de veículos de esquerda sobre esta pesquisa, o que torna o enquadramento desse lado uma lacuna no conjunto de fontes.
O que ainda não se sabe é se o empate vai se manter nas urnas. A pesquisa não mede comparecimento, e a abstenção pode alterar o resultado. Também não está claro quantos eleitores de candidatos menores vão de fato antecipar o voto útil já no primeiro turno, nem se a disputa será decidida no domingo ou seguirá para o segundo turno.