Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, e ele é de esquerda. A reportagem, publicada em 30 de outubro, conta como um ato de estudantes da Universidade Federal Fluminense, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, passou a ser apontado como ponto de partida da mobilização que antecedeu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, no segundo turno da eleição presidencial de 2026, e como esse resultado repercutiu entre a esquerda do México e da Espanha.
Segundo o texto, na noite de 4 de outubro, quando Flávio Bolsonaro, do PL, terminou o primeiro turno à frente de Lula, uma mensagem circulou num grupo de WhatsApp de alunos da universidade dizendo que o momento pedia ação. No dia seguinte, 5 de outubro, estudantes saíram do prédio da Faculdade de Direito rumo à reitoria. O estudante Kayky Moraes, que participou do ato, disse que a vitória de Flávio no primeiro turno gerou descrença no campo progressista, mas que os alunos reagiram com vontade de ir à luta. A reportagem afirma que as imagens se espalharam pelas redes e impulsionaram mobilizações estudantis em todo o país.
Em 25 de outubro, Lula venceu o segundo turno com vantagem de 4,4 milhões de votos. De acordo com o texto, nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar havia conseguido virar a disputa antes. A reportagem registra ainda uma frase do próprio Lula, dita em reunião com parlamentares em Brasília: essa teria sido a campanha menos organizada de que ele participou desde 1989.
O veículo de esquerda destacou a leitura da cientista política Mayra Goulart, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, para quem o Brasil será um polo de resistência à relação que os Estados Unidos tentam restabelecer com a região. Um professor da Universidade Nacional Autônoma do México disse que o resultado evita o isolamento do governo mexicano diante das vitórias recentes da direita na América Latina e que há interesse, no México e na Espanha, no modelo de mobilização digital coordenado pelo deputado André Janones. A reportagem identificou ao menos três canais de WhatsApp, na Espanha, na França e na Argentina, que reproduzem as táticas de Janones.
Na Espanha, que tem eleições gerais marcadas para o mês seguinte, o primeiro-ministro Pedro Sánchez disse em comício em Gijón, em 26 de outubro, que o país faria o mesmo que Lula fez no Brasil. Em 28 de outubro, em Móstoles, a ex-prefeita de Barcelona Ada Colau pediu que apoiadores erguessem as mãos em L, em aceno ao presidente brasileiro.
Nenhum veículo de centro ou de direita cobriu esta história no conjunto analisado, por isso não há divergência entre lados a registrar. Como observação sobre o texto, a reportagem ouve apenas vozes do campo progressista e não traz a campanha de Flávio Bolsonaro nem eleitores de direita. Também troca nomes ao longo do texto: o professor mexicano aparece como Homero Galán e depois como Campa.
Até a tarde de 30 de outubro, quando saiu a reportagem analisada, nenhuma fonte apresentava dado que medisse o peso dos atos estudantis no resultado do segundo turno, e não havia registro de como a mobilização brasileira influiria nas eleições espanholas.