O atrito público entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do PL à Presidência em 2026, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou um saldo negativo para o parlamentar nas redes sociais. Um levantamento da Ágora Comunicação e Public Affairs, coletado entre 24 de junho e 2 de julho, identificou que, entre as menções a Flávio, predominou o sentimento negativo: 50,8% das publicações, seguido de 29% neutras e apenas 20,2% positivas. A ex-primeira-dama também liderou em volume, com 1,76 milhão de menções contra 590 mil do enteado, e em engajamento, com 6,1 milhões de interações contra 3,1 milhões.
O estímulo para a crise veio em 24 de junho, quando Michelle publicou vídeos no Instagram afirmando ter sido 'apunhalada' e humilhada por Flávio. 'Me desrespeitou e maltratou ao telefone', declarou. A cobertura de centro, como a do Poder360, reconstituiu a origem do desentendimento: um evento no Ceará, no fim de 2025, em que Michelle criticou publicamente as negociações do PL para fechar palanque com Ciro Gomes. A tensão foi parcialmente amenizada depois que Flávio pediu desculpas e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tentou reduzir o desgaste. Em 30 de junho, contudo, Michelle deixou a presidência do PL Mulher, alegando querer dedicar-se aos cuidados com o marido e a filha.
O levantamento apontou duas ondas de discussão: a primeira gerada pelo próprio vídeo de Michelle e a segunda pela repercussão da fala do blogueiro Paulo Figueiredo, aliado de Flávio, de que 'mulher vota mal'. Veículos de direita enfatizaram que o episódio é, sobretudo, uma desavença familiar já em vias de apaziguamento, e que adversários tentam capitalizar uma questão privada para desgastar o principal nome de oposição a Lula. A cobertura de centro relatou os números do saldo negativo e a cronologia dos fatos sem tomar partido, registrando tanto o pedido de desculpas quanto a saída de Michelle da direção partidária. Já a leitura à esquerda, ecoada por militantes do PT que ironizaram Michelle como 'funcionária do mês', enfatizou que o atrito expõe a dificuldade do bolsonarismo com o eleitorado feminino, agravada por falas como a de Figueiredo.
O ponto de convergência entre os lados é o dado concreto: a série de desentendimentos trouxe desgaste à pré-campanha de Flávio justamente no grupo em que ele já enfrentava resistência, as mulheres, para quem a participação de Michelle era considerada crucial. A divergência está no peso atribuído ao episódio. Para a direita, é ruído passageiro; para a esquerda, é sintoma de um problema mais profundo de representação. O que ainda não se sabe é se Michelle voltará a ter papel ativo na campanha, se a saída do PL Mulher é definitiva e qual o efeito eleitoral duradouro do desgaste sobre a intenção de voto em Flávio, já que o levantamento mede repercussão em redes, não intenção de voto.