O vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro André Mendonça, determinou a exclusão de um vídeo publicado pelo líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), que sugere, sem apresentar provas, que o PT é financiado pelas facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC). A liminar, assinada na sexta-feira, 19 de junho de 2026, deu prazo de 24 horas para a retirada da postagem, sob pena de multa diária, e também obrigou a Meta a impedir novos impulsionamentos pagos do conteúdo no Instagram e no Facebook.
A decisão atende a uma representação da Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PV e PC do B e é responsável pela pré-candidatura de Lula à reeleição. Segundo a ação, o diretório nacional do PL teria desembolsado 4,5 mil reais para ampliar o alcance do vídeo. No conteúdo, o deputado afirma que os Estados Unidos investigam o dinheiro das facções, recentemente classificadas como terroristas pelo governo de Donald Trump, e diz que 'há grandes suspeitas' de que esses recursos financiem campanhas do PT.
Veículos de centro destacaram um ponto central: a publicação não traz qualquer prova da acusação. A cobertura factual reproduziu trechos da liminar em que Mendonça afirma que a possibilidade de críticas faz parte da democracia, mas que a liberdade de expressão 'não protege, em princípio, a imputação de fato ilícito grave'. Para o ministro, a divulgação de imputação grave sem comprovação mínima tem potencial para comprometer a integridade do debate eleitoral e induzir o eleitorado a erro. Procurado, o deputado Sóstenes Cavalcante não se manifestou.
Veículos de direita enfatizaram que a liminar se restringe ao vídeo específico e que o próprio Mendonça ressaltou que críticas ao presidente, ao governo federal e ao PT, bem como o debate sobre segurança pública, seguem permitidos, desde que sem impulsionamento pago de conteúdo negativo contra adversários. Essa cobertura também deu relevo à série de acionamentos da campanha de Lula ao TSE, mais de 60 vezes, e à reação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, que afirmou que 'não vai recuar no combate à criminalidade'.
Veículos de esquerda, por sua vez, leram a decisão como um freio judicial a uma campanha de desinformação que tenta criminalizar adversários às vésperas da eleição. Nessa chave, a defesa do PT sustentou que a gravação reunia trechos isolados de notícias sobre influenciadores e cantores presos em operações policiais para fabricar a narrativa de que seriam aliados de Lula.
O episódio se insere num contexto mais amplo de disputa na Justiça Eleitoral às vésperas das eleições de 2026. No mesmo dia, o PT também acionou o TSE para pedir a retirada de outro vídeo, publicado pelo senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, produzido com inteligência artificial e que mostra o parlamentar disparando contra embarcações marcadas com as siglas PCC, CV e PT. Até a publicação das reportagens, o tribunal não havia se manifestado sobre esse segundo pedido.
O que ainda não se sabe é se Sóstenes Cavalcante cumpriu a ordem dentro do prazo, qual será a resposta formal do PL e da Meta, e como o TSE decidirá sobre a ação paralela contra o vídeo de Flávio Bolsonaro. Também permanece em aberto o desfecho das demais representações que marcam o início do calendário eleitoral.