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Dois levantamentos divulgados em 11 e 12 de agosto de 2026 apresentam recortes diferentes da corrida presidencial. No plano nacional, o instituto Futura ouviu 2.000 eleitores entre 3 e 7 de agosto e apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 38,8% no primeiro turno, contra 34,1% do senador Flávio Bolsonaro, com margem de erro de 2,2 pontos e registro no Tribunal Superior Eleitoral. Em simulação de segundo turno entre os dois, o placar é de 46,5% a 44%, diferença dentro da margem, o que caracteriza empate técnico. Já a pesquisa da Real Time Big Data, restrita ao Mato Grosso e com 1.600 entrevistas colhidas entre 7 e 11 de agosto, mostra o senador com 43% contra 33% do presidente no primeiro turno e 51% a 37% no segundo. No mesmo estado, a rejeição ao presidente é de 55% e a desaprovação do governo federal chega a 62%.
Duas pesquisas divulgadas em 11 e 12 de agosto de 2026 mostram cenários opostos da corrida presidencial: no país, o presidente lidera o primeiro turno e empata tecnicamente no segundo; em Mato Grosso, reduto do agronegócio, o senador abre dez pontos de vantagem. A comparação entre os números exige olhar para o universo amostral de cada levantamento.
Duas pesquisas eleitorais divulgadas em dias seguidos desenham retratos opostos da corrida presidencial de 2026, e a diferença está menos no humor do eleitorado do que no recorte de cada levantamento. No plano nacional, o instituto Futura ouviu 2.000 eleitores de 16 anos ou mais, por telefone, entre 3 e 7 de agosto, e apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na liderança: 38,8% contra 34,1% do senador Flávio Bolsonaro no cenário de primeiro turno com onze nomes. Em simulação de segundo turno entre os dois, o placar é de 46,5% a 44%, diferença menor que a margem de erro de 2,2 pontos, o que configura empate técnico. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral. No dia seguinte, um levantamento da Real Time Big Data restrito ao Mato Grosso inverteu o quadro: 43% para o senador contra 33% do presidente no primeiro turno e 51% a 37% no segundo, com 1.600 entrevistas colhidas entre 7 e 11 de agosto e margem de dois pontos.
Há convergência sobre os fatos básicos. Os dois levantamentos foram divulgados na mesma semana, declaram amostra, período de campo, margem de erro e intervalo de confiança de 95%, e ambos testam o mesmo par central da disputa. Nos dois recortes aparecem ainda Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos como nomes secundários, com percentuais de um dígito. Nenhuma das coberturas questiona a validade metodológica da outra pesquisa, e nenhuma apresenta os números como projeção de resultado.
A divergência está no que cada campo escolheu colocar no centro. A cobertura de centro tratou o levantamento nacional como notícia factual: enumerou todos os candidatos testados, registrou explicitamente o empate técnico dentro da margem de erro e citou o código de registro no TSE, sem adjetivar a liderança do presidente. Já os veículos de direita destacaram o recorte estadual e o transformaram em manchete, sublinhando que o senador venceria com folga no reduto do agronegócio, e subiram no texto a rejeição de 55% ao presidente e a desaprovação de 62% da gestão federal medidas naquele estado, sem mencionar que pesquisas de alcance nacional do mesmo período apontam resultado oposto. Nenhum veículo de esquerda havia publicado leitura própria desses dois levantamentos até o fechamento desta reportagem; a crítica esperada desse campo seria a de que um estado com forte peso do agronegócio e histórico de voto conservador não serve como termômetro do país, e que a comparação legítima seria entre pesquisas de mesmo universo amostral.
O levantamento estadual também mediu as disputas locais. Para o governo do Mato Grosso, Wellington Fagundes aparece com 34%, seguido por Otaviano Pivetta, atual governador, com 26%, e Natasha Slhessarenko, com 13%. Para o Senado, o ex-governador Mauro Mendes lidera com 27%, à frente de Janaína Riva, com 25%, e do ex-ministro da Agricultura Carlos Fávaro, com 13%.
Restam lacunas relevantes. Nenhuma das coberturas informa quem contratou os dois levantamentos, dado que o registro no TSE normalmente traz. Também não há série histórica: não se sabe se os percentuais representam variação em relação a rodadas anteriores dos mesmos institutos ou estabilidade. Não há, nas matérias, pesquisa nacional do mesmo instituto que fez o levantamento estadual, o que impediria a comparação direta entre os dois números que circularam na semana. E nenhum dos textos traz reação do governo federal, do senador ou dos partidos aos resultados divulgados.
As duas coberturas aceitam a metodologia declarada de cada instituto e apresentam o mesmo par central da disputa presidencial de 2026. Ambas registram amostra, período de campo e margem de erro, e nenhuma contesta a validade técnica do levantamento noticiado pela outra.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
Texto de agência: enumera percentuais de todos os onze candidatos testados, registra os empates técnicos dentro da margem de erro ('Lula também lidera no cenário com menos candidatos, com 36,3%, em empate técnico') e cita o código de registro no TSE. Não há vocabulário valorativo nem enquadramento ideológico; a liderança do presidente é apresentada como dado, com a ressalva estatística no mesmo parágrafo.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
O dado é real e a metodologia está declarada (1.600 entrevistas, 7 a 11 de agosto, margem de dois pontos), mas a seleção e a hierarquia editorial marcam o lado: o título destaca o estado onde o senador 'venceria com folga', o texto sobe rejeição de 55% ao presidente e desaprovação de 62% do governo federal, e nenhuma linha registra os cenários nacionais em sentido oposto. É enquadramento de accountability contra o governo, típico do campo à direita, aplicado sobre número correto.


Levantamento Real Time Big Data divulgado nesta quarta, 12, aponta que senador teria 10 pontos de vantagem sobre o presidente no MT
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Perspectivas omitidas
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