O mercado financeiro interrompeu uma sequência de 15 semanas de alta e manteve estável em 5,33% a projeção para a inflação oficial do Brasil em 2026. O dado consta do Boletim Focus, levantamento semanal que o Banco Central faz junto a mais de 100 instituições financeiras, divulgado nesta segunda-feira, 29 de junho de 2026. É a primeira vez em meses que a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, deixa de subir.
A cobertura de centro relatou os números com precisão e contexto. A projeção de 5,33% permanece acima do teto da meta de inflação, fixada pelo Conselho Monetário Nacional em 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Ou seja, o mercado segue esperando que a inflação estoure o limite superior neste ano. Os analistas mantiveram a taxa básica de juros, a Selic, em 14% ao ano para 2026, depois de o Comitê de Política Monetária tê-la reduzido para 14,25% na reunião de junho. A próxima reunião do Copom está marcada para 4 e 5 de agosto. A estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto avançou de 1,98% para 1,99%, a sexta alta consecutiva nas expectativas, e a projeção para o dólar foi mantida em R$ 5,20 ao fim do ano.
Veículos de esquerda destacaram o lado do alívio: depois de 15 meses de pressão sobre o custo de vida, a inflação enfim parou de subir, com um sopro de fôlego vindo do atacado, em boa parte reflexo do recuo do petróleo com o avanço das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. Essa cobertura também sublinha que a Selic de 14% ao ano mantém o crédito caro e penaliza famílias e trabalhadores que dependem de financiamento, e situa o quadro econômico dentro de um ano politicamente carregado.
Veículos de direita enfatizaram outro ângulo: a estabilização não significa vitória, porque a projeção segue acima do teto da meta e os juros precisarão ficar altos por mais tempo diante das pressões inflacionárias. Essa cobertura dá relevo ao risco fiscal apontado pelos analistas e à tensão entre o governo Lula e a autonomia do Banco Central, tratada como fator de credibilidade da política monetária. A leitura de mercado relatada por veículos de centro reforça que os juros elevados devem persistir enquanto a inflação não convergir para a meta.
O que ainda não se sabe é se a estabilização vai se sustentar nas próximas semanas ou se foi um movimento pontual ligado ao petróleo. Também permanece em aberto qual será a decisão do Copom em agosto e se o ritmo de cortes da Selic continuará. As projeções do Focus refletem expectativas, não fatos consumados, e podem mudar a cada novo boletim.