O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) segue como o principal nome da direita para a eleição presidencial de 2026, mesmo depois de uma série de atritos públicos com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. É o que aponta a pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada em 2 de julho, o primeiro levantamento realizado após Michelle publicar vídeos em que afirma ter sido humilhada e desrespeitada pelo enteado dentro do Partido Liberal.
Segundo o levantamento, que ouviu 4.999 pessoas entre 26 e 30 de junho e tem margem de erro de um ponto percentual, 81,9% dos eleitores de Jair Bolsonaro apontam Flávio como o nome preferido para a disputa presidencial, contra 14,7% que citam Michelle. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04582/2026. A cobertura de centro relatou os números com detalhe: Flávio lidera tanto entre as mulheres, com 86,9% da preferência, quanto entre os homens, com 74,9%, e a maioria dos eleitores bolsonaristas, 54,6%, afirma que as acusações de Michelle não correspondem aos fatos.
A crise se aprofundou nos últimos dias de junho. Em 24 de junho, Michelle divulgou vídeos acusando Flávio de tê-la maltratado e de ter dito que ela deveria ficar fora das decisões do partido. Em 30 de junho, ela anunciou a saída da presidência do PL Mulher. Em nota reproduzida na íntegra por veículos de esquerda, a ex-primeira-dama afirmou que decidiu deixar o cargo para se dedicar integralmente ao marido e à filha, encerrando o texto com mensagens de fé e gratidão.
Flávio reagiu publicamente. Em um café da manhã com mulheres no Lago Sul, em Brasília, chamou Michelle de 'completamente desinformada' por compartilhar um vídeo do ex-governador Anthony Garotinho que, segundo o senador, insinuava sua participação em festas do empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Flávio negou ter frequentado esses eventos e disse que sua única relação com Vorcaro foi em torno do filme 'Dark Horse', sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Ainda assim, afirmou acreditar que o atrito será superado e que Michelle voltará a caminhar ao lado da campanha.
É na leitura política do episódio que as coberturas divergem. Veículos de direita enfatizaram a resiliência da candidatura de Flávio: para esse campo, a base bolsonarista permanece fiel ao senador, a maioria não dá crédito às denúncias e o conflito é um contratempo típico de pré-campanha, a ser superado pela união em torno do objetivo de derrotar Lula. O deputado Carlos Portinho, aliado presente à reunião, classificou a crise como algo 'normal' de campanha e lembrou que o movimento tem 'um objetivo maior'. Já veículos de esquerda destacaram que a saída de Michelle expõe uma fratura no bolsonarismo e levanta questões sobre como o campo conservador trata mulheres em suas próprias fileiras, com o discurso de 'dedicação à família' sendo lido como reforço de um papel tradicional de subordinação feminina.
Há também um cálculo eleitoral concreto por trás do movimento. A cobertura de centro registrou que a saída de Michelle pode interferir na campanha, já que ela era vista como o principal elo entre o bolsonarismo e o voto feminino conservador e evangélico. Por isso, Flávio reuniu deputadas do PL, como Chris Tonietto, Julia Zanatta e Soraya Santos, na tentativa de reforçar sua imagem junto ao eleitorado feminino.
O que ainda não se sabe é se a reconciliação prometida por Flávio vai se concretizar e qual será o papel efetivo de Michelle na campanha. Também permanece em aberto o teor das informações que, segundo mencionado na reunião, o site Intercept teria sobre o senador, e como a disputa interna afetará o desempenho de Flávio no segundo turno, cenário em que a mesma pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou Lula à frente.