O Republicanos anunciou nesta quarta-feira, 29 de julho de 2026, que o senador Cleitinho Azevedo não será o candidato do partido ao governo de Minas Gerais. A decisão chama atenção porque o senador liderava com folga as pesquisas de intenção de voto e reabre as negociações no segundo maior colégio eleitoral do país.
A cobertura de centro relatou os números e a cronologia com detalhe. Na pesquisa mais recente, o senador aparecia com 35% no cenário principal e chegava a 44% em uma simulação de segundo turno, à frente dos demais pré-candidatos. Ainda assim, as direções estadual e nacional da legenda oficializaram, em nota, que a pré-candidatura não avançou. O partido atribuiu o rompimento à ausência do senador na convenção estadual do dia 25 de julho e à falta de uma confirmação inequívoca, afirmando que decisões estratégicas foram adiadas por meses à espera de uma definição que nunca veio.
Veículos de centro também descreveram o movimento seguinte: a articulação de um acordo para que o Republicanos e o PL, partido do presidenciável Flávio Bolsonaro, apoiem Marcelo Aro, do PP, como candidato ao governo. Pelo desenho relatado, o Republicanos indicaria o vice, e nomes como o irmão de Cleitinho e um ex-prefeito estão em avaliação. Um ponto factual reforçado é que o senador, mesmo inconformado, não pode trocar de partido para concorrer, porque o prazo legal para a mudança de sigla se encerrou em abril.
Veículos de direita enfatizaram a leitura de que pesou menos o potencial de votos e mais o comportamento do senador. Nessa análise, o discurso antissistema e de forte apelo popular de Cleitinho seria incompatível com um projeto estável de governo, e a instabilidade e os sinais contraditórios do parlamentar teriam levado a cúpula a preferir um nome menos competitivo, porém mais previsível. A crítica ao uso eleitoral da morte do irmão também apareceu nesse enquadramento.
Até o momento, não houve cobertura relevante de veículos de esquerda sobre o caso. Uma leitura à esquerda tenderia a destacar a distância entre a preferência do eleitorado, expressa nas pesquisas, e a decisão tomada nos bastidores por acordos de cúpula partidária.
Ainda não se sabe se Cleitinho conseguirá reverter a situação ou viabilizar a candidatura por outro caminho, nem como ficará em definitivo o palanque de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais, incluindo a escolha do vice de Aro e dos candidatos ao Senado.