A federação PSOL-Rede oficializou, em convenção realizada na manhã de 29 de julho de 2026, no Salão Nobre da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, as candidaturas do vereador William Siri ao governo do estado e da vereadora Monica Benício ao Senado. A chapa é pura, sem coligação, e tem a professora Juliana Carvalho, de Volta Redonda, como candidata a vice-governadora. Na mesma convenção, a federação ratificou o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à candidatura da deputada federal Benedita da Silva para a segunda vaga fluminense no Senado. Neste ano, cada eleitor terá dois votos para a Casa, porque a eleição renova dois terços do Senado, com duas vagas por estado.
Os pontos factuais são os mesmos em toda a cobertura reunida. Monica Benício é vereadora em segundo mandato, reeleita em 2024 com mais de 25 mil votos, arquiteta e urbanista de formação, nascida no Complexo da Maré, e entrou na política institucional após o assassinato de sua esposa, a vereadora Marielle Franco, em 2018. Terá como suplentes Maria dos Camelôs e Vanderleia Aguiar. William Siri tem 33 anos, é economista, nasceu em Nova Iguaçu e cumpre o segundo mandato como vereador da capital. Todas as matérias registram ainda que a convenção formalizou a chapa da federação para a eleição de 4 de outubro.
As divergências aparecem no recorte. Veículos de esquerda enquadraram a convenção como um movimento do campo progressista para ampliar a representação de mulheres no Senado, ligando a candidatura à articulação Senadoras do Brasil e à tese de que uma eventual reeleição presidencial precisaria de um Congresso comprometido com a proteção de direitos sociais; nessa leitura, a frase da candidata de que direitos de trabalhadores, meninas e mulheres não podem ser rifados na conta eleitoral é o eixo da reportagem. A cobertura de centro deu mais espaço ao teste eleitoral concreto: registrou o discurso do candidato ao governo e, logo em seguida, o levantamento Genial/Quaest divulgado na mesma semana, que aponta a chapa com 2% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto o ex-prefeito Eduardo Paes marca de 38% a 42% e Anthony Garotinho e Douglas Ruas aparecem empatados em 10%. Uma parte da cobertura de centro também reproduziu, sem contraditório, as críticas feitas do palanque à extrema-direita e a incentivos fiscais concedidos sem contrapartida. Veículos de direita não cobriram estas convenções no conjunto de matérias reunidas, o que deixa sem contraponto tanto as acusações feitas nos discursos quanto a discussão sobre o custo fiscal das propostas anunciadas.
O episódio do Rio faz parte de uma sequência de convenções. Em 31 de julho, o PDT oficializou em Aracaju a candidatura de Edvaldo Nogueira ao Senado por Sergipe, com apoio à reeleição do governador Fábio Mitidieri. Em 2 de agosto, a mesma federação PSOL-Rede lançou no Recife o ex-vereador Ivan Moraes ao governo de Pernambuco, com Alice Gabino como vice e o ex-deputado Paulo Rubem Santiago ao Senado. Em 3 de agosto, em Aracaju, a federação oficializou o médico e sindicalista Dr. Helton Monteiro ao governo de Sergipe, com a liderança quilombola Maria Izaltina como vice; pesquisa Real Time Big Data divulgada no mesmo dia o coloca com 1%, atrás de quatro concorrentes. O calendário legal fixa 5 de agosto como prazo final das convenções, 15 de agosto para o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral e 16 de agosto para o início oficial da campanha.
O que ainda não se sabe é como essas candidaturas se posicionam de fato na disputa pelo Senado. Nenhuma das matérias traz intenção de voto para as vagas de senador no Rio, o que impede avaliar a viabilidade da estratégia de dois nomes do campo progressista. Também não há detalhamento sobre como as propostas de renda básica para jovens e de ensino em tempo integral seriam financiadas, nem resposta dos adversários e dos senadores citados nominalmente nas críticas feitas durante as convenções. O registro no tribunal eleitoral, que ainda não ocorreu, é o passo que confirmará as chapas.