Moradores de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, denunciaram que uma ação da Polícia Militar durante a comemoração da vitória do Brasil sobre o Japão, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, terminou com tiros, bombas, spray de pimenta e correria na tarde de segunda-feira. A cobertura de centro relatou que vídeos gravados por testemunhas mostram ruas tomadas por cadeiras, mesas, narguilés e outros objetos espalhados após a dispersão do público, além de policiais militares caminhando perto do bar onde os moradores acompanhavam o jogo em um telão.
Em um dos vídeos, é possível ouvir estampidos semelhantes a disparos. Em outro, policiais aparecem apontando armas em direção a comerciantes e a pessoas dentro de estabelecimentos, gritando ordens para fechar as portas. As imagens também registram pais correndo com crianças no colo e pessoas com deficiência tentando deixar o local em meio ao tumulto. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que a ocorrência foi registrada durante uma tentativa de abordagem a uma motocicleta sem placa, ocupada por dois homens sem capacete.
Todos os relatos convergem em pontos centrais: houve grande concentração de público nas ruas para assistir à partida, a ação policial gerou correria e as cenas foram registradas em vídeo por moradores. A divergência aparece no enquadramento. Veículos de esquerda enfatizaram a desproporção do uso da força contra uma comunidade periférica em festa, com famílias, crianças e pessoas com deficiência expostas ao pânico, e situaram o episódio no debate mais amplo sobre violência policial em favelas. Já a leitura à direita, ancorada na nota oficial, destacou que a origem da ocorrência foi uma infração de trânsito flagrante e que a avaliação da conduta depende da apuração formal, não apenas de trechos isolados de celular.
O dia do jogo também teve efeito sobre a cidade. Veículos de direita relataram que a Prefeitura de São Paulo manteve o rodízio municipal de veículos naquela segunda-feira, depois de a capital registrar 1.690 quilômetros de congestionamento no jogo anterior, o maior índice do ano e o mais alto desde 2020, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego. O recorde histórico segue sendo o de setembro de 2019.
O que ainda não se sabe: não há número confirmado de feridos ou detidos na ação de Paraisópolis, nem detalhamento da versão da PM sobre o motivo dos disparos além da nota da Secretaria. Também não há informação sobre eventual abertura de apuração pela corregedoria ou sobre a identificação dos policiais envolvidos.