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O ministro Alexandre de Moraes arquivou, em decisão assinada em 6 de agosto, a investigação que apurava se a Havan e seus representantes apoiaram manifestações antidemocráticas e o bloqueio da BR-470 em Rio do Sul, em Santa Catarina, após as eleições de 2022. O arquivamento atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República, que avaliou não haver provas suficientes de envolvimento direto dos responsáveis pela empresa. Na mesma semana, a Advocacia-Geral da União protocolou na Justiça Federal da Flórida uma réplica reforçando o pedido de arquivamento definitivo da ação movida pelas empresas Rumble e Trump Media contra o próprio Moraes, com base na lei norte-americana de imunidade soberana.
Duas frentes colocaram o ministro Alexandre de Moraes no centro da semana: o arquivamento da investigação sobre o suposto apoio da Havan a atos antidemocráticos em Santa Catarina, por falta de provas, e a nova manifestação da Advocacia-Geral da União na Justiça dos Estados Unidos pedindo o fim definitivo da ação movida por Rumble e Trump Media contra o magistrado.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, arquivou a investigação que apurava se a rede varejista Havan e seus representantes apoiaram manifestações antidemocráticas e o bloqueio de uma rodovia federal em Rio do Sul, em Santa Catarina, depois das eleições presidenciais de 2022. A decisão foi assinada em 6 de agosto e acolheu pedido da Procuradoria-Geral da República, que concluiu não haver provas suficientes para responsabilizar o empresário Luciano Hang ou os dirigentes da empresa.
Quase ao mesmo tempo, o Brasil voltou a se manifestar em outro processo que tem o mesmo ministro no centro. A Advocacia-Geral da União protocolou na terça-feira uma réplica na Justiça Federal do Distrito Central da Flórida para reforçar o pedido de arquivamento definitivo da ação movida pelas empresas Rumble e Trump Media contra Moraes. Os dois movimentos deixam o ministro diante de disputas simultâneas, uma dentro e outra fora do país.
No caso da Havan, a cobertura de centro reuniu os elementos da apuração. A investigação nasceu de atos realizados em 3 de novembro de 2022, nas proximidades de uma loja da empresa às margens da BR-470. Segundo a Polícia Federal, ficou comprovado que manifestantes usaram o espaço físico do estabelecimento, mas as diligências não permitiram concluir que a companhia tenha autorizado esse uso ou colaborado com o movimento. A Procuradoria registrou que os manifestantes defendiam intervenção militar, fechamento do Supremo, anulação das eleições e a prisão do presidente eleito, e que houve bloqueios com barreiras físicas, detritos e pneus incendiados. Durante a apuração foram ouvidos, entre outros, a gerente da unidade e o diretor-presidente da empresa.
No processo aberto nos Estados Unidos, há convergência entre as fontes sobre o desenho jurídico da defesa brasileira. O país sustenta que a ação deve ser encerrada de forma definitiva com base na legislação norte-americana que trata da imunidade de Estados estrangeiros perante tribunais locais. O argumento é que as decisões judiciais questionadas e a forma como foram comunicadas são atos de natureza soberana, praticáveis apenas por autoridade pública no exercício da função. A defesa também afirma que a atuação do ministro foi delegada pela Presidência do Supremo e que as decisões contestadas foram referendadas por um colegiado de cinco ministros.
As ênfases da cobertura, porém, se separam. Veículos de direita detalharam o andamento processual e a controvérsia de fundo: a mudança de estratégia das empresas, que passaram a sustentar que processam Moraes exclusivamente na condição pessoal, os limites da jurisdição norte-americana sobre atos de autoridades brasileiras e a possibilidade de responsabilização individual de um ministro. Registraram ainda que a juíza responsável autorizou a réplica, limitou o documento a sete páginas e fixou prazo de sete dias, e que o Brasil atua por meio de escritório contratado no país. Nenhum veículo de esquerda cobriu o caso no conjunto analisado; a leitura de esquerda dos mesmos fatos tenderia a enfatizar a defesa da soberania nacional e o arquivamento por falta de provas como sinal de que o Judiciário não condena sem elementos, ainda que o episódio esteja ligado à tentativa de contestar o resultado das urnas.
A origem da ação nos Estados Unidos também aparece na cobertura. O processo foi aberto no Tribunal Federal da Flórida sob a acusação de que o magistrado brasileiro teria promovido censura contra discursos políticos de usuários alinhados à direita, e as autoras alegam que decisões que obrigaram a plataforma a remover contas violariam a Primeira Emenda da Constituição norte-americana. As empresas afirmam ainda que o ministro determinou que a plataforma mantivesse representação legal no Brasil para o cumprimento de ordens judiciais.
O que ainda não se sabe é quando a Justiça dos Estados Unidos vai decidir sobre o pedido de arquivamento definitivo, nem se as empresas apresentarão nova manifestação. Também não está esclarecido se cabe recurso contra o arquivamento da apuração sobre a Havan, se outras frentes da investigação sobre os atos em Santa Catarina seguem abertas e qual o custo da representação jurídica contratada pelo Brasil no exterior. Até o momento, não houve manifestação pública da empresa investigada sobre o encerramento do caso.
As fontes convergem em que a Polícia Federal comprovou apenas o uso do espaço físico da loja pelos manifestantes, sem elementos de autorização ou colaboração da empresa, e em que a Procuradoria pediu o arquivamento por insuficiência de provas. Também há acordo sobre o desenho da defesa brasileira nos Estados Unidos, baseada na imunidade soberana e no caráter institucional das decisões questionadas.
4 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
O texto relata o protocolo da réplica e resume os argumentos da defesa brasileira sobre imunidade soberana com verbos de atribuição ('sustenta', 'segundo a AGU'), sem adjetivação valorativa sobre Moraes ou sobre as empresas autoras. O bloco 'Entenda' recompõe o histórico da ação sem tomar partido quanto ao mérito da acusação de censura, o que caracteriza cobertura factual de centro.
Perspectivas omitidas
O corpo disponível se resume a uma única frase de abertura informando o arquivamento, a empresa envolvida, a cidade e o marco eleitoral de 2022. Não há desenvolvimento, seleção de fontes nem escolha de adjetivos que permitam identificar enquadramento editorial, o que impede um julgamento confiável de viés e sustenta a marcação como indefinido.
Perspectivas omitidas
O texto separa com clareza o que foi comprovado (uso do espaço físico da loja pelos manifestantes) do que não foi (autorização ou colaboração da empresa), atribui cada conclusão à Polícia Federal ou à Procuradoria e descreve as pautas dos manifestantes sem editorializar. Não há defesa nem acusação embutida ao empresário, o que caracteriza cobertura factual de centro.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
Apesar de o veículo ser de perfil editorial à direita, o corpo do texto é um relato procedimental sem vocabulário carregado: expõe os argumentos da AGU sempre atribuídos ('diz AGU', 'sustenta'), acrescenta detalhes técnicos como o limite de sete páginas fixado pela juíza e fecha explicitando a controvérsia jurídica sobre responsabilização individual de ministro. O maior espaço dado à discussão de jurisdição é o único sinal de ênfase, insuficiente para caracterizar enquadramento de direita.

AGU sustenta que processo mira, na prática, o Estado brasileiro e invoca lei dos EUA sobre imunidade soberana

A Advocacia-Geral da União (AGU) voltou a pedir à Justiça dos Estados Unidos o arquivamento definitivo da ação movida pela

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), arquivou uma investigação contra funcionários da Havan por suposto envolvimento em atos antidemocráticos em Rio do Sul (SC) após a vitória do presidente Lula (PT) nas eleições de 2022.

PF e PGR não encontraram provas de que representantes da empresa tenham apoiado manifestações e bloqueio de rodovia após as eleições de 2022
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Perspectivas omitidas



