O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou que o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa condenado por participação na trama golpista, realize as provas do Enem 2026. Nogueira cumpre em Brasília uma pena de 19 anos de prisão e, com a decisão, fica liberado para se inscrever e fazer o exame nacional.
A cobertura de centro relatou o fato de forma direta: a autorização partiu de Moraes, relator dos processos sobre a tentativa de golpe, e beneficia um dos militares de mais alta patente condenados no caso. O ex-ministro da Defesa passa a ter assegurado o direito de prestar a principal porta de entrada para o ensino superior no país, mesmo durante o cumprimento da pena.
Veículos de esquerda destacaram que a decisão recai sobre um condenado pela tentativa de golpe contra a democracia, mantendo em primeiro plano a responsabilização penal dos generais e ex-autoridades envolvidos no atentado às instituições. Nesse enquadramento, a autorização para o Enem é lida como garantia de um direito social básico, o acesso à educação, preservado pelo Estado mesmo diante de um réu condenado por crime grave, num sinal de que a punição convive com a manutenção de direitos do preso.
Veículos de direita tendem a inserir o episódio no debate mais amplo sobre o tratamento conferido aos condenados pela trama golpista e pelos atos de 8 de janeiro, com ênfase no fato de que a medida resulta de uma decisão individual do ministro relator. Nesse ângulo, ganha relevo a centralidade de Moraes nas definições sobre cada réu, ao mesmo tempo em que a autorização é compreendida como reconhecimento de um direito individual do condenado.
Há convergência entre os diferentes lados quanto ao núcleo dos fatos: Moraes autorizou, Nogueira é ex-ministro da Defesa e general, está condenado a 19 anos de prisão e fará o Enem 2026. As diferenças aparecem na ênfase, com a esquerda sublinhando a responsabilização do golpe e a garantia de direitos, e a direita destacando o protagonismo decisório do relator.
O que ainda não se sabe é o teor completo do despacho de Moraes e o fundamento jurídico específico da autorização, além de eventuais manifestações da defesa de Nogueira e do Ministério Público sobre o pedido. As matérias também não detalham se a realização das provas ocorrerá em local especial ou sob condições particulares ligadas ao cumprimento da pena.