Mulheres rejeitam Flávio e viram problema na campanha após crise com Michelle
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Os números reforçam a fragilidade estrutural da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro junto às mulheres, segmento que rejeita majoritariamente o nome do senador. Para veículos de esquerda, a crise com Michelle Bolsonaro expõe um campo conservador marcado por disputas internas e pelo tratamento desrespeitoso a uma liderança feminina, justamente quando a campanha tenta, de forma reativa, construir uma agenda de proteção, combate à violência doméstica e cuidado para reduzir a rejeição entre eleitoras.
Para a cobertura de direita, o foco está na reorganização do campo conservador após o atrito familiar. Jair Bolsonaro adotou um tom de pacificação, pediu trégua e que Flávio contivesse os ataques de aliados contra Michelle, enquanto o senador reafirmou que nunca quis magoá-la e que considera indispensável a participação da ex-primeira-dama para unificar a oposição e derrotar Lula.
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2 fontes políticas
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Veículos com viés à direita
Esquerda, centro e direita reconhecem que a pesquisa BTG/Nexus aponta Lula à frente entre as mulheres e que a crise com Michelle Bolsonaro atinge um ponto fraco da pré-campanha de Flávio.
Uma nova pesquisa BTG/Nexus, realizada entre 26 e 28 de junho de 2026, colocou em evidência a principal fragilidade da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro: o voto feminino. No levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece à frente do senador no conjunto do eleitorado, com 42% a 34% no cenário estimulado de primeiro turno e 47% a 44% em um eventual segundo turno. Entre as mulheres, porém, a distância é bem maior. Lula tem 48% contra 29% de Flávio no primeiro turno e amplia a vantagem para 55% a 36% no segundo. A rejeição também é desfavorável ao senador: 58% das eleitoras dizem que não votariam nele de jeito nenhum, contra 41% que afirmam o mesmo sobre Lula.
Os números foram divulgados em meio a uma crise pública na família Bolsonaro. Michelle Bolsonaro, que comanda o PL Mulher e tem força própria no eleitorado conservador, tornou pública uma disputa com o enteado depois de afirmar que foi desrespeitada por ele em meio às articulações do partido no Ceará. A crise ocorreu às vésperas do campo da pesquisa e atingiu justamente o segmento em que Flávio já enfrentava maior dificuldade.
Veículos de esquerda destacaram que a rejeição entre mulheres tem caráter estrutural e que a crise com Michelle expõe o tratamento dado a uma liderança feminina dentro do próprio campo conservador. Nessa leitura, o programa voltado às eleitoras, que a campanha decidiu acelerar, surge como resposta tardia a uma fragilidade já conhecida, e a bandeira da segurança pública é considerada insuficiente para ampliar a competitividade do senador nesse eleitorado. O plano, coordenado por Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, terá três eixos: proteção, oportunidades e cuidado, com combate à violência doméstica, empreendedorismo feminino e microcrédito.
A cobertura de centro relatou os dados da pesquisa com correção e descreveu os bastidores do reencontro entre Flávio e o pai. A primeira conversa entre os dois após a divulgação dos vídeos ocorreu na manhã de uma sexta-feira, na casa onde Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar. Michelle não estava presente; gravava vídeos de campanha para candidatas do PL na sede do partido. Segundo interlocutores, o ex-presidente adotou tom de pacificação e pediu ao filho que encerrasse a crise e contivesse os ataques de aliados contra a madrasta.
Veículos de direita enfatizaram o esforço de reorganização do campo conservador. Flávio reafirmou que nunca teve intenção de magoar Michelle, disse continuar aberto ao diálogo e sustentou que considera indispensável a participação da ex-primeira-dama para unificar a oposição e derrotar Lula. Pessoas próximas a Michelle, por sua vez, afirmaram que a divulgação das gravações teve o conhecimento de Bolsonaro e foi a última alternativa após tentativas frustradas de resolver o impasse reservadamente. Depois do encontro, o senador declarou que era 'página virada' e seguiu para uma agenda internacional com lideranças conservadoras, com encontro previsto com o presidente argentino Javier Milei.
Ainda não se sabe qual será o impacto eleitoral concreto da crise nas próximas pesquisas, já que o desgaste se deu no fim do campo do BTG/Nexus. Também não foram detalhadas a metodologia, a margem de erro e a amostra do levantamento, nem há clareza sobre se a aproximação entre Flávio e Michelle se consolidará ou se a tensão interna ao PL voltará a aparecer na campanha.
Flávio Bolsonaro tem 58% de rejeição entre mulheres, enquanto campanha tenta lançar programa feminino para angariar votos.

Senador esteve na casa do pai e da madrasta na sexta-feira, antes de compromissos em Goiás e na Argentina; ex-primeira-dama havia saído para outro compri
