Uma nova pesquisa BTG/Nexus, realizada entre 26 e 28 de junho de 2026, colocou em evidência a principal fragilidade da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro: o voto feminino. No levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece à frente do senador no conjunto do eleitorado, com 42% a 34% no cenário estimulado de primeiro turno e 47% a 44% em um eventual segundo turno. Entre as mulheres, porém, a distância é bem maior. Lula tem 48% contra 29% de Flávio no primeiro turno e amplia a vantagem para 55% a 36% no segundo. A rejeição também é desfavorável ao senador: 58% das eleitoras dizem que não votariam nele de jeito nenhum, contra 41% que afirmam o mesmo sobre Lula.
Os números foram divulgados em meio a uma crise pública na família Bolsonaro. Michelle Bolsonaro, que comanda o PL Mulher e tem força própria no eleitorado conservador, tornou pública uma disputa com o enteado depois de afirmar que foi desrespeitada por ele em meio às articulações do partido no Ceará. A crise ocorreu às vésperas do campo da pesquisa e atingiu justamente o segmento em que Flávio já enfrentava maior dificuldade.
Veículos de esquerda destacaram que a rejeição entre mulheres tem caráter estrutural e que a crise com Michelle expõe o tratamento dado a uma liderança feminina dentro do próprio campo conservador. Nessa leitura, o programa voltado às eleitoras, que a campanha decidiu acelerar, surge como resposta tardia a uma fragilidade já conhecida, e a bandeira da segurança pública é considerada insuficiente para ampliar a competitividade do senador nesse eleitorado. O plano, coordenado por Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, terá três eixos: proteção, oportunidades e cuidado, com combate à violência doméstica, empreendedorismo feminino e microcrédito.
A cobertura de centro relatou os dados da pesquisa com correção e descreveu os bastidores do reencontro entre Flávio e o pai. A primeira conversa entre os dois após a divulgação dos vídeos ocorreu na manhã de uma sexta-feira, na casa onde Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar. Michelle não estava presente; gravava vídeos de campanha para candidatas do PL na sede do partido. Segundo interlocutores, o ex-presidente adotou tom de pacificação e pediu ao filho que encerrasse a crise e contivesse os ataques de aliados contra a madrasta.
Veículos de direita enfatizaram o esforço de reorganização do campo conservador. Flávio reafirmou que nunca teve intenção de magoar Michelle, disse continuar aberto ao diálogo e sustentou que considera indispensável a participação da ex-primeira-dama para unificar a oposição e derrotar Lula. Pessoas próximas a Michelle, por sua vez, afirmaram que a divulgação das gravações teve o conhecimento de Bolsonaro e foi a última alternativa após tentativas frustradas de resolver o impasse reservadamente. Depois do encontro, o senador declarou que era 'página virada' e seguiu para uma agenda internacional com lideranças conservadoras, com encontro previsto com o presidente argentino Javier Milei.
Ainda não se sabe qual será o impacto eleitoral concreto da crise nas próximas pesquisas, já que o desgaste se deu no fim do campo do BTG/Nexus. Também não foram detalhadas a metodologia, a margem de erro e a amostra do levantamento, nem há clareza sobre se a aproximação entre Flávio e Michelle se consolidará ou se a tensão interna ao PL voltará a aparecer na campanha.