Cardiologista do Einstein diz que não atende petistas e hospital repudia
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A cobertura de esquerda trata o caso como discriminação política contra eleitores do presidente Lula por um profissional de saúde, dever que a ética médica proíbe, às vésperas da votação.
O cardiologista Clederson Henry Dina, que atua no Hospital Israelita Albert Einstein, publicou no Instagram que não atende petistas, na véspera do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. O hospital repudiou e diz que apura o caso.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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O cardiologista Clederson Henry Dina, que atua no Hospital Israelita Albert Einstein, escreveu no Instagram que não atende petistas, na véspera do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. A mensagem foi apagada e o hospital repudiou a fala.
O cardiologista Clederson Henry Dina, que atende no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, provocou repercussão ao publicar no Instagram que não atende petistas. A mensagem, divulgada no sábado, 24 de outubro, véspera do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, dizia "Não atendo petistas vagabundos" e incluía um apelido pejorativo para o presidente. O médico escreveu ainda que tem "recursos" para evitar esses pacientes, mas não explicou como identificaria a preferência política de quem procura atendimento.
As postagens foram apagadas antes de completar 24 horas no ar, período em que os stories ficam disponíveis, e o perfil passou a ser privado. Antes disso, a biografia mencionava o Einstein e a clínica do infectologista David Uip. As referências foram retiradas depois da repercussão. A assessoria de Uip afirmou que o cardiologista não tem vínculo empregatício com o consultório e apenas aluga uma sala no mesmo prédio.
O Einstein divulgou nota. Disse que declarações individuais dos cerca de 20 mil médicos, autônomos e contratados, que atuam no hospital não representam o posicionamento institucional. Afirmou repudiar de forma veemente qualquer manifestação discriminatória e informou que o caso está sendo tratado de acordo com o código de ética, os princípios e as diretrizes da instituição.
A cobertura de centro relatou o episódio de forma factual e acrescentou o contexto normativo. O Código de Ética Médica, aprovado pelo Conselho Federal de Medicina pela resolução 2.217, de 2018, determina que a medicina seja exercida sem discriminação de nenhuma natureza. O artigo 7º do capítulo 3 também proíbe o médico de deixar de atender em urgência e emergência quando essa for sua obrigação. A cobertura de centro lembrou ainda que a possibilidade de recusar um atendimento depende das circunstâncias, mas que discriminar por convicção política contraria os princípios éticos da categoria.
Veículos de esquerda destacaram que o médico atacou apoiadores do presidente Lula e enquadraram a fala como parte do clima eleitoral. Deram peso ao fato de a declaração partir de um profissional de saúde de um hospital de grande prestígio e à ausência de explicação sobre como a preferência política seria identificada.
Até o momento, não há cobertura de veículos de direita sobre o caso neste conjunto de reportagens, e por isso não é possível descrever como esse lado o enquadra.
O que ainda não se sabe: qual será a consequência da apuração interna do Einstein, se o Conselho Federal de Medicina ou um conselho regional abrirá procedimento e qual é a versão do próprio médico, que não se manifestou nas reportagens. Também não está claro se ele chegou a recusar algum paciente na prática.
A publicação, em uma rede social, foi apagada antes de completar 24 horas; o cardiologista ainda chamou Lula de 'Nove Dedos'

