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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou busca e apreensão cumprida em 11 de agosto contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo do Maranhão, apontado pela Polícia Federal como fonte das informações usadas pelo blogueiro Luís Pablo em publicações sobre o uso de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino. A mesma decisão atingiu o advogado Diogo Diniz Lima, que segundo o despacho transferiu 100 mil reais ao blogueiro. O pedido partiu da PF e teve parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. Entidades de jornalismo manifestaram preocupação com a quebra do sigilo da fonte, e a assessoria de Dino nega qualquer uso irregular de veículos oficiais.
Uma operação da Polícia Federal autorizada pelo Supremo Tribunal Federal atingiu o ex-secretário maranhense apontado como fonte de publicações sobre o uso de um carro oficial do tribunal estadual por familiares do ministro Flávio Dino. A medida teve parecer favorável da Procuradoria-Geral da República e abriu disputa pública sobre os limites entre investigação criminal e sigilo da fonte jornalística.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou uma operação de busca e apreensão cumprida na terça-feira, 11 de agosto, contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo do Maranhão, apontado pela Polícia Federal como a fonte das informações usadas pelo blogueiro Luís Pablo em publicações sobre o uso de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino. A mesma decisão atingiu o advogado Diogo Diniz Lima, ex-secretário de Urbanismo e Habitação da Prefeitura de São Luís, que, segundo o despacho, transferiu 100 mil reais ao blogueiro, valor usado para a quitação de um imóvel.
As buscas alcançaram quatro endereços ligados aos dois investigados e autorizaram a apreensão de celulares, computadores, mídias de armazenamento e documentos físicos e digitais, além do acesso a dados bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos. O pedido partiu da Polícia Federal e recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. Moraes assumiu a relatoria do caso em 15 de julho, por conduzir o inquérito das fake news, depois que o processo foi redistribuído a partir do gabinete do ministro Cristiano Zanin, que apontou paralelos entre os dois procedimentos.
O núcleo factual é o mesmo em toda a cobertura. A apuração começou em novembro do ano passado, após textos do blog afirmarem que um utilitário do tribunal estadual, comprado com recursos de um fundo destinado à segurança de magistrados, era usado em deslocamentos particulares pelo ministro e por familiares em São Luís. A Polícia Federal sustenta que Cutrim obteve informações em sistemas de acesso restrito e as repassou por aplicativo de mensagens, com fotos e vídeos de veículos e nomes de empresas que abastecem a frota do tribunal, e que a transferência de 100 mil reais indicaria publicação de matérias pagas com direcionamento político. A assessoria de Flávio Dino afirma que jamais houve uso irregular de veículos oficiais, que um carro blindado foi cedido por meio de acordo de cooperação entre tribunais e que o gabinete solicitou providências adicionais de segurança diante de novos fatos. As defesas negam relação entre o dinheiro e as publicações e dizem ter recebido a decisão com estranheza e preocupação.
A divergência está no eixo escolhido para contar o caso. Veículos de esquerda reproduziram o relato factual da agência sem enquadramento próprio e deram peso ao respaldo institucional da medida, com a concordância da Procuradoria-Geral da República e a conclusão dos investigadores de que o blog operaria como plataforma de conteúdo comprado, num tabuleiro de disputa pré-eleitoral pelo governo estadual. A cobertura de centro distribuiu espaço equivalente entre a fundamentação da investigação e a reação das entidades de jornalismo, publicando na íntegra as notas das partes e distinguindo esta apuração de outra investigação que já havia levado o mesmo alvo à prisão domiciliar em julho. Veículos de direita enfatizaram a quebra do sigilo da fonte, trataram o autor do blog como jornalista desde o título e destacaram a pergunta feita pela defesa, de que se investiga quem denunciou e quem informou, mas não a denúncia em si, somando a isso a crítica de um senador e pré-candidato à Presidência, que classificou a decisão como abuso e arbitrariedade.
As associações que reúnem jornais, emissoras de rádio e televisão e editores de revistas divulgaram nota conjunta afirmando que ações judiciais que quebram o sigilo da fonte não têm amparo constitucional e abrem precedente que ameaça a liberdade de imprensa. O presidente de uma dessas entidades sustentou que a Constituição é taxativa ao proteger o sigilo profissional e que nenhum jornalista é imune a questionamentos dentro da lei, mas que o precedente intimida o exercício do jornalismo.
O que ainda não se sabe é decisivo para julgar o caso. A decisão tramita sob sigilo e a defesa afirma não ter tido acesso à íntegra dos autos, o que impede conferir a fundamentação completa. Não há confirmação independente sobre a natureza do repasse de 100 mil reais, apresentado pela investigação como pagamento e pela outra parte como empréstimo já devolvido. Também segue em aberto se houve acesso indevido a sistemas do órgão estadual de trânsito e do tribunal, se a denúncia original sobre o uso do veículo será apurada por alguma instância e qual o prazo para a análise do material apreendido.
Todos os lados relatam os mesmos fatos: a busca foi pedida pela Polícia Federal, teve parecer favorável da PGR e foi autorizada por Moraes; o alvo é apontado como fonte das publicações sobre o carro oficial; as entidades de imprensa criticaram a medida por atingir o sigilo da fonte; e a assessoria do ministro nega qualquer uso irregular de veículos do tribunal.
7 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial esquerda.
Texto de agência reproduzido integralmente, com paridade entre a versão da PF, a nota do blogueiro, a manifestação das associações de imprensa e a crítica de um senador de oposição. O vocabulário é descritivo (suposto informante, segundo a decisão) e não há adjetivação valorativa do redator. O enquadramento editorial do veículo aparece apenas no entorno da página, não no corpo, por isso a classificação segue o conteúdo factual.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Estrutura estritamente factual, com blocos separados para a investigação, a autorização judicial, a crítica das entidades de imprensa e a reação política. Cada alegação aparece atribuída à fonte que a produziu, sem adjetivos de valor e sem hierarquizar as versões. É o exemplar mais próximo do padrão de agência dentro do conjunto.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
O enquadramento trata o alvo como fonte de jornalista e o autor do blog como jornalista desde o título, o que desloca o eixo da matéria da investigação criminal para a quebra do sigilo da fonte. Dá posição de destaque à fala da defesa (investigam o jornalista e não investigam a denúncia) e à crítica da ANJ sobre precedente perigoso, alinhando-se ao vocabulário de accountability institucional e de limite ao poder do Judiciário típico do campo à direita.

(Folhapress) - O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou operação de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim,

O ministro aponta Raimundo Cutrim como fonte de informações publicadas pelo jornalista Luís Pablo Conceição Almeida


Investigação apura acesso a sistemas restritos no Maranhão para obter dados contra ministro do STF

PF investiga suposta perseguição e ameaça à segurança do ministro Flávio Dino, que tem relatoria de investigação sobre ex-secretário e determinou afastamento dele; defesa de Cutrim diz ver medida com preocupação e estranheza

Ação apura repasse de dados sobre uso de carros do TJ-MA por familiares do ministro Flávio Dino. Leia no Poder360.

Ação foi pedida pela Polícia Federal e teve a concordância da Procuradoria-Geral da República
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Texto de origem, com apuração própria junto às defesas e à assessoria do ministro. Usa suposto informante e suposto uso de carros, marcando distância das duas versões, e reserva bloco específico para a reação das entidades de jornalismo. Não há vocabulário valorativo nem hierarquização ideológica das falas.
Perspectivas omitidas
Formato documental, com as duas notas oficiais reproduzidas integralmente e uma seção de cronologia que separa o caso atual da investigação anterior sobre coação. Registra sem adjetivos que o alvo é adversário político do ministro no estado, informação de contexto relevante que os demais textos tratam de forma difusa. Não adota vocabulário valorativo em nenhuma direção.
Perspectivas omitidas
Perspectivas omitidas
O título e o lead consolidam a figura do alvo como fonte de jornalista, e a matéria detalha longamente o objeto original da denúncia, o carro oficial do tribunal e sua destinação institucional, mantendo viva a suspeita não apurada. A fala da defesa sobre investigar o jornalista e não a denúncia recebe citação integral, enquanto o respaldo do Ministério Público à operação é omitido. O eixo é o limite do poder judicial sobre a imprensa, enquadramento característico do campo à direita.
Perspectivas omitidas
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
Relato curto e direto, com trecho literal da decisão sobre a transferência bancária e a nota da defesa. Mantém a atribuição de cada alegação e não adjetiva. A ausência do bloco de liberdade de imprensa reduz o escopo do texto, mas não desloca o enquadramento para nenhum dos lados.
Perspectivas omitidas



