No domingo, 25 de outubro, dia do segundo turno da eleição presidencial entre Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, dois aliados do senador usaram a ida às urnas para prever a vitória dele. Até o momento, apenas um veículo cobriu as duas declarações, relatando os votos do deputado federal Nikolas Ferreira, em Belo Horizonte, e do senador Sergio Moro, em Curitiba.
Nikolas Ferreira, deputado federal pelo Partido Liberal de Minas Gerais, votou na capital mineira. Segundo o relato, ele afirmou que não considera a possibilidade de derrota de Flávio Bolsonaro. O parlamentar projetou uma vitória do candidato por 54% a 46% dos votos. No trecho divulgado, ele não apresentou detalhes sobre como chegou a essa estimativa.
Sergio Moro, senador e governador eleito do Paraná, votou em Curitiba vestindo uma camiseta com a frase “Curitiba prendeu. Brasília soltou”. A mensagem faz referência à Operação Lava Jato, da qual Moro foi juiz. Depois de votar, ele disse que uma eventual vitória de Flávio sobre Lula representaria, em sua avaliação, um “resgate moral” da operação. Moro também criticou as decisões judiciais que anularam as condenações do presidente. “O que os tribunais, infelizmente, em Brasília, falharam em fazer, nós vamos fazer nas urnas”, declarou a jornalistas.
Aliado de Flávio, Moro participou de atos de campanha no Sul do país e acompanhou o candidato em debates presidenciais. Ao comentar a disputa, ele afirmou apostar em uma vitória do candidato do Partido Liberal por uma diferença superior a três pontos percentuais. As duas projeções, portanto, não coincidem: a de Nikolas indica oito pontos de vantagem, e a de Moro fala apenas em margem acima de três.
A cobertura disponível registra as falas de forma descritiva, com atribuição aos autores. No caso do deputado, o texto ressalva a ausência de base para o número. No caso do senador, a matéria reproduz a crítica aos tribunais sem trazer a posição da campanha de Lula, de juristas ou do próprio Judiciário sobre as anulações.
O que ainda não se sabe, a partir desse material, é o resultado da votação, que não consta das reportagens. Também não há informação sobre a origem da estimativa de 54% a 46% nem sobre qualquer resposta da campanha de Lula às declarações dos dois aliados de Flávio Bolsonaro.