A greve dos rodoviários do município do Rio de Janeiro chegou ao segundo dia nesta terça-feira (30) sem acordo entre trabalhadores e empresas. A paralisação começou à meia-noite de segunda-feira (29), após o fracasso das negociações da campanha salarial da categoria. Diante do impasse, o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, o TRT-1, convocou uma nova audiência de conciliação para as 11h desta quarta-feira (1º), depois de o sindicato patronal não apresentar uma nova proposta na sessão anterior.
A cobertura de centro relatou que, na tarde de terça, o Sindicato dos Rodoviários aprovou em votação a manutenção da paralisação até a próxima segunda-feira (6). Segundo o TRT-1, a nova audiência atende a um pedido do Sintrucad-Rio, que informou a não concordância da categoria com a suspensão da greve sem uma proposta que atendesse aos trabalhadores. O presidente do sindicato, Sebastião José, afirmou ver a nova audiência com esperança para pôr fim à paralisação e permitir que a população retome a normalidade. Após a audiência, ele pretende convocar assembleia geral da categoria para apresentar a proposta patronal e decidir entre aceitá-la ou manter a greve.
Há pontos em que todas as coberturas convergem. A Justiça do Trabalho julgou a greve legal, mas determinou a operação mínima de 50% da frota, sob pena de multa de R$ 50 mil aos sindicatos. As reivindicações centrais da categoria também são reportadas de forma consistente: piso salarial de R$ 4 mil para motoristas e de R$ 5 mil para condutores de ônibus articulados, reajuste de 17% para todos os trabalhadores, vale-alimentação de R$ 1 mil, plano de saúde e odontológico, e o fim dos contratos temporários na Mobi-Rio, com transição para o regime CLT.
As ênfases da cobertura, porém, divergem. Veículos de esquerda destacaram o impacto social da falta de ônibus sobre a população trabalhadora, descrevendo filas de mais de uma hora nos terminais, usuários obrigados a recorrer a trens e metrô, e o encarecimento do transporte por aplicativo com tarifa dinâmica. Nesse enquadramento, a greve aparece como resposta legítima à precarização das condições de trabalho da categoria. Já veículos de direita e a leitura mais crítica enfatizaram o transtorno imposto à cidade e os episódios de depredação: segundo o Rio Ônibus, sindicato patronal, ao menos 40 ônibus foram depredados durante a madrugada ao deixar as garagens. O diretor de comunicação do sindicato patronal, Paulo Valente, informou que 870 ônibus deixaram as garagens ao longo da manhã, ante os 1.800 exigidos pela Justiça, ou seja, metade da frota.
O poder público municipal também entrou em cena. Segundo o prefeito Eduardo Cavaliere, os trens urbanos, as barcas e a concessionária Metrô Rio operaram com esquema especial para atender parte dos usuários dos ônibus.
O que ainda não se sabe é o desfecho da audiência de quarta-feira: não há detalhamento público sobre qual proposta salarial o patronal levará à mesa, qual o percentual exato de reajuste em disputa, nem se a assembleia da categoria aceitará a oferta ou manterá a paralisação até segunda-feira. O resultado da conciliação no TRT-1 definirá se o transporte do Rio volta à normalidade nos próximos dias.