O deputado Silvio Costa Filho, do Republicanos de Pernambuco, assumiu a liderança da maioria na Câmara dos Deputados e apresentou nesta semana o que chama de suas prioridades à frente do posto. Ex-ministro de Portos e Aeroportos, ele deixa a pasta para se dedicar a uma função que descreve como essencialmente política: articular, no Congresso, as votações consideradas estratégicas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o deputado, o próprio presidente lhe pediu empenho na construção de entendimentos sobre a execução orçamentária e a votação de projetos prioritários. "Preciso que você possa ajudar a ampliar cada vez mais o diálogo do nosso governo com o Congresso Nacional", relatou Costa Filho, reproduzindo a orientação que diz ter recebido de Lula. Ele afirma ter o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, e dos líderes partidários que compõem a maioria da Casa.
A cobertura de centro, como a da CNN Brasil, relatou de forma factual a lista de pautas que o parlamentar pretende priorizar: o debate sobre combustíveis, com foco na redução de custos e no fortalecimento do etanol, para diminuir distorções entre gasolina e álcool; propostas voltadas ao agronegócio e a produtores rurais afetados por eventos climáticos extremos; e a criação de um fundo nacional de combate ao feminicídio, que, segundo ele, poderia mobilizar mais de 10 bilhões de reais em cinco anos. Costa Filho também defende reformas estruturais, entre elas uma reforma administrativa, e o avanço de concessões e parcerias público-privadas em portos, aeroportos, rodovias, saneamento e energia.
Veículos de esquerda tendem a destacar o eixo de proteção social dessa agenda: o fundo bilionário contra o feminicídio como política de enfrentamento à violência contra a mulher, a redução de custos dos combustíveis em favor de consumidores e produtores, e a continuidade de programas sociais e de infraestrutura como razão para defender o atual governo. Nesse enquadramento, a busca por estabilidade política e por diálogo entre esquerda, centro e direita aparece como sustentação do projeto de Lula.
Já veículos de direita, como a Veja, enfatizam o caráter de articulação a serviço do Planalto e as pautas de mercado dentro da lista: a reforma administrativa e a agenda de concessões e parcerias público-privadas em infraestrutura. Essa cobertura também sublinha as ressalvas do próprio deputado sobre o cenário eleitoral. Costa Filho afirma que seu desejo pessoal é a reeleição de Lula, a quem se declara grato e leal desde os tempos de movimento estudantil, mas faz questão de marcar que fala "do ponto de vista do meu CPF", e não como líder da maioria nem em nome do partido.
Esse é o ponto em que as coberturas convergem: o Republicanos está dividido para 2026. Há dirigentes que defendem o apoio a Flávio Bolsonaro e outros que preferem a neutralidade, o que deixaria cada estado livre para apoiar o candidato que considerar mais adequado. O presidente da sigla, Marcos Pereira, deve iniciar a partir de julho um processo de escuta das bancadas estaduais antes de fechar posição. Em entrevista, Costa Filho foi enfático contra uma eventual candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, afirmando que ele "não está pronto, preparado para ser presidente do Brasil".
O que ainda não se sabe é como o Republicanos vai efetivamente se posicionar na disputa presidencial, já que a decisão depende da consulta aos estados e da negociação interna conduzida por Marcos Pereira. Também não há, nas reportagens, avaliação independente sobre a viabilidade das pautas anunciadas, como o financiamento do fundo de combate ao feminicídio ou o calendário das reformas, em um ano marcado pela redução do calendário legislativo e pela antecipação das disputas eleitorais.