
Nepal e Tibete chegam a 750 mortos e 3.044 desaparecidos após colapso de geleira
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O desprendimento de parte de uma geleira no Himalaia, em 26 de agosto, provocou uma enxurrada de gelo, rocha e lama que atingiu vales na fronteira entre o Nepal e a região chinesa do Tibete. Os balanços oficiais dos dois países somavam 750 mortos e 3.044 desaparecidos, com 734 mortes e 2.498 sumiços do lado nepalês. A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho estima cerca de 93 mil pessoas afetadas. O governo do Nepal dispensou equipes internacionais de busca e salvamento, mas pediu apoio técnico para resgates em túneis, identificação de corpos e reconstrução de pontes.
Esquerda
A tragédia no Himalaia expõe a desproporção entre o tamanho do desastre e os recursos de um país pobre para respondê-lo. A Sociedade da Cruz Vermelha do Nepal descreve situação crítica, com necessidade imediata de água potável, abrigo, saneamento e atendimento de saúde para comunidades isoladas pela destruição de pontes e estradas.
Centro
O desprendimento de parte de uma geleira no Himalaia, em 26 de agosto, provocou uma enxurrada de gelo, rocha e lama que atingiu vales na fronteira entre o Nepal e a região chinesa do Tibete. 498 sumiços do lado nepalês.
Direita
Diante da maior tragédia natural desde 2015, o governo do Nepal decidiu conduzir sozinho as operações de busca e salvamento e recusou o envio de equipes de Índia, China, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Sri Lanka e Bangladesh, admitindo apenas apoio técnico pontual para túneis, identificação de corpos e pontes.
14 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Organiza a matéria em torno das necessidades humanitárias levantadas pela Sociedade da Cruz Vermelha do Nepal, detalha a mobilização estatal de militares e policiais e fecha ligando a tragédia ao derretimento das geleiras num cenário de aquecimento global. É enquadramento de responsabilidade coletiva e resposta pública, não de crítica ao Estado nepalês.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Veículos com viés à direita
O texto é curto e correto nos números, mas escolhe como eixos a recusa do governo nepalês a ofertas de ajuda estrangeira e a presença de americanos e australianos entre os desaparecidos, descartando o enquadramento climático e humanitário que domina o restante da cobertura. A seleção sinaliza inclinação à direita, ainda que sem vocabulário ideológico explícito.
Perspectivas omitidas
Quatro dias depois de uma geleira ceder no Himalaia, os balanços oficiais do Nepal e da China somam 750 mortos e 3.044 desaparecidos, com cerca de 93 mil pessoas afetadas. O governo nepalês dispensou equipes internacionais de busca, pediu apoio técnico a China e Índia e estima que a reconstrução custará de 4 a 5 bilhões de dólares.
O colapso de parte de uma geleira no Himalaia, na quarta-feira 26 de agosto, liberou uma massa de gelo, rocha, lama e água que desceu pelos vales do rio Bhote Koshi e varreu vilarejos inteiros na fronteira entre o Nepal e a região chinesa do Tibete. Quatro dias depois, os balanços oficiais dos dois países somavam 750 mortos e 3.044 desaparecidos: 734 mortes e 2.498 sumiços do lado nepalês e 16 mortes e 546 sumiços do lado tibetano. A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho calcula que cerca de 93 mil pessoas foram atingidas. É o desastre mais letal registrado no Nepal desde o terremoto de 2015.
A destruição se concentrou no distrito de Rasuwa e nas planícies rio abaixo, onde cerca de duas dezenas de pontes ruíram e estradas, escolas, hospitais e usinas hidrelétricas foram severamente danificados. O Exército nepalês procurava cerca de cem trabalhadores presos no túnel de uma hidrelétrica em construção. O ministro Shisir Khanal afirmou que os hospitais estão sobrecarregados e sem refrigeração suficiente para armazenar corpos, e autoridades converteram o salão de um prédio público em necrotério improvisado com capacidade para cerca de 150 cadáveres. O governo estima que a reconstrução exigirá de 4 a 5 bilhões de dólares.
Toda a cobertura converge em três pontos. O primeiro é a origem provável do desastre, o desprendimento de uma geleira, fenômeno tão intenso que foi registrado como tremor de magnitude 5,2. O segundo é a subida contínua do número de mortos à medida que equipes alcançam áreas isoladas. O terceiro é a presença de centenas de estrangeiros entre os desaparecidos, entre turistas, peregrinos e trabalhadores. Há também acordo sobre a decisão do governo nepalês de dispensar equipes internacionais de busca e salvamento, acompanhada do pedido de apoio técnico especializado para resgates em túneis, identificação de corpos, testes de DNA e reconstrução de pontes.
As ênfases se separam a partir daí. Veículos de esquerda destacaram o balanço humanitário levantado pela Sociedade da Cruz Vermelha do Nepal, com a mobilização de mais de 6,7 mil militares, 4,4 mil policiais e 4,2 mil agentes da força policial armada, a lista de itens emergenciais enviados às comunidades e o alerta de que o episódio reacende a discussão sobre o derretimento das geleiras e a instabilidade das montanhas do Himalaia num cenário de aquecimento global. A cobertura de centro relatou sobretudo a logística do socorro e os números oficiais em atualização, com relatos de campo sobre a dificuldade de identificar corpos arrastados por um fluxo de densidade maior que a do concreto, além da promessa de 2 milhões de euros em ajuda emergencial anunciada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do apoio oferecido pelo presidente chinês, Xi Jinping. Veículos de direita enfatizaram a decisão soberana do governo nepalês de recusar ofertas estrangeiras de busca e salvamento e a presença de dezenas de americanos e australianos entre os desaparecidos, sem tratar do contexto climático nem das promessas de financiamento.
O que ainda não se sabe é quanto o número final de mortos vai crescer. Autoridades admitem que há corpos sob a lama e comunidades ainda inacessíveis, e engenheiros que trabalham na região dizem ser muito difícil chegar a um total exato. Também segue em aberto o destino dos trabalhadores presos no túnel da hidrelétrica, o desfecho do monitoramento de dois lagos represados por deslizamentos que ameaçam romper dos dois lados da fronteira e o tamanho real do financiamento internacional para a reconstrução, até aqui anunciado apenas em parcelas iniciais muito distantes da estimativa do próprio governo nepalês.
Todos os lados atribuem o desastre ao colapso de uma geleira no Himalaia em 26 de agosto, registram a subida contínua do número de mortos e desaparecidos, descrevem a destruição de pontes, estradas e usinas hidrelétricas e informam que centenas de estrangeiros estão entre os desaparecidos. Há acordo também sobre a decisão do governo do Nepal de conduzir sozinho as operações gerais de busca e salvamento.

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