Kassio Nunes Marques cobra de Fachin limite a decisões do STF sobre eleições
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
5 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
- CartaCapitalNunes Marques reclama a Fachin de ‘indevida sobreposição de competência’ após decisão de DinoO presidente do TSE pediu ao presidente do STF que promova um filtro na distribuição de petições com pedidos de medidas urgentes relacionadas às eleições(abre em nova aba)
Nesta matéria: falácia identificada.
- Agência BrasilNunes Marques reclama de interferência do STF em decisões do TSEO presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, manifestou ao Supremo Tribunal Federal preocupação com interferências nas decisões da Justiça Eleitoral. Em ofício enviado nesta segunda-feira (28) ao presidente da Corte, Edson Fachin, ele classificou a situação como "indevida sobreposição de competência". O ofício foi enviado depois de uma decisão do ministro do STF Flávio Dino. Nunes Marques afirmou que episódios repetidos de violação ao princípio do juiz natural afetam diretamente a condução da eleição.(abre em nova aba)
Nesta matéria: viés de centro.
Veículos com viés ao centro
- Valor EconômicoNunes Marques reclama a Fachin de interferência do STF no TSEEm ofício, presidente da Corte Eleitoral aponta o risco de se esvaziar a competência do tribunal(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
- G1Kassio Nunes Marques reclama de 'indevida sobreposição de competência' do STF sobre o TSEDeclaração do presidente do TSE vem na esteira de decisão de Flávio Dino, que mandou restabelecer post de Antonio Tabet sobre a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Briefing
O que importa para você
- Está em jogo quem manda remover ou restabelecer publicação política nas redes até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
- A decisão de André Mendonça fixava multa diária de 30 mil reais para descumprimento, e a ordem de Flávio Dino alcança outras publicações sobre o mesmo tema, não só a postagem original.
- O plenário do Supremo pode referendar ou derrubar a liberação, e o resultado define a regra prática de remoção de conteúdo no restante da campanha.
Onde os lados divergem
- Veículos de esquerda dizem que a decisão derrubada mandava excluir até 1.170 links e proibia publicações futuras, ou seja, remoção em escala de conteúdo crítico a um candidato.
- Veículos de direita dizem que a decisão do Supremo recolocou em circulação conteúdo falso contra Flávio Bolsonaro a poucos dias da votação.
- Veículos de esquerda lembram que o próprio Nunes Marques alterou por portaria a distribuição de processos de propaganda em maio; veículos de direita tratam o ofício como reação tardia a uma invasão do Supremo.
Onde os lados concordam
Os três enquadramentos reconhecem que há um conflito real de competência entre o Supremo Tribunal Federal e a Justiça Eleitoral sobre quem decide a respeito de conteúdo nas redes sociais durante a campanha, que o ofício de Kassio Nunes Marques pede regras para impedir o direcionamento de casos novos a gabinetes específicos, e que Flávio Dino deixou de decidir sozinho ao enviar o caso para referendo do plenário.
O que ainda está incerto
- A data da sessão presencial do plenário do Supremo não estava definida, apesar da expectativa de pauta para a quarta-feira seguinte.
- Não há resposta pública de Edson Fachin ao ofício nem manifestação de André Mendonça, ausente da sessão da Corte Eleitoral.
- Não se sabe se o pedido de filtro na distribuição de petições urgentes será adotado como rotina interna do Supremo.
Em plena reta final da campanha, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral levou ao presidente do Supremo Tribunal Federal uma queixa formal sobre decisões monocráticas que, segundo ele, esvaziam a competência da Justiça Eleitoral. O estopim foi a liberação de publicações sobre Nossa Senhora Aparecida no contexto eleitoral.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, enviou nesta segunda-feira, 28 de setembro, um ofício ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, no qual manifesta preocupação com episódios reiterados de indevida sobreposição de competência e de violação ao princípio do juiz natural. Segundo o documento, essas decisões vêm impactando diretamente a condução da eleição pela Corte Eleitoral. O texto fala em risco de captura institucional, definido como a subordinação funcional do tribunal a juízos individuais externos à estrutura da Justiça Eleitoral, e chega a mencionar erosão democrática. Antes de tornar a manifestação pública, Nunes Marques se reuniu reservadamente com Fachin na sede do Supremo.
O estopim foi um encadeamento de decisões ocorrido no fim de semana. Na sexta-feira, 25, o ministro André Mendonça, vice-presidente da Corte Eleitoral, atendeu a pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, e determinou a remoção de publicação do humorista Antonio Tabet e de conteúdos semelhantes, sob multa diária de 30 mil reais. As publicações associavam o candidato a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. No domingo, 27, o ministro Flávio Dino, do Supremo, restabeleceu o conteúdo, sob o argumento de proteger a liberdade de expressão e a liberdade religiosa, e estendeu o efeito a outras publicações sobre o mesmo tema. Na segunda-feira, a defesa do candidato recorreu ao ministro Luiz Fux contra a decisão de Dino, que por sua vez encaminhou o caso para referendo do plenário.
A cobertura de centro relatou o conteúdo do ofício com citações literais e reconstituiu o caminho processual das duas partes, incluindo a crítica do presidente da Corte Eleitoral ao que chama de litigância estratégica, isto é, pedidos formulados a partir de referências genéricas a teses já firmadas para alcançar relatorias específicas e escapar do sorteio. Essa mesma cobertura registrou a nota da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que repudiou a produção e o uso de notícias falsas e afirmou não integrar estrutura político-partidária, e informou que Fachin sinalizou a possibilidade de levar o tema ao plenário nesta semana.
As divergências aparecem no enquadramento. Veículos de esquerda destacaram que a ordem derrubada por Dino alcançava a exclusão de até 1.170 links e proibia publicações futuras sobre o assunto, o que descrevem como remoção em escala de conteúdo crítico a um candidato em plena campanha, e lembraram que o próprio Nunes Marques editou em maio uma portaria que alterou a distribuição de processos de propaganda eleitoral dentro da Corte Eleitoral, retirando um caso sensível da relatoria sorteada antes de ele conceder liminar suspendendo a divulgação de uma pesquisa. Veículos de direita enfatizaram o outro lado da mesma moeda: para eles, a decisão do Supremo recolocou em circulação conteúdo falso contra o candidato do PL a poucos dias da votação, e o uso da palavra indevida pelo presidente da Corte Eleitoral torna pública uma insatisfação que já existia contra decisões monocráticas tomadas fora da Justiça Eleitoral.
Há pontos em que os três enquadramentos convergem. Todos reconhecem que existe um conflito real de competência entre o Supremo e a Justiça Eleitoral sobre quem decide a respeito de conteúdo nas redes sociais durante a campanha, que o ofício pede regras de distribuição capazes de impedir o direcionamento de casos novos a gabinetes específicos, e que a decisão de Dino deixou de ser individual ao ser enviada ao plenário.
O que ainda não se sabe é como o colegiado do Supremo vai se posicionar: a data da sessão presencial não estava definida, embora houvesse expectativa de pauta para a quarta-feira seguinte. Também não há resposta pública de Fachin ao ofício, nem manifestação de André Mendonça, que não participou da sessão da Corte Eleitoral daquela segunda-feira. Permanece em aberto se o pedido de filtro na distribuição de petições urgentes será acolhido como mudança de rotina interna do Supremo e qual será o efeito prático da decisão sobre as publicações ainda não identificadas no processo.
Fontes

O presidente do TSE pediu ao presidente do STF que promova um filtro na distribuição de petições com pedidos de medidas urgentes relacionadas às eleições

Presidente da Corte Eleitoral também defendeu regras para impedir que pedidos em processos antigos direcionem novos casos a gabinetes específicos

Em ofício, presidente da Corte Eleitoral aponta o risco de se esvaziar a competência do tribunal
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, manifestou ao Supremo Tribunal Federal preocupação com interferências nas decisões da Justiça Eleitoral. Em ofício enviado nesta segunda-feira (28) ao presidente da Corte, Edson Fachin, ele classificou a situação como "indevida sobreposição de competência". O ofício foi enviado depois de uma decisão do ministro do STF Flávio Dino. Nunes Marques afirmou que episódios repetidos de violação ao princípio do juiz natural afetam diretamente a condução da eleição.
Declaração do presidente do TSE vem na esteira de decisão de Flávio Dino, que mandou restabelecer post de Antonio Tabet sobre a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.