
Nunes perde recurso, e Justiça mantém suspensa “Times Square” paulistana
Resumo da cobertura
A Justiça de São Paulo negou, em 12 de junho de 2026, o recurso da Prefeitura e manteve suspenso o projeto Boulevard São João, apelidado de 'Times Square' paulistana, que previa a instalação de painéis de LED no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João, no centro. O relator, desembargador Fausto Seabra, apontou potenciais alterações na paisagem urbana e impactos sobre bens históricos, recomendando cautela até análise mais profunda. A gestão de Ricardo Nunes (MDB) defendeu a legalidade do projeto, alegando aprovação por órgãos técnicos e caráter temporário.
A Justiça de São Paulo negou, na sexta-feira, 12 de junho de 2026, o recurso da Prefeitura e manteve suspenso o projeto Boulevard São João, no centro da capital, conhecido como a 'Times Square' paulistana. A iniciativa, batizada pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), prevê a instalação de painéis de LED em edifícios próximos ao cruzamento das avenidas Ipiranga e São João, perto do Bar Brahma. O projeto está paralisado desde 27 de maio, quando uma decisão liminar barrou obras, instalações e intervenções ligadas ao empreendimento.
O relator do agravo na 7ª Câmara de Direito Público, desembargador Fausto Seabra, entendeu que não há risco de dano irreparável em manter a suspensão até a análise mais aprofundada do caso. Na decisão, afirmou que a implantação imediata do projeto poderia provocar alterações relevantes na paisagem urbana da região central e impactos sobre bens de interesse histórico, cultural e paisagístico, recomendando uma postura cautelosa. O magistrado ainda determinou que a Prefeitura e os responsáveis apresentem o termo de cooperação, atas de reuniões técnicas, pareceres urbanísticos e registros da consulta pública.
Veículos de centro relataram com equilíbrio os dois lados da disputa. De um lado, a decisão judicial e seus fundamentos; de outro, os argumentos da Prefeitura, que sustentou que o projeto passou por análise técnica de órgãos como o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental (CONPRESP) e a Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU). A gestão alega que o empreendimento cumpre a Lei Cidade Limpa, tem caráter temporário, com duração prevista de 36 meses, e que a liminar se baseou em fundamentos genéricos, ignorando as 29 condicionantes impostas para mitigar impactos visuais e viários. O projeto previa painéis luminosos em prédios históricos como o Cine Paris República, o Edifício Herculano de Almeida, a Galeria Sampa e o Edifício New York.
Veículos de direita tenderiam a enfatizar o argumento da Prefeitura de que a decisão trava investimento privado e a revitalização do centro. A gestão sustenta que o projeto prevê contrapartidas estimadas em R$ 7,9 milhões, incluindo restauro de patrimônio, e que a paralisação frustra investimentos e inviabiliza ações de recuperação. Nessa leitura, um projeto já aprovado pelos órgãos técnicos competentes deveria avançar, e o excesso de cautela judicial penaliza a iniciativa privada e a recuperação de uma área degradada.
Já veículos de esquerda destacaram a dimensão da proteção do espaço público e do patrimônio. A cobertura ressaltou que o caso é polêmico por abrir exceção à Lei Cidade Limpa, que há duas décadas restringe a publicidade comercial voltada a áreas públicas, em benefício de empresários ligados à Fábrica de Bares, grupo com estabelecimentos no centro. Esses veículos enfatizaram que o desembargador apontou 'dúvida razoável' sobre o enquadramento do projeto na lei e destacou que a CPPU deliberou 11 dias antes do fim da consulta pública, o que poderia comprometer a legitimidade do processo e o princípio da gestão democrática da cidade. A fala do prefeito chamando a suspensão inicial de 'canetada de uma pessoa só' foi citada como exemplo de resistência ao controle judicial.
Briefing
O que importa para você
- O projeto previa quatro painéis de LED de 10 a 25 metros no centro de São Paulo, funcionando das 5h às 23h.
- A Prefeitura alega R$ 7,9 milhões em contrapartidas, incluindo restauro de patrimônio, agora paralisadas.
- A duração prevista era de 36 meses, caráter temporário.
Onde os lados divergem
- Esquerda enfatiza que o projeto abre exceção à Lei Cidade Limpa em benefício de empresários privados e que a consulta pública foi atropelada pela CPPU.
- Centro relata com paridade os argumentos da Prefeitura sobre aprovação técnica e caráter temporário do projeto, sem juízo valorativo.
Onde os lados concordam
Esquerda e centro concordam que a Justiça manteve a suspensão do projeto, que o desembargador Fausto Seabra citou risco à paisagem urbana e ao patrimônio histórico, e que o caso ainda cabe contestação. Há consenso de que o projeto fica paralisado até nova análise judicial.
O que ainda está incerto
- Não se sabe o desfecho do mérito da ação, já que a decisão é provisória e cabe contestação.
- Não está claro se a Prefeitura demonstrará a legalidade do termo de cooperação e a adequação das 29 condicionantes exigidas.
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
- Diário do Centro do MundoNunes perde recurso, e Justiça mantém suspensa “Times Square” paulistanaDesembargador viu risco à paisagem urbana e a bens históricos do centro de São Paulo com a “Times Square” paulistana.
Ver análise editorial
O texto enquadra o caso pelo prisma da proteção do patrimônio histórico e da gestão democrática da cidade, ecoando a fala do desembargador sobre 'gestão democrática' e destacando que a CPPU deliberou 11 dias antes do fim da consulta pública. Cita a frase de Nunes ('canetada de uma pessoa só') de forma a expor o prefeito e enfatiza a publicidade comercial contra a Lei Cidade Limpa, sinal de enquadramento à esquerda que valoriza a regulação do espaço público sobre o interesse privado da Fábrica de Bares.
- Qualidade argumentativa
- 62/100
Linha do Tempo
- 12 de jun. de 2026, 00:00A 7ª Câmara de Direito Público nega o recurso da Prefeitura e mantém suspenso o projeto da Times Square paulistana.
- 09 de jun. de 2026, 00:00Prefeitura de São Paulo apresenta recurso para retomar a implantação do Boulevard São João.
- 27 de mai. de 2026, 00:00Decisão liminar da Justiça barra obras, instalações e intervenções ligadas ao projeto Times Square paulistana.
- 01 de mar. de 2026, 00:00Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU) aprova, em votação apertada, o termo de cooperação do projeto Boulevard São João.
Fontes

Desembargador viu risco à paisagem urbana e a bens históricos do centro de São Paulo com a “Times Square” paulistana.

Prefeitura recorreu de decisão liminar que proibia início das obras do Boulevard São João, no centro de São Paulo, nesta semana
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