O cenário eleitoral de 2026 na Bahia permaneceu praticamente estável mesmo após a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal com autorização do Supremo Tribunal Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA). É o que aponta o novo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BA-04848/2026. A pesquisa ouviu 1.500 eleitores em 64 municípios entre os dias 27 e 30 de junho, com margem de erro de 2,6 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Na disputa pelo Senado, em que cada eleitor podia citar até dois nomes, Rui Costa lidera com 50,6% e Jaques Wagner aparece em segundo, com 36,7%, ainda dentro da faixa das duas vagas em jogo. Em seguida vêm João Roma, com 23,2%, e Angelo Coronel, com 22,4%. Na corrida pelo governo estadual, ACM Neto tem 49,2% contra 37,5% do atual governador Jerônimo Rodrigues, uma distância de 11,7 pontos. Apesar da desvantagem eleitoral, Jerônimo mantém 52% de aprovação da sua gestão, contra 45,1% de desaprovação.
A cobertura de centro, feita pela Folhapress, contextualizou o pano de fundo da crise: Wagner foi afastado da liderança do governo no Senado após ser alvo da operação, que investiga suspeitas de pagamentos ligados ao Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. O senador nega irregularidades, classificou as suspeitas como mentira e pediu ao STF a anulação da ação, acusando a Polícia Federal de erros graves. No mesmo período, o presidente Lula desembarcou na Bahia para uma agenda de inaugurações, no primeiro ato público ao lado do aliado de mais de quatro décadas desde o início da crise.
Veículos de esquerda destacaram que, mesmo sob a ofensiva da PF, o eleitorado baiano não abandonou o campo governista: Wagner segue à frente dos nomes da direita, e a estabilidade do quadro é lida como sinal de que os baianos não aderiram à narrativa de criminalização do aliado de Lula. Nessa leitura, a manutenção da aprovação de Jerônimo e a agenda de obras do presidente reforçam a sustentação do palanque petista no estado.
Já veículos de direita enfatizaram o recuo de Wagner, que caiu de 40,6% em maio para 36,7%, e a vantagem de ACM Neto sobre o governador como sinais de desgaste da gestão petista. Essa cobertura também ressaltou o custo político do caso: o afastamento de Wagner da liderança do Senado e a permanência, no governo estadual, de Eduardo Sodré, enteado do senador e igualmente alvo da PF, ligado a um pagamento suspeito de R$ 3,5 milhões.
A cobertura de centro relatou os dois lados com paridade, atribuindo ao governador Jerônimo Rodrigues a defesa pública tanto de Wagner quanto do enteado, e registrando o desconforto de parte dos aliados que temem que o caso respingue no governo. As agendas de Lula no estado tiveram caráter institucional, com a inauguração de um hospital em Alagoinhas, o início da montagem da megaponte entre Salvador e Itaparica e a reabertura do Teatro Castro Alves, reformado com investimento de R$ 260 milhões.
O que ainda não se sabe é o desfecho da Operação Compliance Zero: as fontes não detalham as provas reunidas pela Polícia Federal, o cronograma da investigação no STF nem se as suspeitas se converterão em acusação formal. Também permanece em aberto se o desgaste medido pela pesquisa se aprofundará ou se estabilizará à medida que a apuração avança e a campanha de 2026 se intensifica.