Os Estados Unidos confirmaram tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com entrada em vigor marcada para 22 de julho. A medida foi ratificada em 15 de julho pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA, o USTR, depois de ter sido proposta em 1º de junho e de uma audiência pública em Washington, no início de julho, em que representantes da indústria brasileira tentaram, sem sucesso, reverter a decisão. O tema domina a cobertura econômica do país às vésperas do prazo.
A cobertura de centro relatou os números de forma direta. Segundo o levantamento do Global Trade Alert, a tarifa efetiva média sobre os produtos brasileiros deve subir para cerca de 18,2%, deixando o Brasil atrás apenas da China. A Amcham Brasil estima que mais de US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio podem ser afetados, o equivalente a cerca de 26% de tudo o que o Brasil vende aos Estados Unidos. Um relatório do Goldman Sachs, por sua vez, projeta impacto menor, de aproximadamente 0,03% no PIB. Entidades como a CNI e a Abit manifestaram preocupação com competitividade, produção e emprego, lembrando que a maioria dos estados brasileiros já registrava queda nas exportações para os EUA.
Veículos de esquerda destacaram o que chamam de 'lado B' das tarifas. Apoiando-se em reportagens investigativas norte-americanas, como as da ProPublica e do canal More Perfect Union, essa cobertura descreve um suposto esquema em que fundos ligados aos filhos do presidente Donald Trump teriam captado bilhões de dólares em contratos e empréstimos federais, inclusive em setores de terras raras e minerais estratégicos. Nessa leitura, as tarifas funcionariam como instrumento de chantagem geopolítica para forçar países a abrir seus recursos, com o Brasil entre os alvos por suas reservas. O enquadramento é fortemente valorativo, fala em 'cleptocracia' e aponta o assessor Peter Navarro como articulador central.
A leitura de veículos de direita não apareceu de forma direta neste conjunto de reportagens, mas, pela ótica liberal-conservadora, a ênfase tenderia a recair sobre a fragilidade da resposta brasileira e a necessidade de uma diplomacia comercial mais pragmática. Esse ângulo costuma cobrar redução de barreiras internas, preservação da competitividade do agronegócio exportador e negociação em vez de retaliação, lembrando que os EUA mantêm superávit comercial com o Brasil.
Há pontos em que as coberturas convergem: a existência das tarifas de 25%, o calendário de entrada em vigor e o peso das exportações em risco. A divergência está na explicação. Enquanto o centro trata o tema como disputa comercial com métricas econômicas, a esquerda o inscreve num quadro de corrupção e uso do poder público para ganho privado. Como pano de fundo, a escalada militar entre Estados Unidos e Irã interrompeu parte do tráfego no Estreito de Hormuz e elevou os preços do petróleo, somando incerteza ao cenário externo.
Ainda não se sabe qual será a resposta oficial do governo brasileiro, se haverá medidas de retaliação ou negociação, nem o que ocorrerá após 25 de julho, quando expira a combinação temporária de tarifas que ampliava a sobretaxa. As alegações de esquema envolvendo a família Trump, embora baseadas em reportagens de terceiros, seguem sem contraditório das partes citadas e sem desfecho nas investigações.