O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, assinou em 30 de junho de 2026 uma liminar que suspende a inelegibilidade do deputado federal e ex-prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella, do Republicanos. Com a decisão, o parlamentar fica apto a disputar uma vaga ao Senado nas eleições de outubro. A condenação suspensa havia sido imposta pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio, no âmbito do escândalo conhecido como QG da Propina, e tornava Crivella inelegível até 2028.
Há consenso entre as diferentes coberturas sobre os fatos centrais. Todos os veículos registram que Mendonça, relator do processo, apoiou-se na proximidade das convenções partidárias e no risco de dano de difícil reparação à elegibilidade do pré-candidato. O ministro frisou que a medida é provisória, não antecipa o mérito e será submetida ao plenário do TSE. Há convergência também sobre o cenário eleitoral: pesquisa do Paraná Pesquisas divulgada em 4 de junho colocava Crivella em segundo lugar na disputa pelo Senado fluminense, com 26% das intenções de voto, atrás da deputada Benedita da Silva, do PT, que somava 34,2%.
As diferenças aparecem na ênfase de cada lado. Veículos de esquerda, como a CartaCapital, destacaram o histórico criminal de Crivella: a acusação de chefiar uma organização que negociava contratos públicos da prefeitura em troca de propina, a prisão que ele cumpriu por uma noite no presídio de Benfica no fim do mandato e o papel de Rafael Alves, apontado pelo Ministério Público como operador do esquema. Nesse enquadramento, a liminar reabilita eleitoralmente um investigado e reacende o debate sobre impunidade.
A cobertura de centro relatou a decisão de forma factual, articulando a liminar, o caso de origem e os números da pesquisa sem carga valorativa. Já veículos de direita, como o InfoMoney e a Veja, enfatizaram os argumentos jurídicos que favorecem o parlamentar: o recurso da defesa aguardava julgamento no TSE havia dois anos, o processo criminal chegou a receber votos pela rejeição da denúncia, e a demora do tribunal ameaçava excluir um pré-candidato antes do exame de mérito. Esses veículos também exploraram o efeito da liminar sobre o tabuleiro eleitoral do Rio, que já reunia ao menos oito pré-candidatos às duas vagas ao Senado, incluindo nomes ligados a Eduardo Paes e à coligação de Douglas Ruas.
O que ainda não se sabe é como o plenário do TSE decidirá o mérito do recurso, se a inelegibilidade será restabelecida antes do registro das candidaturas e qual será o desempenho de Crivella na sondagem seguinte do Paraná Pesquisas, prevista para os dias posteriores à liminar. Também permanece em aberto o desfecho do processo criminal sobre o QG da Propina.