Instituição Fiscal Independente vê ajuste de 3 pontos do PIB no quarto governo Lula
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A cobertura de centro publicou uma seleção de cartas de leitores sobre o ajuste fiscal no quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, em resposta a uma reportagem sobre impasse no governo quanto ao tamanho do corte nas contas públicas. As cartas trazem posições opostas: há quem acuse a esquerda de negar a necessidade do ajuste e quem diga que a agenda de corte foi derrotada nas urnas. O texto não apresenta números sobre o tamanho do ajuste.
Veículos de direita relataram o diagnóstico da Instituição Fiscal Independente, órgão ligado ao Senado, de que o ajuste fiscal deve ser a prioridade do quarto governo Lula, com correção estimada em cerca de 3 pontos percentuais do PIB.
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A Instituição Fiscal Independente, ligada ao Senado, afirmou que o ajuste das contas públicas deve ser a prioridade do quarto governo Lula e estimou correção de cerca de 3 pontos percentuais do PIB. No governo, Dario Durigan anunciou medidas e José Guimarães negou discussão de novo pacote fiscal.
A Instituição Fiscal Independente, órgão ligado ao Senado Federal, afirmou no Relatório de Acompanhamento Fiscal de outubro que o ajuste das contas públicas deve ser a “tarefa número um” do quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Segundo a instituição, o país precisará de uma correção fiscal equivalente a cerca de 3 pontos percentuais do Produto Interno Bruto, o PIB, para estabilizar a relação entre a dívida pública e o PIB.
O relatório projeta déficit primário de 0,5% do PIB em 2026 e um déficit potencial de 1% do PIB em 2027, considerando os compromissos assumidos na campanha. A instituição estima que seria necessário um superávit primário de 2,1% do PIB para estabilizar a dívida. Só o reajuste do Bolsa Família, uma perda de arrecadação e o pacote para microempreendedores individuais representariam 40 bilhões de reais de desequilíbrio adicional não orçado.
Os diretores Marcus Pestana e Alexandre Andrade escreveram que o primeiro turno foi marcado por “silêncio profundo” sobre a questão fiscal e que, no segundo turno, Lula e o senador Flávio Bolsonaro, do PL, lançaram propostas que aumentam o gasto ou reduzem a receita. A instituição disse não esperar mudanças bruscas na política econômica e afirmou que anunciar um plano crível e o comando do Ministério da Fazenda poderia acalmar os investidores.
Veículos de direita relataram esse diagnóstico em detalhe e registraram uma contradição dentro do governo. Na terça-feira, 27 de outubro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo preparava novas medidas para perseguir o centro da meta fiscal e ampliar a capacidade de contingenciamento de despesas, com envio ao Congresso Nacional previsto para a mesma semana, após autorização de Lula. No mesmo dia, o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o envio de um novo pacote fiscal não estava em discussão.
A cobertura de centro tratou o tema por outro caminho: publicou uma seleção de cartas de leitores em resposta a uma reportagem sobre o impasse no governo quanto ao tamanho do ajuste. As opiniões são dos leitores e divergem entre si. Uma leitora atribuiu a pressão por corte de gastos ao rentismo da mídia. Um leitor acusou petistas e a esquerda de negacionismo com o ajuste fiscal e alertou para fuga de capital e inflação. Outro escreveu que o “tesouraço”, que ele equipara ao neoliberalismo, foi derrotado nas redes, nas ruas e nas urnas.
A diferença entre os textos está no tipo de material. A cobertura de direita trouxe números e declarações de autoridades; a de centro deu espaço à opinião de leitores, sem dados sobre o tamanho do ajuste. Nenhum veículo de esquerda cobriu o caso no conjunto analisado.
Até a noite de 30 de outubro, quando saiu a matéria mais recente analisada, não havia registro de que a proposta anunciada por Durigan tivesse sido enviada ao Congresso, e o formato final ainda dependia de análise jurídica e de decisão do presidente. O governo também não havia respondido publicamente ao cálculo da instituição sobre o tamanho da correção necessária.
Relatório projeta déficit potencial de 1% do PIB em 2027 e impacto adicional de 40 bi de reais com medidas anunciadas na campanha

Assinantes debatem medidas econômicas nas contas públicas para o quarto mandato de gestão petista
