O voto gay: gay de esquerda, gay de direita?
3 veículos de esquerda · 6 veículos de centro · 4 veículos de direita

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
13 fontes políticas
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13 fontes políticas
A pergunta sobre quem é de esquerda e quem é de direita organizou a cobertura da campanha presidencial na última semana de agosto de 2026. O escritor e psiquiatra Augusto Cury, candidato do Avante, recusa os dois rótulos, define-se como alguém de mente capitalista e coração social e transformou a crítica à polarização no eixo da campanha, enquanto cresceu nas pesquisas de intenção de voto. Analistas acadêmicos situam suas propostas econômicas perto da centro-direita e suas preocupações sociais perto da centro-esquerda. Ao mesmo tempo, um levantamento do PoderData em parceria com o Aya Bancah mediu como o próprio eleitorado se classifica no espectro, e episódios de rua em São Paulo e em Brasília mostraram o atrito entre militâncias.
Para o campo à esquerda, a recusa dos rótulos é uma estratégia de marketing que não anula o conteúdo do programa. O plano de governo do candidato do Avante é predominantemente liberal na economia, com redução do tamanho do Estado, déficit próximo de zero e estímulo à iniciativa privada, e o próprio candidato declara admiração por um ex-ministro da Economia do governo Bolsonaro e cogita entregar o comando do dia a dia do país a um governador aliado da direita.
Para o campo à direita, o dado central do momento é o tamanho do próprio eleitorado conservador. A pesquisa do PoderData mostra 45% de brasileiros que se dizem de direita ou centro-direita contra 29% de esquerda ou centro-esquerda, e a direita pura, com 36%, é mais que o dobro da esquerda pura, com 17%.
Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: falácia identificada.
Nesta matéria: viés de centro.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nesta matéria: falácia identificada.
Nesta matéria: viés de centro.
Todos os campos de cobertura registram os mesmos fatos: Augusto Cury recusa se classificar como de direita ou de esquerda, resume a posição na fórmula mente capitalista e coração social, e subiu para mais de 10% das intenções de voto em poucas semanas. Há concordância também de que a clivagem ideológica segue estruturando o eleitorado brasileiro, com 45% que se dizem de direita ou centro-direita e 29% de esquerda ou centro-esquerda.
A pergunta sobre se Augusto Cury é de direita ou de esquerda dominou a última semana de agosto de 2026, no momento em que o candidato do Avante ultrapassou 10% das intenções de voto. Ao lado dela, uma pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral mediu como os próprios eleitores se classificam no espectro político, e episódios de rua em São Paulo e em Brasília mostraram a polarização em confronto direto.
O escritor e psiquiatra Augusto Cury, candidato do Avante à Presidência da República, tornou-se o centro de uma pergunta que atravessou a cobertura política da última semana de agosto de 2026: ele é de direita ou de esquerda? A resposta que o próprio candidato repete é a recusa do rótulo. Cury se define como alguém de mente capitalista e coração social, defende Estado enxuto, meritocracia, empreendedorismo, liberdade de expressão e impostos mais baixos e, ao mesmo tempo, promete manter transferência de renda, políticas sociais e uma agenda internacional de combate à fome. No primeiro debate presidencial, em 23 de agosto, disse que o país não está dividido em dois barcos, um de direita e outro de esquerda, mas forma um barco só.
A pergunta ganhou peso porque a candidatura cresceu depressa. Levantamentos divulgados no fim do mês apontaram o candidato do Avante saindo de 2% para 11% das intenções de voto em uma semana no instituto Nexus, contratado pelo BTG Pactual, e de 3% para 7,8% no AtlasIntel. A cobertura de centro relatou, apoiada na análise de um professor de ciência política da Universidade Federal de Pernambuco, que Cury combina uma perspectiva econômica próxima da centro-direita com preocupações sociais associadas à centro-esquerda, e registrou que ele propõe transformar o Brasil em um regime semipresidencialista, com nomes como Tarcísio de Freitas, Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior cotados para primeiro-ministro.
Os campos de cobertura convergem em dois pontos. O primeiro é que a recusa dos rótulos virou o eixo da campanha do candidato do Avante. O segundo é que o eleitorado chega a 2026 marcado pela clivagem entre esquerda e direita, ainda que uma parte relevante não se reconheça nela. Uma pesquisa do PoderData em parceria com o Aya Bancah, feita entre 9 e 12 de agosto com 2.400 entrevistados em 658 municípios e registrada no Tribunal Superior Eleitoral, mostrou 45% de brasileiros que se dizem de direita ou centro-direita, 29% de esquerda ou centro-esquerda, 5% de centro e 21% sem posicionamento definido.
A divergência começa na leitura desses números. Veículos de direita enfatizaram que a direita pura, com 36%, é mais que o dobro da esquerda pura, com 17%, e trataram o resultado como retrato de um país majoritariamente conservador; também deram destaque a episódios atribuídos à militância adversária, como a confusão em um comício na Universidade de Brasília, em 26 de agosto, em que um candidato a deputado federal disse ter sido agredido e revidou com chutes. Veículos de esquerda foram por outro caminho: descreveram a terceira via como plataforma economicamente liberal apresentada sob a aparência de neutralidade, lembraram a admiração declarada de Cury por Paulo Guedes e a hipótese de entregar o comando do governo a um aliado da direita, e detalharam o restante do espectro, da candidata socialista Samara Martins, da Unidade Popular, que propõe reajuste de 100% do salário mínimo e nacionalização de bancos, ao empresário Wilson Grassi, do Democrata, que defende imposto único federal e um modelo penitenciário inspirado em El Salvador.
A cobertura de centro ficou no registro dos fatos e das falas, incluindo o confronto entre sindicalistas e influenciadores durante ato pelo fim da escala 6x1 na avenida Paulista, em 30 de agosto, que terminou em delegacia com registro de vias de fato, lesão corporal e injúria envolvendo um homem de 70 anos e um adolescente de 17. Um artigo assinado por ativista acrescentou uma camada histórica ao debate: lembrou que os termos esquerda e direita nasceram da disposição dos assentos na Assembleia Nacional francesa de 1789 e sustentou que, no Brasil, os direitos da população LGBTI+ avançaram sobretudo por decisões do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, enquanto 437 projetos apresentados desde janeiro de 2019 buscaram restringi-los, em sua maioria por parlamentares da direita mais conservadora.
O que ainda não se sabe é se o crescimento se sustenta sob escrutínio maior e para onde iriam esses votos. Um levantamento indicou que, em eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, 46% dos eleitores do candidato do Avante migrariam para Flávio, 23% para Lula e 29% votariam nulo ou em branco, mas não há série histórica que confirme a estabilidade desse eleitorado.
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Por Toni Reis. Uma reflexão filosófica sobre a comunidade LGBTI+, a história e os direitos.

Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: viés de centro.