OAB do Distrito Federal apura escritório da família de Alexandre de Moraes
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A leitura à direita trata a decisão da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal como reconhecimento tardio de um problema de integridade no topo do Judiciário. O que está em apuração, nessa chave, não é um detalhe contratual: o relatório da Polícia Federal descreve um contrato firmado em janeiro de 2024 entre o Banco Master e a banca da família de Alexandre de Moraes, com 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos e valor total de R$ 131,27 milhões com tributos, dos quais R$ 80,2 milhões teriam sido pagos em 22 parcelas entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Somam-se a isso metadados de minutas com alterações atribuídas a um usuário identificado como o próprio ministro e um segundo contrato, de até R$ 50 milhões, que envolveria participações ligadas a um jato e a um helicóptero. O enquadramento cobra que a apuração alcance conflito de interesses e uso da estrutura do escritório, e não pare na formalidade.
A leitura à esquerda enfatiza que a abertura do procedimento é um passo de rotina do sistema disciplinar da advocacia, e não uma condenação: a própria Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal registrou que a medida não significa juízo antecipado de culpa e que serão respeitadas a ampla defesa e as garantias constitucionais.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal, Paulo Maurício Siqueira, determinou em 8 de setembro de 2026 a abertura de procedimento ético-disciplinar contra os sócios do escritório Barci & Barci Advogados, banca que reúne Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, e dois filhos do casal.
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Todos os lados registram que a OAB-DF abriu o procedimento a partir do relatório da Polícia Federal sobre o Banco Master, que o Tribunal de Ética e Disciplina conduzirá o caso sob sigilo legal e que a instauração não equivale a condenação nem a juízo antecipado de culpa. Também há convergência sobre a abertura de um segundo procedimento contra o advogado apontado como elo entre o ex-banqueiro e a Procuradoria-Geral da República.
A Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal abriu procedimento ético-disciplinar contra os sócios do escritório Barci & Barci Advogados, que reúne a esposa e dois filhos do ministro Alexandre de Moraes. A decisão saiu de relatório da Polícia Federal sobre o Banco Master, e as coberturas divergem sobre o peso dos contratos revelados.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal, Paulo Maurício Siqueira, determinou em 8 de setembro de 2026 a abertura de procedimento ético-disciplinar contra os sócios do escritório Barci & Barci Advogados, banca que reúne Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, e os filhos Giuliana Barci de Moraes e Alexandre Barci de Moraes. O anúncio foi feito em sessão extraordinária do Conselho Pleno da seccional, e a condução caberá ao Tribunal de Ética e Disciplina da entidade. Na mesma decisão, foi aberto um segundo procedimento contra o advogado Ciro Soares, apontado em relatório da Polícia Federal como intermediário entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Os quatro relatos convergem no essencial. A medida nasceu dos fatos tornados públicos no relatório que a Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal em 27 de agosto, com mensagens, encontros e negociações entre o ministro, o banqueiro e o escritório da família. O material foi extraído do celular de Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes no Banco Master, e teve o sigilo retirado em 1º de setembro pelo relator do caso na corte, o ministro André Mendonça. Todas as coberturas também registram a ressalva da entidade: os processos correm sob sigilo legal, não significam emissão de juízo antecipado de culpa e respeitarão as garantias processuais e constitucionais dos representados. A frase do presidente da seccional aparece em três dos relatos: a advocacia não é meio para o cometimento de crimes, e a Ordem tem o dever de apurar os fatos.
A divergência está no que cada lado escolhe iluminar. Veículos de esquerda deram a notícia em texto curto, com a ressalva sobre a presunção de inocência em posição de destaque e sem qualquer número do relatório policial, mantendo o episódio no terreno do procedimento e do devido processo legal, num momento em que a corte está sob pressão política aberta. A cobertura de centro ficou na reconstrução cronológica: quem determinou, quando, com base em qual documento, quantos sócios são alvo e por qual caminho o material chegou ao conhecimento público, sem adjetivar a conduta dos envolvidos. Veículos de direita foram na direção oposta e organizaram o texto em torno do dinheiro: um contrato firmado em janeiro de 2024 previa 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos, o que chegaria a R$ 131,27 milhões com tributos; documentos encaminhados à CPI do Crime Organizado indicariam R$ 80,2 milhões já pagos em 22 parcelas entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025; e os metadados das minutas registrariam alterações atribuídas a um usuário identificado como o próprio ministro. Essa cobertura acrescenta ainda um segundo contrato, de até R$ 50 milhões, que envolveria participações em empresas ligadas a um jato e a um helicóptero.
A versão do escritório aparece nesses mesmos relatos: a banca confirma que Alexandre de Moraes acessou o documento, mas sustenta que ele apenas verificou, a pedido do setor de compliance, se havia impedimento legal para a contratação, afirma que o contrato não previa atuação perante o Supremo Tribunal Federal e diz que o negócio envolvendo o jato e o helicóptero não se concretizou. Também é lembrado que o Conselho Federal da Ordem já havia se manifestado em 1º de setembro pela apuração rigorosa e isenta dos fatos, com respeito à ampla defesa e à presunção de inocência.
O que ainda não se sabe é o mais relevante. Nenhuma cobertura informa prazo para a conclusão do procedimento, e o sigilo legal impede acompanhamento público do trâmite. A própria identificação dos alvos varia entre os relatos: fala-se em seis sócios-titulares, mas as listas de nomes divulgadas não coincidem, com grafias e parentescos diferentes para as mesmas pessoas. Não há informação sobre eventual manifestação do ministro sobre a abertura do procedimento, nem sobre se as apurações no âmbito da advocacia terão qualquer efeito sobre a investigação criminal em curso no Supremo Tribunal Federal. Também segue em aberto qual será o desfecho do procedimento aberto contra o advogado apontado como elo com a Procuradoria-Geral da República.
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