Os erros grotescos da proposta dos EUA ao Brasil sobre terras raras
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
- CNN BrasilEUA tratam Brasil como “país X” e “Equador” em proposta para terras rarasDocumento enviado pelo Departamento de Estado para acordo em minerais críticos erra nome e é apontado por governo brasileiro como falta de vontade em buscar parceria de interesse mútuo(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
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Briefing
O que importa para você
- O Brasil tem a segunda maior reserva mundial de terras raras, mas só uma mineradora em produção.
- A Serra Verde (Minaçu, GO) foi vendida por US$ 2,8 bi, com contrato de fornecimento de 15 anos ao mercado americano.
- Pende sobre o Brasil a ameaça de tarifas de 25% sobre seus produtos.
Onde os lados divergem
- Esquerda vê o episódio como desrespeito à soberania e alerta contra a venda da Serra Verde ao capital estrangeiro.
- Uma leitura de direita/mercado enfatizaria que o problema real é o Brasil não converter suas reservas em produção, e que o investimento privado americano supriu essa lacuna.
Onde os lados concordam
Esquerda e centro concordam que o documento americano continha erros graves de redação, tratando o Brasil como 'país X' e 'Equador', e que a negociação não registrou avanços significativos até agora, ocorrendo sob ameaça de tarifas de 25%.
O que ainda está incerto
- A embaixada dos EUA não respondeu sobre os erros na proposta.
- Não se sabe se haverá novo memorando adaptado ao Brasil nem o futuro das conversas sobre preços mínimos.
Os Estados Unidos enviaram ao Brasil, em janeiro, uma proposta oficial de memorando de entendimentos sobre cooperação em minerais críticos e terras raras que continha erros grosseiros de redação. No documento, encaminhado a Brasília pelo Departamento de Estado, o Brasil chegou a ser tratado como 'country X', com rasuras e a palavra 'Brazil' escrita em seguida, e, em um trecho específico, foi trocado pelo Equador. A CNN Brasil teve acesso parcial ao texto e revelou a falha, que até então não era conhecida.
A cobertura de centro relatou que a proposta chegou dias antes de uma reunião realizada em Washington, em 4 de fevereiro, com representantes de 54 países, para tratar da cadeia produtiva da mineração e do fornecimento de matérias-primas a empresas americanas. Nesse encontro, os Estados Unidos assinaram memorandos de entendimentos com 11 países, entre eles Argentina, Paraguai e Equador. Segundo os relatos, negociadores brasileiros interpretaram os erros como evidência de que Washington aplicou um modelo padronizado, de 'corta e cola', sem adaptar o texto às características de cada país. O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do planeta, atrás apenas da China.
Um ponto que gerou resistência em Brasília foi a previsão de que o acordo teria natureza não vinculante ('non-binding'). Na prática, o memorando não teria validade jurídica nem precisaria ser incorporado às leis nacionais ou a normas internacionais, mas poderia servir como instrumento de pressão política em caso de divergência. Em uma trilha paralela, o Itamaraty iniciou conversas mais técnicas com o USTR, o escritório do representante comercial da Casa Branca, discutindo temas como a definição de preços mínimos no fornecimento de terras raras.
Essas conversas perderam força depois que a americana USA Rare Earth comprou a mineradora Serra Verde, em operação anunciada em abril e fechada por US$ 2,8 bilhões. A Serra Verde, localizada em Minaçu, em Goiás, é a única empresa brasileira já em produção de terras raras e firmou um contrato de fornecimento de 15 anos para o mercado americano. Funcionários brasileiros avaliam que a compra reduziu o interesse do USTR em avançar com um acordo mais amplo. Toda a negociação ocorre enquanto o governo de Donald Trump ameaça impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
Veículos de esquerda destacaram o episódio como sinal de descaso e desrespeito à soberania brasileira, enfatizando que a cláusula não vinculante beneficiaria apenas os Estados Unidos e que a venda da única mineradora nacional em produção ao capital estrangeiro representa perda de controle sobre um ativo estratégico. Já uma leitura de direita, voltada ao mercado, tenderia a enfatizar que a fragilidade central não está no nome errado no papel, mas na incapacidade do Brasil de converter suas reservas em produção e investimento: enquanto o governo hesitava, a iniciativa privada americana avançou e assegurou fornecimento por 15 anos.
O que ainda não se sabe: a embaixada dos Estados Unidos em Brasília, procurada, não se manifestou sobre os erros na proposta nem sobre o rumo das negociações. Também permanece em aberto se haverá um novo memorando adaptado ao Brasil, qual será o destino das conversas sobre preços mínimos e como a compra da Serra Verde afetará, na prática, a estratégia brasileira para a cadeia global de minerais críticos.
Fontes

Documento enviado pelo Departamento de Estado para acordo em minerais críticos erra nome e é apontado por governo brasileiro como falta de vontade em buscar parceria de interesse mútuo

Proposta dos EUA sobre terras raras chamou Brasil de “país X” e “Equador” em trechos enviados pelo Departamento de Estado.