O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) chega ao fim de agosto na liderança isolada da disputa pelo governo do Rio de Janeiro. Levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado em 25 de agosto de 2026 aponta 44,5% das intenções de voto para Paes, contra 15,5% de Douglas Ruas (PL) e 11,6% de Anthony Garotinho (Republicanos), que empatam tecnicamente dentro da margem de erro de 2,5 pontos percentuais. Num cenário simulado sem Garotinho, cuja elegibilidade ainda será julgada pelo Tribunal Regional Eleitoral, Paes sobe para 48,3% e Ruas para 18,6%, o que amplia a vantagem do líder para 29,7 pontos.
Para as duas vagas do estado no Senado, a deputada federal Benedita da Silva (PT) aparece na frente, com 29,6%. Em seguida vêm o ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), com 21%, e Pedro Paulo (PSD), com 16,4%, empatados tecnicamente entre si. Completam o pelotão de frente Carlos Jordy (PL), com 11,9%, Carlos Portinho (PL), com 10,6%, e Waguinho (Republicanos), com 9,2%. A pesquisa ouviu 1.600 eleitores fluminenses entre 22 e 24 de agosto, tem nível de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo RJ-02422/2026.
A cobertura de centro relatou o contexto em torno dos números. Uma segunda pesquisa, do instituto Quaest, esteve em campo no estado na mesma semana, com previsão de ouvir 1.302 eleitores presencialmente, e foi desenhada para medir cenários de segundo turno entre Paes e Ruas e entre Paes e Garotinho, além da rejeição a cada candidato e do peso que os apoios de Lula e de Flávio Bolsonaro exercem sobre a decisão do eleitor fluminense. O mesmo bloco de cobertura detalhou o serviço eleitoral: os 12,8 milhões de eleitores do Rio de Janeiro escolherão dois entre 16 candidatos ao Senado, o primeiro turno está marcado para 4 de outubro e o eventual segundo turno para governador e presidente ocorre em 25 de outubro.
Veículos de direita enfatizaram os dados que qualificam o favoritismo do líder e a divisão do campo conservador. Deram destaque ao índice de rejeição, em que Garotinho é o mais recusado, com 40,3% dos eleitores afirmando que não votariam nele de jeito nenhum, contra 25,3% de Paes, e ao fato de que a saída de Garotinho do cenário eleva Douglas Ruas em apenas 3,1 pontos, sinal de baixa transferência de votos entre os dois. Esse bloco também acompanhou os resultados de uma ressalva metodológica explícita, lembrando que pesquisas são leitura de momento e apresentaram discrepâncias relevantes frente ao resultado das urnas em 2022, e registrou que o levantamento foi contratado pelo próprio instituto que o realizou.
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta rodada até o momento. O ângulo que esse campo costuma enfatizar está contido nos mesmos dados: a liderança de Benedita da Silva na corrida ao Senado, a presença de Monica Benício (PSOL) com 5,9% e a composição da coligação que apoia Paes, que reúne PT, PSB, PC do B, PDT e PV ao lado do PSD, além das prioridades de segurança pública testadas no questionário do Quaest, entre elas programas sociais para jovens e combate à violência policial.
Há pontos em que as coberturas convergem sem disputa. Todas registram a mesma tabela de percentuais, a mesma metodologia e a advertência de que a rodada de agosto não é diretamente comparável à de julho, porque a lista de nomes testados mudou com a desistência do ex-governador Wilson Witzel (DC). Também há convergência sobre o calendário: esta é a última fotografia antes do início da propaganda gratuita em rádio e televisão, período em que candidatos com menor exposição podem ganhar espaço.
O que ainda não se sabe é considerável. Os números da rodada do Quaest não haviam sido divulgados quando as matérias foram publicadas, o que impede comparação entre institutos. Não há data definida para o julgamento da elegibilidade de Garotinho no Tribunal Regional Eleitoral, decisão que altera o desenho da disputa. Nenhuma das coberturas ouviu as campanhas sobre os resultados, e não existe medição do efeito do horário eleitoral gratuito, que só começa depois desta fotografia. Por fim, a taxa de indecisão segue alta na pesquisa espontânea, com 61,6% dos entrevistados sem candidato definido para o governo e 81,4% sem nome definido para o Senado.