O chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, desembarcou em Teerã nesta segunda-feira para uma missão de mediação entre Estados Unidos e Irã, no mesmo dia em que o governo americano prometeu iniciar o que chamou de Dia D econômico contra os parceiros comerciais iranianos. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, convocou uma coletiva de imprensa para detalhar as medidas e havia escrito, em artigo de opinião publicado no domingo, que se trata da maior ofensiva financeira já mobilizada contra um adversário.
A cobertura de centro relatou os fatos na ordem em que ocorreram e atribuiu cada afirmação a uma fonte identificada. Islamabad descreveu a viagem de Munir como esforço para promover a paz e a estabilidade regionais, e fontes paquistanesas disseram que o general deveria se encontrar com pessoas próximas ao líder supremo do Irã. Duas dessas fontes afirmaram que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, telefonou para Munir na semana passada, e o pedido central teria sido levar o Irã de volta à mesa. A Casa Branca não respondeu ao pedido de comentário.
Os dois lados da cobertura convergem no essencial. Estados Unidos e Irã não trocam ataques aéreos diretos há semanas, mas as últimas negociações presenciais para encerrar o conflito de seis meses aconteceram em junho, e os ataques a embarcações no Estreito de Ormuz continuaram. O Irã rejeitou a ameaça americana e prometeu interromper todas as exportações de petróleo do Golfo se a guerra econômica seguir. Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, afirmou que nem uma gota de petróleo sairá pelo Estreito de Ormuz ou pelo Golfo Pérsico e classificou como ato de guerra o apoio de qualquer país às sanções. Teerã também advertiu navios a não cruzarem o estreito sem autorização e listou 45 embarcações que teriam violado suas regras. Nesta segunda-feira, um projétil atingiu um navio-tanque a oeste do porto saudita de Yanbu, no Mar Vermelho, e provocou incêndio no convés principal; monitores marítimos britânicos não identificaram a autoria.
As ênfases se separam adiante. Veículos de direita, de perfil econômico, deram destaque ao comportamento do mercado: o petróleo recuou depois de duas semanas de alta, com investidores realizando lucros antes do anúncio, e a leitura dominante é a de que o Irã, ainda que tenha perdido boa parte da capacidade militar convencional, preserva mísseis e drones suficientes para paralisar a navegação e empurrar para cima o preço mundial dos combustíveis. Nenhum veículo de esquerda registrou o episódio no conjunto analisado; pela leitura provável desse campo a partir dos mesmos fatos, o eixo seria o custo humano do conflito iniciado em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel, que matou milhares de pessoas, a maioria no Irã e no Líbano, e o efeito de sanções sobre uma população submetida a restrições quase contínuas desde 1979.
O que ainda não se sabe é a parte mais relevante. Bessent não revelou nenhuma medida concreta do pacote, limitando-se a sinalizar que os Estados Unidos mirariam nações que, segundo ele, praticam apaziguamento ao operar com a economia e o sistema financeiro iranianos. Também não há informação sobre quem lançou o projétil contra o navio-tanque no Mar Vermelho, sobre o resultado da mediação de Munir em Teerã, nem sobre o estado real do programa nuclear iraniano, que americanos e israelenses dizem pretender eliminar e que permanece desconhecido.