Uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 2 de julho de 2026 colocou em números o custo político da operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) no caso do Banco Master. Entre os eleitores que disseram conhecer a operação, 59% avaliam que o episódio afeta diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou parte do governo: 35,6% enxergam impacto direto sobre Lula e 23,5% sobre parte da gestão, enquanto 37,8% consideram o problema exclusivo do senador. Em outro recorte, 61,2% acreditam que o caso pode prejudicar a candidatura de Lula à reeleição. O instituto ouviu 4.999 pessoas de 26 a 30 de junho, com margem de erro de 1 ponto percentual, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04582/2026.
Os fatos que sustentam a pesquisa são reconhecidos por todos os lados da cobertura. Wagner foi alvo, em 18 de junho, da 9ª fase da operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraude bancária, corrupção e lavagem de dinheiro ligadas ao Banco Master. Em 24 de junho, após reunião com Lula, o senador deixou a liderança do governo no Senado, posto assumido temporariamente pela senadora Teresa Leitão (PT-PE). A Polícia Federal apreendeu US$ 55 mil e 33 mil euros em espécie e investiga a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões em Salvador, negociado com Augusto Lima, ex-sócio do Master. Wagner admite relação próxima com o empresário, mas nega qualquer irregularidade e afirma haver acordo prévio para a aquisição do imóvel. Em 1º de julho, em evento em Alagoinhas (BA), Lula chamou o senador de 'irmão' e exaltou a parceria de décadas.
A cobertura de centro, representada pelo Poder360, ateve-se ao padrão factual: reportou os percentuais, detalhou a metodologia e o registro no TSE e recapitulou o cronograma da operação, sem adjetivar. Veículos de direita, como a Jovem Pan, a VEJA e a Revista Oeste, enfatizaram o ângulo de accountability: destacaram que 74,3% dos que acompanham o caso acreditam que Wagner recebeu vantagens indevidas, que 39,6% dizem que o episódio 'piora muito' a imagem do governo e leram o apoio público de Lula ao aliado investigado como priorização da lealdade partidária sobre a cobrança de responsabilidade. A VEJA acrescentou a leitura eleitoral na Bahia, onde a Paraná Pesquisas aponta ACM Neto (União Brasil) ampliando a vantagem sobre o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e Wagner oscilando para baixo na disputa ao Senado, num alerta para o quarto maior colégio eleitoral do país.
Ainda que o cluster não traga um veículo declaradamente de esquerda, a leitura que veículos críticos à operação fariam está implícita nos próprios dados e falas: a investigação segue em fase de apuração, sem denúncia formal ou condenação, e o senador apontou 'espetacularização' e 'patacoada' na ação da PF, sustentando a presunção de inocência. Nesse enquadramento, a percepção medida pela pesquisa reflete o efeito da exposição midiática, não prova de culpa, e o gesto de Lula seria expressão de lealdade a uma parceria antiga. A própria VEJA registra que ACM Neto também foi citado em reportagens sobre o Banco Master, o chamado telhado de vidro, o que reduziu o interesse do União Brasil em transformar o caso em arma central da campanha baiana. Vale ainda notar que parcelas relevantes do eleitorado relativizam o dano: 36,2% dizem que o caso não afeta sua avaliação do governo e 36,3% acham que ele não prejudica a candidatura presidencial.
O que ainda não se sabe é o desfecho jurídico do caso: não há denúncia formal contra Wagner, e as investigações seguem em curso. Também permanece em aberto se o desgaste medido nas pesquisas se converte em perda efetiva de votos ao longo da campanha de 2026, especialmente na Bahia, onde a definição dos palanques presidenciais entre Lula e Flávio Bolsonaro ainda não está fechada.