Uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 2 de julho de 2026 recolocou no centro do debate eleitoral o custo político da investigação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras, corrupção e lavagem de dinheiro no escândalo do Banco Master. Entre os entrevistados que disseram conhecer a operação, 59% avaliaram que o caso afeta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou parte do governo: 35,6% apontaram impacto direto sobre Lula e 23,5% sobre uma fração da gestão, enquanto 37,8% consideraram o problema exclusivo do senador. O levantamento ouviu 4.999 pessoas de 26 a 30 de junho, tem margem de erro de um ponto percentual, 95% de confiança e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04582/2026.
Há pontos em que toda a cobertura converge. Wagner foi alvo, em 18 de junho, da operação da PF, e deixou a liderança do governo no Senado em 24 de junho, após reunião com Lula. A pesquisa mostra que 74,3% de quem soube do caso acreditam que o senador recebeu vantagens indevidas do Banco Master, e que a percepção sobre a imagem do governo piora: 39,6% dizem que o episódio a piora muito. Ao mesmo tempo, sobre a corrida presidencial, 36,2% afirmam que o caso não prejudica a candidatura de Lula à reeleição, um dado que relativiza o desgaste. Todos os veículos também registram que Lula reafirmou o apoio a Wagner, chamando-o de 'irmão' em evento em Alagoinhas, na Bahia, e que o senador nega qualquer irregularidade.
As ênfases, porém, divergem. A cobertura de centro, de veículos como Poder360, tratou a pesquisa de forma factual, destacando tanto o percentual que vê risco à candidatura de Lula (61,2%) quanto o que acredita que ela não será afetada (36,3%), com ficha técnica completa e a ressalva de que o questionário foi a campo antes de Wagner deixar a liderança. Veículos de direita, como Jovem Pan, Veja e Revista Oeste, enfatizaram o desgaste do governo e a moldura de accountability: destacaram que a maioria acredita que Wagner recebeu vantagens indevidas, justapuseram o apoio de Lula às apreensões da PF, US$ 55 mil e € 33 mil em espécie e um apartamento de R$ 2,4 milhões, e ressaltaram que, na Bahia, quarto maior colégio eleitoral, ACM Neto ampliou a vantagem sobre o governador Jerônimo Rodrigues (PT). Já veículos de esquerda, como o Brasil 247, enfatizaram a estabilidade da liderança de Lula, com oscilações dentro da margem de erro em pesquisas como Nexus/BTG, PoderData e Vox Brasil, atribuíram parte da queda ao noticiário do Master, que também derrubou o senador da oposição, e valorizaram a agenda social e econômica do governo, do Desenrola Adimplentes ao aumento do teto do MEI.
O que ainda não se sabe é o tamanho do efeito duradouro do caso sobre a corrida presidencial. As próprias pesquisas trazem sinais contraditórios sobre se há prejuízo eleitoral consolidado, e institutos de referência como Quaest e Datafolha ainda não haviam confirmado se a disputa voltou ao empate técnico. Também permanecem em aberto os desdobramentos judiciais da investigação, a defesa completa de Wagner e a definição dos palanques presidenciais na Bahia, que Lula e Flávio Bolsonaro ainda disputam.