O projeto de sucessao estadual de Minas Gerais apoiado pelo ex-governador Romeu Zema perdeu forca as vesperas do inicio da campanha eleitoral de 2026. Segundo a reportagem, os partidos que mais foram priorizados por Zema na articulacao politica do Palacio Tiradentes durante o segundo mandato sinalizam abandono do palanque de Mateus Simoes, do PSD, candidato herdeiro do grupo no governo. As legendas hesitaram por meses em confirmar apoio e, agora, pavimentam ou ja formalizam o desembarque.
Ate o momento, apenas um veiculo cobriu o caso em profundidade, e a apuracao se apoia em dados obtidos via Lei de Acesso a Informacao. Esses documentos mostram que, entre janeiro de 2023 e outubro de 2025, partidos como Uniao Brasil, PP, PL, Republicanos, MDB, PSDB, PRD, Solidariedade e Avante foram os mais frequentes nas reunioes do governador com parlamentares. O PL, dono de uma das maiores bancadas na Assembleia, liderou os encontros, com mais de cinquenta reunioes no periodo. A oposicao nao esteve presente em nenhuma das marcacoes, e a privatizacao da Copasa, prioridade do Executivo, avancou com endosso das legendas listadas.
O paradoxo apurado e que justamente essas legendas caminham para chapas rivais. O PL foi o primeiro a sair, ainda em abril, ao encerrar as tratativas com Simoes e priorizar a alianca com o Republicanos do senador Cleitinho Azevedo. A reportagem atribui a decisao ao desejo do PL de montar um palanque amplo ao senador Flavio Bolsonaro em Minas, o que a fidelidade de Simoes ao projeto presidencial de Zema nao garantiria. O PP de Marcelo Aro, federado ao Uniao Brasil, era peca central do xadrez de Simoes e chegou a ser cotado para a vaga ao Senado, mas Aro rompeu publicamente na quinta-feira e mira candidatura propria ao governo. PRD, Solidariedade e Avante tambem se movimentam em direcoes distintas, e ate o PDT, que votava com o governo, tera Alexandre Kalil na disputa. Na base da Assembleia, apenas PSD e Novo seguem com Simoes.
Como a cobertura e de fonte unica e de perfil factual, nao ha, por ora, enquadramentos concorrentes de veiculos de esquerda e de direita sobre o episodio. Ainda assim, os proprios fatos comportam leituras distintas. Uma leitura de esquerda tenderia a ler o racha como retrato do fisiologismo, ja que as agendas priorizadas recompensaram quem sustentou pautas como a privatizacao da Copasa, e esses mesmos partidos abandonam o projeto quando deixa de ser conveniente. Uma leitura de direita tenderia a enfatizar que a crise nasce da lealdade de Simoes a candidatura presidencial de Zema, e a reproduzir a reacao do ex-governador, que chamou o gesto de Aro de traicao e de retorno dos acordos de bastidores que, segundo ele, quebraram Minas.
O que ainda nao se sabe e o desenho final das chapas. Nao esta claro se Aro consolidara candidatura propria ao Palacio Tiradentes, quais siglas o acompanharao e como o PSD e o Novo tentarao recompor a base. O governo afirmou em nota que a relacao com os deputados e institucional e nao depende de pessoas ou grupos, enquanto a lideranca na Casa e a presidencia estadual do PSD nao se manifestaram, e a campanha de Simoes alegou agenda no interior.