Bispo JB Carvalho, de igreja de Flávio Bolsonaro, condena culto mariano
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O bispo JB Carvalho, fundador da igreja Comunidade das Nações, condena o culto à Rainha dos Céus em trechos atribuídos ao livro A Bomba: a verdade pode ser explosiva, publicado em 2001. A igreja é frequentada pelo senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, batizado ali em 2024 junto com a esposa, Fernanda Bolsonaro. Nos trechos, reproduzidos no blog do pastor Sérgio Lourenço, o bispo usa os capítulos 7 e 44 do livro bíblico de Jeremias para condenar oferendas a uma divindade feminina e associa a devoção católica a Maria a cultos antigos ligados a Ninrode, Semíramis e Tamuz. A própria cobertura registra que essa origem não é fato histórico estabelecido e que a Igreja Católica distingue a veneração dedicada a Nossa Senhora da adoração, reservada a Deus. O episódio ganha peso político porque, em vídeo de 24 de agosto de 2026, Flávio Bolsonaro afirmou que, se eleito, um de seus primeiros atos seria decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo.
A cobertura à esquerda trata o caso como evidência de que a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro se apoia em uma teologia que hostiliza a maior confissão religiosa do país. O bispo JB Carvalho, dono da igreja onde o senador foi batizado e onde escolheu aparecer em público depois de anunciar a pré-candidatura, sustenta em livro que Deus odeia o culto à Rainha dos Céus e associa a devoção a Nossa Senhora a cultos pagãos, tese sem respaldo histórico.
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Toda a cobertura concorda que os trechos são atribuídos a um livro de 2001 do bispo JB Carvalho, que a igreja Comunidade das Nações é frequentada por Flávio Bolsonaro, batizado ali em 2024, e que a associação entre a devoção a Nossa Senhora e cultos antigos é interpretação religiosa do autor, sem respaldo histórico estabelecido. Também há convergência de que a Igreja Católica distingue veneração de adoração.
O bispo JB Carvalho, fundador da Comunidade das Nações, igreja frequentada pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, condena o culto à Rainha dos Céus em trechos de um livro de 2001. A passagem voltou a circular em meio à disputa eleitoral e à reação de católicos a falas do senador sobre religião.
O bispo JB Carvalho, fundador da igreja Comunidade das Nações, afirma em trechos atribuídos ao livro A Bomba: a verdade pode ser explosiva, publicado em 2001 pela editora Doxxa, que Deus odeia o culto à Rainha dos Céus. A passagem, reproduzida no blog do pastor Sérgio Lourenço, voltou a circular nesta semana e alcançou a disputa presidencial porque a igreja é frequentada pelo senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, batizado ali em 2024 ao lado da esposa, Fernanda Bolsonaro.
No texto, o bispo recorre aos capítulos 7 e 44 do livro bíblico de Jeremias, nos quais habitantes do antigo reino de Judá oferecem incenso, alimentos e libações a uma divindade feminina. Para ele, esse povo atribuía a tal entidade a prosperidade que deveria reconhecer no Deus de Israel, e a prática está ligada à destruição de Judá e ao exílio na Babilônia. Em outra parte da obra, Carvalho associa a devoção católica a Maria a cultos antigos, citando Ninrode, Semíramis e Tamuz, e compara a imagem de uma mãe com uma criança à iconografia de Maria com o menino Jesus.
Toda a cobertura converge nos mesmos fatos verificáveis e nas mesmas ressalvas. A leitura do bispo é apresentada como interpretação religiosa do autor, e não como consenso histórico: a suposta origem da devoção mariana no culto a Semíramis não é fato estabelecido. As reportagens também registram que a Igreja Católica distingue a veneração dedicada a Nossa Senhora da adoração, reservada exclusivamente a Deus. Há convergência ainda sobre o calendário que liga o religioso ao senador: o batismo em 2024, a escolha da própria igreja para a primeira aparição pública dois dias depois do anúncio da pré-candidatura, em 7 de dezembro de 2025, o exemplar de Metanoia levado por Flávio Bolsonaro ao pai, Jair Bolsonaro, na Superintendência da Polícia Federal em 25 de novembro de 2025, e o livro A jornada de meninos a homens levado por Michelle Bolsonaro em 6 de janeiro de 2026. Em vídeo de 24 de agosto de 2026, o senador declarou que, se eleito, um de seus primeiros atos seria decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo, fala que provocou reação de fiéis católicos nas redes e chegou a homilias de bispos na basílica de Nossa Senhora Aparecida.
As divergências estão na moldura, não nos fatos. Veículos de esquerda destacaram a proximidade entre o bispo e a família Bolsonaro, dedicando seção própria a essa relação e encadeando batismo, pré-candidatura, livros levados à prisão e a promessa de consagrar o país, num arranjo que mede o custo político da associação e sublinha o risco ao Estado laico. A cobertura de centro concentrou-se na documentação: citou o trecho com editora e ano, nomeou o blog que o reproduziu e delimitou de forma expressa o que as fontes consultadas não permitem confirmar, como a afirmação atribuída ao bispo de que orações católicas dirigidas a Maria seriam recebidas por demônios. Uma peça de centro foi além e situou o caso dentro de uma suposta ofensiva evangélica contra símbolos católicos, incluindo um projeto de lei do deputado Victório Galli que pretendia trocar a expressão Padroeira do Brasil por Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos na Lei nº 6.802/1980, rejeitado em comissão e arquivado em 2008, além de um relato de bastidores segundo o qual a reação de católicos poderia beneficiar o presidente Lula. Entre os veículos de direita mapeados, o episódio não recebeu cobertura própria, o que caracteriza um ponto cego: os argumentos previsíveis desse campo, a liberdade religiosa do pastor, a distância de 25 anos entre o livro e a eleição e a ausência de cargo formal do bispo na campanha, não apareceram em reportagem alguma do conjunto.
O que ainda não se sabe é decisivo para dimensionar o caso. Nenhuma das coberturas ouviu JB Carvalho ou a Comunidade das Nações sobre os trechos atribuídos ao livro, nem esclareceu se o bispo mantém hoje a mesma posição. Também não há resposta de Flávio Bolsonaro sobre se endossa o conteúdo doutrinário, e a contestação atribuída à campanha aparece mencionada sem detalhamento. Segue em aberto se o religioso exerce qualquer função na pré-candidatura e qual o efeito eleitoral concreto da controvérsia entre eleitores católicos, já que nenhuma das peças apresenta dado que sustente a leitura de bastidores sobre esse impacto.
Em uma passagem reproduzida pelo pastor Sérgio Lourenço, Carvalho afirma que “Deus odeia o culto à Rainha dos Céus”. A argumentação apresentada pelo bispo


Autor de A Bomba, JB Carvalho critica a devoção católica a Maria; Flávio foi batizado na igreja fundada pelo bispo
