Cimeb acusa Lula de guerra religiosa com boato sobre Nossa Senhora Aparecida
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
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O Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb) divulgou em 28 de setembro nota assinada por 14 pastores acusando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de usar uma notícia falsa contra Flávio Bolsonaro, candidato do PL. O boato atribuía a Flávio a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O caso passou pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelo Supremo Tribunal Federal, e virou peça da propaganda de Lula.
Pela ótica da responsabilização de quem espalha desinformação, o caso expõe uma mentira eleitoral que atribuiu a Flávio Bolsonaro um projeto que nunca existiu, arquivado desde 2008 e de autoria de outro parlamentar. Líderes evangélicos acusam Lula de explorar o boato e incitar conflito religioso, e Flávio diz que a própria negativa da CNBB confirma a 'maior fake news dessa campanha', impulsionada pelo PT.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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O Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil acusou Lula de usar o boato de que Flávio Bolsonaro tiraria o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida. A CNBB negou participação, o caso chegou ao TSE e ao STF e virou peça da propaganda de Lula.
O Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil, conhecido pela sigla Cimeb, divulgou na segunda-feira, 28 de setembro, uma nota em que acusa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de usar uma notícia falsa contra um adversário na eleição presidencial. O boato atribuía ao senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Para os pastores, o episódio promove uma guerra religiosa entre católicos e evangélicos.
O documento é assinado por 14 pastores, entre eles Silas Malafaia, Robson Rodovalho e Estevam Hernandes. A entidade diz reunir mais de 10 mil pastores e afirma que não existe iniciativa de líderes evangélicos para cancelar feriados ou cultos de qualquer religião. A nota saiu um dia depois de Lula dizer, em entrevista à televisão, que mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável. Pressionado, o presidente disse não saber se era notícia falsa, mas que o tema estava forte nas redes sociais.
As fontes convergem sobre a origem do caso. A discussão partiu de um projeto de lei apresentado por outro parlamentar há quase 20 anos e depois arquivado. Flávio nega defender a mudança. No domingo, ele acusou integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, de ajudar a espalhar o conteúdo. A entidade negou e cobrou provas, afirmando que a mentira não se combate com outra mentira. Na segunda, Flávio ergueu uma imagem da santa em ato em São Paulo ao lado do governador Tarcísio de Freitas.
O caso também chegou aos tribunais. O ministro André Mendonça, no Tribunal Superior Eleitoral, mandou remover postagens, incluindo uma do humorista Antonio Tabet. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, restabeleceu a publicação por entender que ela não citava o candidato. Em seguida, o ministro Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino. Lula, por sua vez, ergueu imagens de santas em atos em Belém e Fortaleza e levou o tema para a propaganda eleitoral, com repúdio aos ataques de Flávio aos bispos.
A cobertura de centro relatou a sequência de declarações e decisões com atribuição a cada ator, e destacou que a campanha de Lula estendeu a disputa religiosa à propaganda. Veículos de direita enfatizaram que o boato é falso, lembraram a retratação da emissora que o divulgou e deram destaque à acusação de Flávio de que a desinformação foi fabricada pelo PT. Não houve cobertura de veículos de esquerda entre as fontes reunidas; a leitura desse campo aparece, por ora, apenas na própria propaganda petista, que fala em respeito a todas as crenças.
Ainda não se sabe como o plenário do Tribunal Superior Eleitoral vai julgar a decisão de Mendonça, nem se o Supremo vai examinar a divergência entre Dino e Fux. Também não há comprovação pública de quem produziu e impulsionou o boato.
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