Perito admite lacuna em laudo citado por Flávio Bolsonaro sobre Dark Horse
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O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, afirmou em 20 de agosto de 2026, durante agenda de campanha no Mercado Municipal de São Miguel, em São Paulo, que o debate sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, é “página virada” e que a prestação de contas já foi feita. O documento que ele cita é uma perícia privada, contratada pela defesa de Karina Ferreira da Gama, da produtora Go Up Entertainment, e anexada a um inquérito da Polícia Civil de São Paulo. No dia seguinte, o perito responsável, Anísio Costa Castelo Branco, do Instituto de Perícia Investigativa, disse que o trabalho não rastreou o destino dos recursos depois dos pagamentos às empresas contratadas e não comparou os custos apresentados com os preços do mercado audiovisual. A Polícia Federal pediu informações adicionais ao perito e deu prazo de dez dias para a Agência Nacional do Cinema detalhar o registro da obra.
Para veículos de esquerda, a declaração de “página virada” de Flávio Bolsonaro caiu no dia seguinte pela boca do próprio perito que ele usou como escudo. Anísio Costa Castelo Branco admitiu que a perícia não acompanhou o dinheiro depois da chamada terceira camada de repasses e que nunca comparou os custos do filme com os preços praticados no cinema.
Na leitura de veículos de direita, Flávio Bolsonaro já entregou o que prometeu: existe um laudo pericial nos autos, ele mostra os gastos separados entre produção nacional e internacional e não apontou uso de dinheiro público na obra.
9 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés à direita
Todos os lados registram que Flávio Bolsonaro declarou o caso encerrado em 20 de agosto e que o documento citado por ele é uma perícia privada, contratada pela defesa da produtora Go Up Entertainment e anexada a um inquérito da Polícia Civil de São Paulo. Há convergência também sobre o fato de que a Polícia Federal segue pedindo informações adicionais sobre transferências, despesas e custos da produção.
Um dia depois de Flávio Bolsonaro dizer que o caso Dark Horse é página virada, o perito responsável pelo laudo usado como prova admitiu que não acompanhou o destino dos recursos após os pagamentos a fornecedores e não avaliou se os custos do filme eram compatíveis com os preços do mercado audiovisual. A Polícia Federal pediu novos dados.
O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, afirmou na quinta-feira, 20 de agosto de 2026, que o debate sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, é “página virada”. A declaração foi dada em coletiva durante agenda de campanha no Mercado Municipal de São Miguel, na zona leste de São Paulo, ao lado do prefeito Ricardo Nunes. Questionado sobre a prestação de contas da produção, o senador disse que o material já veio a público e que “estava tudo certinho”, redirecionando a cobrança ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
No dia seguinte, o perito que assina o documento usado como prova pelo candidato relativizou o alcance do próprio trabalho. Anísio Costa Castelo Branco, presidente do Instituto de Perícia Investigativa, afirmou que a perícia não acompanhou o destino dos recursos depois que a produtora pagou as empresas contratadas. “Não consigo controlar o que acontece da terceira camada para trás”, disse. Ele também confirmou que não comparou os valores cobrados pela produção com os preços praticados no mercado audiovisual: “Não, eu não fiz esse tipo de análise”. Segundo o perito, seu escopo se limitou a verificar transferências, levantar custos nacionais e internacionais e checar eventual presença de dinheiro público.
Toda a cobertura converge em pontos verificáveis. O laudo não é auditoria oficial: foi encomendado pela defesa de Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora Go Up Entertainment, e anexado a um inquérito que corre na Polícia Civil de São Paulo. O documento separa gastos entre produção nacional e internacional, mas não individualiza todos os fornecedores nem traz notas fiscais. A Polícia Federal enviou ofício pedindo detalhamento de transferências, despesas operacionais e custos, e o perito disse que pode preparar um laudo complementar. Registra-se ainda que os repasses vieram do fundo Havengate Development LP, sediado nos Estados Unidos, para a produtora.
A cobertura de centro concentrou-se no registro do dia de campanha e na checagem do documento, apontando que a perícia contratada pela própria produtora aponta gasto de cerca de R$ 75 milhões sem recibos, enquanto o senador reconheceu ter captado R$ 61 milhões junto a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Veículos de centro também revelaram que a Polícia Federal deu prazo de dez dias para a Agência Nacional do Cinema informar quem está vinculado ao filme e se houve incentivo fiscal ou recurso público federal, e que em 28 de julho a agência autuou a Go Up Entertainment por produzir no Brasil uma obra estrangeira sem comunicação prévia, infração sujeita a multa de R$ 2 mil a R$ 100 mil. Procurada, a produtora afirmou por meio de advogado que pretende colaborar com as investigações, resguardando direitos contra o que classificou como devassa sem objeto definido.
Veículos de esquerda enfatizaram a contradição entre a fala do candidato e a admissão do perito, tratando a declaração de encerramento como tentativa de blindagem em plena campanha. Nessa leitura, o ponto que segue aberto é justamente o mais grave: se todo o dinheiro captado foi de fato consumido pela produção, e por que a intermediação de um fundo no exterior era necessária. Veículos de direita, por sua vez, enfatizaram que existe um laudo formal nos autos, que o perito nega alinhamento político e afirma não ter identificado dinheiro público na obra, e deslocaram parte do foco para investigações que atingem o campo adversário, como o pedido da Procuradoria-Geral da República para tirar o caso de Lulinha do Supremo Tribunal Federal, a restrição imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral a Pablo Marçal e a impugnação da candidatura de José Roberto Arruda ao governo do Distrito Federal.
No entorno do evento, manifestantes protestaram contra o senador e contra o governador Tarcísio de Freitas, que não compareceu à agenda por participar de sabatina no mesmo horário. Um dos cartazes perguntava onde estão os R$ 61 milhões.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há informação pública sobre o destino final dos recursos depois que saíram das empresas contratadas, nem sobre se os custos apresentados são compatíveis com os preços de uma produção equivalente. Também não foi divulgado o valor total transferido pelo fundo americano à produtora, nem o resultado do pedido de informações da Polícia Federal à agência reguladora do cinema.
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