Perícia do filme sobre Bolsonaro não rastreou origem do fundo Havengate
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
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O perito Anísio Castelo Branco, contratado pela GoUp Entertainment para prestar contas do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, afirmou que não rastreou a origem dos recursos repassados pelo fundo norte-americano Havengate Development, responsável por quase todo o dinheiro que chegou à produção. O laudo, concluído em junho de 2026, calcula gasto total de 13,3 milhões de dólares, cerca de 75,1 milhões de reais, e descarta uso de dinheiro público via Lei Rouanet ou por meio de contrato com a Prefeitura de São Paulo. O documento integra inquérito da Polícia Civil de São Paulo, ao qual o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o acesso da Polícia Federal em 24 de agosto de 2026.
A perícia técnica juntada ao inquérito conclui que Dark Horse custou 13,3 milhões de dólares, pouco mais de 75 milhões de reais, e que não houve uso de dinheiro público, nem pela Lei Rouanet nem de forma indireta por meio da Prefeitura de São Paulo.
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As duas coberturas aceitam os mesmos números do laudo: custo total de 13,3 milhões de dólares, cerca de 75 milhões de reais, e repasse de aproximadamente 61 milhões de reais de Daniel Vorcaro à produção por meio do fundo Havengate Development, ligado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.
O laudo encomendado pela produtora de Dark Horse calculou o custo do filme em 13,3 milhões de dólares e descartou uso de dinheiro público, mas o próprio perito afirmou que não tinha autorização para auditar o fundo norte-americano que enviou quase todos os recursos. O documento está num inquérito ao qual a Polícia Federal acaba de ganhar acesso.
A perícia privada contratada pela GoUp Entertainment, produtora do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, não rastreou a origem dos recursos que chegaram à produção por meio do fundo Havengate Development, sediado nos Estados Unidos. Quem afirmou isso foi o próprio responsável pelo trabalho, o perito Anísio Castelo Branco, presidente do Instituto de Perícia Investigativa. Segundo ele, o objeto do contrato era apurar quanto se gastou no filme, com base nas notas fiscais entregues pela produtora, e não havia autorização para auditar o fundo estrangeiro.
O laudo integra um inquérito da Polícia Civil de São Paulo que investiga se houve desvio de dinheiro para o filme a partir de um contrato de fornecimento de Wi-Fi firmado com a Prefeitura de São Paulo, além de suspeitas sobre o uso de emendas parlamentares. Em 24 de agosto de 2026, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a acessar esse inquérito. Para a Polícia Federal, mapear a origem dos recursos é peça fundamental para verificar se a produção serviu de rota para desviar dinheiro.
Os dois lados da cobertura convergem nos números centrais. O documento aponta custo total de 13,3 milhões de dólares, pouco mais de 75 milhões de reais, com 9,6 milhões de dólares gastos em território norte-americano e quase 4 milhões de dólares no Brasil. Convergem também na trilha do dinheiro conhecida até aqui: o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, destinou cerca de 61 milhões de reais ao projeto, e esse valor chegou à produtora pelo Havengate, fundo do qual faz parte Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. O caso veio a público depois da divulgação de conversas em que Flávio Bolsonaro pedia dinheiro a Vorcaro para viabilizar as filmagens.
A divergência está no que cada campo extrai do mesmo laudo. A cobertura de centro relatou a lacuna como fato principal, reproduzindo as declarações do perito de que não sabe quanto foi enviado do Brasil aos Estados Unidos, nem qual é o capital do fundo, e registrou que a Polícia Federal apura se parte dos recursos custeou despesas de Eduardo Bolsonaro durante sua permanência no exterior, o que ele nega. Veículos de direita enfatizaram a conclusão exculpatória: ausência de dinheiro público, seja pela Lei Rouanet, seja de forma indireta por meio da Prefeitura de São Paulo, e financiamento integralmente privado, com o custo aferido derrubando os valores muito superiores que circularam no início da polêmica. Nessa leitura, o tema aparece descrito como arma política contra um pré-candidato à Presidência. Até o momento, veículos de esquerda não trataram deste desdobramento específico. A leitura provável desse campo, a partir dos fatos já apurados, seria a de que um laudo encomendado e pago pela empresa investigada não substitui apuração pública, sobretudo quando o próprio autor declara desconhecer a origem de quase todo o dinheiro analisado.
O histórico das declarações também pesa. Flávio Bolsonaro primeiro negou que o Banco Master tivesse financiado o filme e depois confirmou a captação dos 61 milhões de reais, afirmando que os recursos foram aplicados integralmente na produção. Em 20 de agosto, disse considerar o assunto uma página virada, alegando não ter mais obrigação de falar sobre o financiamento depois que a prestação de contas encomendada pela produtora vazou para a imprensa.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há informação pública sobre quem alimenta o Havengate, qual o seu patrimônio e se houve remessa de recursos do Brasil para os Estados Unidos, além do repasse já confirmado. Também segue em aberto se alguma parcela do dinheiro custeou despesas pessoais no exterior, se o contrato de Wi-Fi com a Prefeitura de São Paulo tem qualquer ligação financeira com a produção e qual será a conclusão da Polícia Federal agora que teve acesso autorizado ao inquérito estadual.
Rastreio da origem dos recursos repassados pelo Havengate, ligado a advogado de Eduardo, é considerado fundamental pela PF. Leia no Poder360.

Trabalho encomendado pela produtora do filme foi enviado ao inquérito policial que apura suspeitas de irregularidades no financiamento do longa
