Dois terremotos consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram a Venezuela na noite de 24 de junho de 2026, com epicentro na região costeira de La Guaira, a cerca de 40 quilômetros de Caracas. Os tremores, separados por poucos segundos, estão entre os mais devastadores já registrados na América Latina e provocaram o desabamento de centenas de edifícios. O balanço oficial subiu ao longo dos dias seguintes, passando de 1.430 para 1.719 mortos, com mais de cinco mil feridos e cerca de quinze mil e oitocentos desabrigados. As Nações Unidas estimam que até cinquenta mil pessoas ainda possam estar desaparecidas.
A cobertura de centro relatou os números de forma factual, ancorada em fontes oficiais e internacionais. Segundo o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez, pelo menos 855 edifícios sofreram danos e 189 desabaram, sobretudo em La Guaira e Caracas. A Organização Mundial da Saúde informou que o sistema de saúde, já fragilizado por anos de crise, ficou sobrecarregado, com hospitais danificados, superlotação e risco de surtos de febre amarela e dengue. Enchentes posteriores no Estado de Portuguesa isolaram cidades e agravaram a emergência.
O gancho brasileiro é central nesta cobertura. O presidente Lula autorizou uma missão humanitária e determinou o envio de insumos. A Força Aérea Brasileira realizou voos sucessivos com bombeiros, cães farejadores, um hospital de campanha, purificadores de água e medicamentos doados pelo Ministério da Saúde. Em um desses voos, treze brasileiros que estavam de passagem pelo país foram resgatados. O Itamaraty confirmou a morte de dois brasileiros: Romildo Batista de Lima, de 69 anos, morador de Uberlândia, e Vanessa Zacarias da Silva, de 44 anos, do Distrito Federal. O ministro da Defesa, José Múcio, viajou a Caracas para articular e reforçar o apoio brasileiro.
Veículos de esquerda enfatizaram o dever de solidariedade entre os povos e a importância da resposta coordenada do Estado para proteger os mais vulneráveis, valorizando a ação rápida do governo Lula. Reportagens humanas destacaram o drama dos sobreviventes, que relataram horas sem qualquer presença de equipes oficiais, buscando parentes entre os escombros com ferramentas improvisadas. Veículos de direita, por sua vez, enfatizaram a falência do regime chavista em socorrer a própria população: moradores denunciaram a inação do governo, a militarização de La Guaira e a exigência de uma permissão para que socorristas pudessem acessar as áreas atingidas. Essa cobertura também ressaltou o controle da imprensa internacional, a multiplicação de saques, a ajuda enviada pelos Estados Unidos e o anúncio de retorno ao país da líder opositora María Corina Machado, questionando ainda a aproximação diplomática do Brasil com um governo autoritário.
O que ainda não se sabe é a real dimensão da tragédia. O número de mortos deve crescer à medida que as equipes avançam pelos escombros, e a estimativa da ONU de até cinquenta mil desaparecidos contrasta com o balanço oficial mais contido divulgado pelo governo venezuelano. Também permanecem incertos o alcance total dos danos materiais, estimados pela ONU em cerca de 6,7 bilhões de dólares, e o cronograma de normalização dos serviços de saúde e de transporte no país.