A pesquisa BTG/Nexus divulgada em 29 de junho de 2026 traçou um retrato das preocupações do eleitorado brasileiro e do cenário presidencial de 2026. Segundo o levantamento, segurança pública, saúde pública e corrupção são os três temas que mais inquietam os eleitores, com 29%, 26% e 26% das menções, respectivamente. Classe política, educação, inflação, custo de vida, desemprego, desigualdade social, impostos e baixo crescimento da economia completam o top 10 dos problemas apontados.
No recorte da disputa presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 42% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro, com 34%. Ronaldo Caiado soma 5%, Renan Santos 4%, Romeu Zema 3% e Joaquim Barbosa 2%. Nos cenários de segundo turno, Lula lidera todas as simulações, sendo a mais apertada contra Flávio Bolsonaro: 47% a 44%, diferença de três pontos que está no limite da margem de erro, configurando empate técnico. A pesquisa ouviu 2.009 eleitores entre 26 e 28 de junho, tem nível de confiança de 95% e registro no TSE sob o código BR-08521/2026.
Veículos de direita enfatizaram que segurança pública e corrupção, pautas historicamente caras ao eleitorado conservador, lideram as preocupações, e que a maioria desses eleitores sinaliza voto em Flávio Bolsonaro. Essa cobertura destacou também que a diferença para Lula no segundo turno caiu em relação à rodada anterior, quando o petista tinha 49% contra 43% do senador, sinal de avanço da pré-candidatura bolsonarista. A movimentação para atrair o eleitorado feminino, com a entrada de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, ganhou espaço como aposta de campanha.
Veículos de esquerda relataram a mesma pesquisa pela ótica da liderança consolidada de Lula em todos os cenários de segundo turno e da estabilidade das intenções de voto, mesmo em meio à repercussão do caso Master, que envolve Jaques Wagner, e ao vídeo de Michelle Bolsonaro que expôs tensões no campo bolsonarista. Essa cobertura ressaltou que a maioria dos eleitores preocupados com saúde pública tende a votar em Lula e que a direita enfrenta a indefinição jurídica de Jair Bolsonaro, cuja prisão domiciliar temporária está sob análise do ministro Alexandre de Moraes, no STF.
A cobertura de centro relatou os números de forma direta: aprovação e desaprovação do governo Lula empatadas em 48%, rejeição ao presidente oscilando de 47% para 49% e a de Flávio passando de 52% para 51%, todas as variações dentro da margem de erro. O retrato consensual é de pouca oscilação no cenário presidencial entre as duas rodadas.
O que ainda não se sabe é como o empate técnico no segundo turno entre Lula e Flávio evoluirá nas próximas rodadas, qual será o efeito eleitoral concreto do caso Master e das tensões internas do bolsonarismo, e que peso a definição jurídica de Jair Bolsonaro no STF terá sobre a corrida. As pesquisas seguintes dirão se a tendência de aproximação se confirma ou se estabiliza.