Daniel Vorcaro recebia consultoria de chefes da supervisão do Banco Central, diz PF
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Relatório da Polícia Federal tornado público pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aponta que Belline Santana, chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, e seu adjunto Paulo Sérgio Neves de Souza orientavam Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, antes de reuniões com a cúpula da autarquia. Segundo a PF, os dois revisavam documentos do banco, integravam um grupo de WhatsApp com o banqueiro, teriam recebido vantagens e repassaram a ele nomes de policiais que o investigavam. Ambos foram afastados; as defesas negam irregularidades.
A investigação da Polícia Federal revela falha grave de controle institucional no Banco Central: dois chefes da área de supervisão teriam orientado Daniel Vorcaro, do Banco Master, em reuniões com a diretoria de Roberto Campos Neto, revisado documentos do banco e recebido vantagens.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés à direita
As coberturas de centro e de direita convergem nos fatos do relatório da Polícia Federal: orientações a Daniel Vorcaro antes de reuniões com Roberto Campos Neto, grupo de WhatsApp com os servidores, pagamentos mensais de R$ 500 mil apontados a Belline Santana e afastamento dos dois do Banco Central.
Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, da supervisão bancária do Banco Central, orientavam Daniel Vorcaro antes de reuniões com Roberto Campos Neto, segundo a Polícia Federal. O relatório aponta pagamentos mensais de R$ 500 mil e vazamento de nomes de delegados. Os dois foram afastados e negam irregularidades.
A Polícia Federal concluiu que dois dos principais responsáveis pela fiscalização de bancos no Banco Central prestavam consultoria informal a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo relatórios do inquérito tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal, Belline Santana, chefe do Departamento de Supervisão Bancária, e seu adjunto, Paulo Sérgio Neves de Souza, orientavam o banqueiro sobre o que dizer à cúpula da autarquia. Os dois foram afastados depois de uma auditoria interna.
As mensagens foram encontradas na perícia do celular de Vorcaro. Em 21 de dezembro de 2023, Paulo Sérgio enviou ao banqueiro os argumentos para uma reunião com o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Entre eles, a defesa de créditos tributários do Banif, a venda do Banco Voiter ao ex-sócio Augusto Lima, apresentada como capaz de gerar patrimônio de R$ 800 milhões, e a compra do Will Bank. Em fevereiro de 2024, o servidor repetiu as orientações antes de um encontro com o diretor de Fiscalização, Ailton Aquino dos Santos.
A investigação aponta ainda que os dois revisavam documentos do Master antes do envio ao próprio Banco Central e ao Fundo Garantidor de Créditos. Em outubro de 2025, Belline criou um grupo de WhatsApp chamado Master com Paulo Sérgio e Vorcaro. A PF identificou pagamentos mensais de R$ 500 mil a Belline por meio de contratos considerados fictícios, além de viagem a Paris, e o custeio de uma viagem à Disney para Paulo Sérgio e sua família.
A cobertura de centro trouxe um desdobramento: após uma reunião com delegados da PF em 17 de outubro de 2025, os servidores teriam repassado a Vorcaro os nomes dos policiais que o investigavam. A descoberta veio de uma anotação no celular do banqueiro. O sigilo desse material foi retirado pelo ministro André Mendonça em 10 de setembro, após determinação do presidente do tribunal, Edson Fachin.
Os veículos de direita que cobriram o caso reproduziram os mesmos fatos, com verbos no condicional e sem acrescentar interpretação própria, destacando a conclusão da PF de que a atuação extrapolou as atribuições funcionais. Não houve cobertura de veículos de esquerda entre as fontes reunidas sobre este episódio. A cobertura de centro foi a única a detalhar o vazamento de nomes de policiais e a registrar a hipótese de que uma mensagem do banqueiro seria dirigida ao ministro Alexandre de Moraes, sem apresentar base para isso.
As defesas contestam. O advogado de Belline Santana afirma que o cliente é inocente e pede que as provas sejam analisadas de forma integral. A defesa de Paulo Sérgio nega ter repassado informações da PF e diz que ele ajudou a identificar irregularidades no Master.
Ainda não se sabe qual é a posição oficial do Banco Central, nem se Roberto Campos Neto ou outros diretores tinham conhecimento da relação entre os servidores e o banqueiro. Também não está esclarecido quem era o destinatário da mensagem em que Vorcaro pedia pressão sobre a direção da Polícia Federal.
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