A Polícia Federal indiciou 25 pessoas, entre empresários e agentes públicos, na Operação Overclean, que apura corrupção, fraude em licitações e desvio de recursos de emendas parlamentares na Bahia. Entre os indiciados está o empresário José Marcos de Moura, conhecido como rei do lixo, apontado pelos investigadores como articulador político e operador de influência do grupo. Também foram indiciados Lucas Maciel Lobão Vieira e Rafael Guimarães de Carvalho, ex-coordenadores estaduais do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, o Dnocs, na Bahia, além dos empresários Fábio e Alex Parente. A corporação estima que a organização investigada movimentou cerca de 1,4 bilhão de reais por meio de contratos fraudulentos e obras com suspeita de superfaturamento.
Os crimes atribuídos aos indiciados incluem fraude à licitação, peculato, organização criminosa, embaraço à investigação, corrupção e lavagem de dinheiro. O indiciamento cobre apenas a primeira parte da apuração e ainda depende de análise da Procuradoria-Geral da República, que decidirá se apresenta denúncia criminal. Segundo a investigação, empresas pagavam propina a autoridades para obter contratos de prefeituras nas áreas de pavimentação e limpeza urbana, e parte dos recursos desses acordos era desviada depois da contratação.
A cobertura de centro relatou o caso de forma processual, detalhando a estimativa financeira, a lista de crimes e o histórico de Moura, que chegou a ser preso preventivamente ao lado de outras 16 pessoas na primeira fase da operação e depois foi solto por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Veículos de esquerda destacaram o alcance federal do esquema, lembrando que a Overclean nasceu no fim de 2024 para investigar licitações financiadas por órgãos federais como o Dnocs e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba, a Codevasf, ambos responsáveis por obras de combate à seca, e frisaram que a apuração está sem novas fases desde o início do ano, quando a Polícia Federal cumpriu busca e apreensão contra o deputado federal Félix Mendonça Júnior. Veículos de direita não deram cobertura ao indiciamento até o momento, de modo que o ângulo de responsabilização individual dos parlamentares citados e a crítica ao mecanismo das emendas não aparecem no material disponível.
As duas coberturas divergem em um ponto verificável: uma delas atribui o deputado federal Vicentinho Júnior ao Partido Progressista do Tocantins e a outra ao PSDB do mesmo estado, sinal de que a informação partidária ainda não está consolidada. Há divergência também de ênfase. A leitura de esquerda insiste em que apenas o núcleo empresarial e os servidores foram indiciados, enquanto os parlamentares seguem sem imputação formal. A leitura de centro concentra o relato na tipificação penal e no valor estimado, sem avaliar o desenho institucional das emendas. Os dois lados convergem na descrição do núcleo empresarial, no montante de 1,4 bilhão de reais e no fato de que as frentes envolvendo os deputados federais Elmar Nascimento, Félix Mendonça Júnior, Vicentinho Júnior e Dal Barreto tramitam no Supremo Tribunal Federal e ainda não produziram indiciamento.
O que ainda não se sabe é se a Procuradoria-Geral da República vai transformar o indiciamento em denúncia e em que prazo. Também não há detalhamento público sobre quanto de cada contrato teria sido efetivamente desviado, sobre quais prefeituras baianas assinaram os acordos sob suspeita, nem sobre o desdobramento do pedido do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, para que a Polícia Federal envie a documentação relacionada ao caso. As defesas dos indiciados não responderam aos pedidos de manifestação.