A Polícia Federal prendeu, no último fim de semana, um dos principais fornecedores de armas do Comando Vermelho que estava no Suriname. A ação, batizada de Operação Red Fox, teve como objetivo desarticular a estrutura financeira e logística transnacional da facção carioca. Além do principal suspeito, foi presa também sua companheira, apontada como operadora logística e financeira do esquema. A cobertura de centro relatou que o casal, identificado como Arnaldo Ribeiro e Denise Mendonça, foi detido em uma mansão em Paramaribo, capital do Suriname, e extraditado, recebendo voz de prisão da PF ao desembarcar em Belém, no Pará.
Segundo as investigações, conduzidas pela Superintendência da PF no Rio de Janeiro em conjunto com o Ministério Público Federal, o homem é suspeito de movimentar mais de 150 milhões de reais ligados à compra de armamentos. A apuração aponta que ele negociou diretamente a aquisição de dez fuzis AK-47 para a facção e tratava com Edgard Alves Andrade, o 'Doca', um dos chefes do Comando Vermelho, que segue foragido. A companheira teria feito viagens ao Suriname em datas compatíveis com movimentações financeiras suspeitas.
As ordens judiciais foram expedidas pela 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Ao todo, foram 13 mandados de prisão preventiva, dos quais quatro já haviam sido cumpridos. Além do casal, outras duas pessoas foram presas: uma no Rio de Janeiro, suspeita de operar financeiramente para a facção por meio de contas pessoais e empresariais, e outra em Tabatinga, no Amazonas, na região de tríplice fronteira com Colômbia e Peru, apontada como responsável por empresa ligada à logística de drogas e armas. A Justiça Federal autorizou ainda o bloqueio, o sequestro e a indisponibilidade de bens e valores de até quase 500 milhões de reais, com o objetivo de atingir o poder econômico da organização.
De acordo com a apuração, o Comando Vermelho usava empresas de fachada, laranjas, depósitos fracionados, transferências via Pix e movimentações incompatíveis com a renda dos envolvidos para ocultar a origem ilícita dos recursos e pagar fornecedores nacionais e estrangeiros. Veículos de direita enfatizaram o ângulo do combate firme do Estado ao crime organizado, tratando a operação como demonstração de eficiência contra a ameaça das facções à ordem pública e destacando a importância de capturar lideranças foragidas. Já veículos de esquerda tendem a sublinhar a dimensão estrutural do problema: a natureza transnacional das redes financeiras do crime, a vulnerabilidade das fronteiras e o papel do fortalecimento de instituições como a PF e o MPF, com foco no rastreamento do dinheiro como caminho mais profundo do que prisões isoladas.
O que ainda não se sabe é o paradeiro dos foragidos, entre eles o 'Doca', alvo central que não foi localizado. Também não há detalhamento público sobre a rota completa das armas até o Brasil nem manifestação das defesas dos presos. A própria PF informou que as apurações continuam para localizar os foragidos, aprofundar a análise financeira e telemática e identificar outros integrantes da rede criminosa.