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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, o envio da investigação da chamada 'Abin paralela' para a primeira instância. Para a PGR, o único investigado com foro no Supremo é o ex-presidente Jair Bolsonaro, já condenado na ação do núcleo central da trama golpista, e as pendências restantes tratam de crimes contra a administração pública, fora da competência da Corte.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o envio da investigação do caso da 'Abin paralela' para a primeira instância. Segundo Gonet, o único investigado com foro privilegiado no inquérito é o ex-presidente Jair Bolsonaro, já condenado na ação do núcleo central da trama golpista. Para a PGR, as pendências da apuração tratam agora de crimes contra a administração pública, o que não exigiria a atuação do Supremo.
A estrutura sob investigação teria funcionado entre 2019 e 2022 para implementar ações de viés político. Seria composta por policiais federais cedidos à Agência Brasileira de Inteligência e por oficiais que atuavam sob o comando do então diretor-geral Alexandre Ramagem. De acordo com a Polícia Federal, o núcleo produzia desinformação contra opositores do grupo no poder e usava recursos estatais para esse fim. Um dos pontos centrais é o emprego do software First Mile, ferramenta que permite o acesso à geolocalização de celulares. A PF também apontou indícios de desvios na própria aquisição da ferramenta e em providências internas para ocultar as atividades clandestinas.
Há convergência entre as coberturas sobre os fatos básicos do caso. Todos os relatos registram que a PF concluiu o inquérito apontando que dezenas de pessoas teriam cometido crimes, que Moraes retirou o sigilo e encaminhou o processo à PGR, e que a Controladoria-Geral da União abriu, em janeiro, processos administrativos com recomendação de demissão de ao menos quatorze agentes. A cobertura de centro, representada pela Folha, relatou de forma detalhada as manifestações de Gonet, citando textualmente que os elementos sobre Bolsonaro já haviam sido usados para denunciá-lo e condená-lo, e que os fatos remanescentes se concentram em violação de deveres funcionais.
É no enquadramento que as coberturas divergem. Veículos de esquerda, como o Brasil 247, destacaram que o inquérito completou um ano sem decisão da PGR e enfatizaram a robustez das provas reunidas pela Polícia Federal, citando que auxiliares de Gonet consideram o relatório consistente. Esse ângulo sublinha a necessidade de responsabilizar quem desviou uma agência de Estado para perseguir opositores e jornalistas, e dá voz à entidade de servidores que cobra celeridade e critica que gestores indiciados sigam em funções de comando. Uma leitura de direita, por sua vez, tenderia a enfatizar que o próprio procurador admite que as pendências são crimes administrativos comuns, sem o caráter antidemocrático que justificaria a atuação da mais alta corte, e que o caso se arrastou por um ano sem denúncia formal.
O que ainda não se sabe é qual será o desfecho do inquérito após a eventual remessa à primeira instância: se a PGR oferecerá denúncia, pedirá novas diligências ou arquivará parte dos fatos. Também não há, nas coberturas, a versão das defesas dos investigados sobre o pedido de Gonet, nem prazo definido para Moraes decidir sobre a mudança de instância.
Esquerda e centro reconhecem que a PF concluiu o inquérito apontando crimes no uso ilegal do aparato de inteligência, que Moraes encaminhou o caso à PGR e que a CGU já recomendou demissões de agentes envolvidos.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículo de esquerda; o texto é em boa parte factual (apura via CNN, lista indiciados, cita a nota da entidade), mas o enquadramento enfatiza a robustez das provas contra o grupo bolsonarista e a cobrança por celeridade, alinhando-se à narrativa de responsabilização do governo anterior. O ângulo crítico ao funcionamento clandestino sob Bolsonaro caracteriza viés à esquerda.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Texto majoritariamente factual: cita literalmente as manifestações de Gonet, descreve o funcionamento atribuído à estrutura clandestina e o histórico de PADs da CGU e da ação civil pública. Atribui afirmações às fontes (PGR, PF) sem vocabulário valorativo próprio, padrão de cobertura de centro.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.
Moraes determinou há um ano que Gonet decidisse sobre denúncia contra indiciados pela PF

Segundo PGR, Bolsonaro é única autoridade com foro da investigação e foi condenado na trama golpista
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