PGR pede que Flávio Bolsonaro seja ouvido por calúnia contra Lula
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A Procuradoria-Geral da República pediu que a Polícia Federal ouça o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no inquérito que apura se ele cometeu calúnia contra o presidente Lula ao associá-lo, em uma postagem de janeiro no X, a crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, acolheu o pedido e determinou que a PF colha o depoimento em até dez dias. A investigação corre em paralelo à disputa eleitoral de 2026, na qual pesquisas mostram Lula e Flávio tecnicamente empatados em cenários de segundo turno.
Veículos de esquerda trataram a postagem de Flávio Bolsonaro como uma falsa imputação de crimes graves ao presidente Lula, destacando que a Polícia Federal já concluiu haver calúnia e associando o episódio a um padrão mais amplo de aliados do senador envolvidos em investigações por corrupção e lavagem de dinheiro.
Veículos de direita e a defesa de Flávio Bolsonaro enquadraram a investigação como uma ameaça à liberdade de expressão e um possível excesso do STF, citando o argumento de que o procedimento evoca práticas de censura vistas em 2022.
27 fontes políticas
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Todos os lados reconhecem que a PGR pediu a oitiva de Flávio Bolsonaro, que Moraes acolheu o pedido com prazo de dez dias, e que o caso se origina de uma postagem de janeiro no X associando Lula a crimes graves.
A Procuradoria-Geral da República pediu, no dia 6 de julho, que a Polícia Federal ouça o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, no inquérito que apura se ele cometeu calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O pedido foi assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet e enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso. No dia seguinte, Moraes acolheu a manifestação e determinou que a PF colha o depoimento do senador em até dez dias.
O inquérito investiga uma publicação feita por Flávio na rede social X, em 3 de janeiro, no dia em que o ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro foi capturado pelos Estados Unidos. Na postagem, o senador escreveu que Lula seria delatado e listou uma série de crimes: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras e fraude eleitoral. A Polícia Federal concluiu, em relatório enviado ao STF no fim de junho, que Flávio imputou falsamente esses crimes ao presidente. Segundo a corporação, a associação da imagem de Lula à de Maduro, somada ao verbo delatado, deixa clara a acusação. Gonet defendeu a oitiva de Flávio sobretudo pela possibilidade de retratação, que pode isentar o investigado de pena caso ocorra antes da sentença.
Veículos de centro, como Folha, CNN Brasil e Agência Brasil, relataram o caso de forma factual, reproduzindo o texto da manifestação da PGR e da decisão de Moraes, e registraram que a defesa de Flávio já havia pedido diligências complementares, negadas pela PF antes da conclusão do inquérito.
Veículos de esquerda destacaram que a investigação se soma a um conjunto mais amplo de apurações envolvendo aliados de Flávio, caso da Operação Unha e Carne, que mirou o pré-candidato ao Senado Márcio Canella, indicado por ele. Políticos como Guilherme Boulos e Talíria Petrone associaram o episódio a um padrão de proximidade do bolsonarismo com investigações por corrupção e lavagem de dinheiro. A cobertura também registrou declaração de Flávio, em evento no Ceará, associando eleitores do PT a criminosos, tratada como retórica que aprofunda a polarização.
Já veículos de direita e a defesa do senador enquadraram a investigação como uma ameaça à liberdade de expressão, argumentando que o procedimento evoca práticas de censura e bloqueios de contas vistas no pleito de 2022 e que Moraes seria personagem central de um desequilíbrio democrático recente. Essa cobertura também deu ênfase às pesquisas eleitorais divulgadas na mesma semana: o Instituto Gerp mostrou Flávio à frente de Lula por 45% a 42% num cenário nacional de segundo turno, enquanto a Real Time Big Data apontou vantagem de 56% a 33% do senador em Goiás, ainda que a pesquisa Meio/Ideia tenha indicado Lula à frente por 45% a 40%.
A investigação corre em meio a turbulências na pré-campanha de Flávio, incluindo um racha com a madrasta Michelle Bolsonaro e uma carta divulgada pelo pai, Jair Bolsonaro, nomeando o filho como seu porta-voz. O ex-presidente cumpre pena em prisão domiciliar pela tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral de 2022.
O que ainda não se sabe é se Flávio de fato se retratará das declarações, o que poderia isentá-lo de pena, e qual será a decisão final da PGR sobre apresentar ou não denúncia contra o senador após a oitiva pela Polícia Federal.
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Em abril, ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a abertura de uma investigação para apurar se Flávio cometeu crime em uma postagem publicada em 3 de janeiro de 2026.


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