O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu nesta segunda-feira, 6 de julho de 2026, que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, devolva à Polícia Federal o inquérito que investiga o senador Flávio Bolsonaro por suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo do pedido é que a corporação ouça o senador antes de a PGR decidir se oferece denúncia ou pede o arquivamento do caso. Moraes, relator da investigação, ainda não decidiu sobre o requerimento.
O caso tem origem em uma publicação feita por Flávio na rede social X, em 3 de janeiro de 2026, no contexto da captura do ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos. Na postagem, o senador escreveu que "Lula será delatado" e listou uma série de crimes, entre eles tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro e suporte a terroristas. Em relatório encaminhado ao Supremo no fim de junho, a Polícia Federal concluiu que o senador imputou falsamente esses crimes ao presidente, associando sua imagem à de Maduro, e que a conduta configura, em tese, o crime de calúnia previsto no Código Penal.
Há pontos em que toda a cobertura converge. Veículos de centro, como a CNN Brasil, a Folha e o G1, relataram de forma factual que Gonet destacou a possibilidade de retratação como razão central para a oitiva: pela legislação penal, o investigado que se retrata antes da sentença pode ficar isento de pena, e, quando a ofensa é feita por um meio de comunicação, a retratação pode ocorrer pelo mesmo canal. A cobertura de centro também registrou o fluxo processual seguinte, em que os autos devem retornar à PGR para nova manifestação após a oitiva.
As divergências aparecem no enquadramento. Veículos de esquerda, como o Diário do Centro do Mundo, trataram a postagem diretamente como "fake news" contra Lula e enfatizaram a conclusão da PF de que o senador mentiu ao ligar o presidente ao tráfico de drogas, lendo o avanço do caso como responsabilização da desinformação. A cobertura que deu voz à defesa, presente com destaque na Folha, registrou que a equipe de Flávio afirma que a investigação tenta cercear a liberdade de expressão, evoca práticas de censura vistas no pleito de 2022 e classifica Moraes como personagem central do desequilíbrio democrático recente, argumento que ecoa no campo à direita. O Poder360 acrescentou uma camada política ao noticiar o atrito interno no PL em torno da pré-candidatura presidencial de Flávio, lembrando que ele é hoje o principal nome oposicionista rumo a 2026.
O que ainda não se sabe é como Moraes decidirá: ele pode acatar o pedido e devolver o inquérito à PF ou seguir outro caminho. Também não está definido se Flávio apresentará retratação, o que poderia encerrar o caso, nem se a PGR, ao final, oferecerá denúncia ao Supremo. Até a publicação das reportagens, a assessoria do senador não havia respondido aos pedidos de manifestação sobre o mérito da acusação.