A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de uma terceira frente de investigação contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para apurar suspeita de tráfico de influência. Após sorteio, a relatoria do requerimento ficou com o ministro Flávio Dino, indicado ao tribunal pelo próprio presidente. Até a publicação das reportagens, o ministro ainda não havia decidido se autoriza a nova apuração. Os dois inquéritos anteriores estão sob responsabilidade do ministro André Mendonça, que já atendeu aos pedidos da corporação.
A cobertura de centro relatou o que já se sabe sobre cada frente. O primeiro inquérito apura suposta atuação do empresário junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência para obter aval à comercialização de cannabis medicinal, ramo em que ele atua ao lado de uma empresária amiga e de um lobista conhecido pelo apelido de Careca do INSS. O segundo busca esclarecer se houve movimentação junto à Dataprev, empresa de tecnologia ligada à Previdência, para beneficiar um empresário e prospectar contratos; o relatório policial afirma que esse empresário teria bancado ao menos uma viagem do investigado em troca de favores no governo. O teor do terceiro pedido não foi divulgado, mas investigadores indicam que ele também envolveria a atuação da mesma empresária em favor de uma empresa junto a um órgão público.
As partes citadas responderam. O Ministério da Saúde afirmou nunca ter tido contrato com a empresa de importação de cannabis mencionada e, portanto, nunca ter repassado recursos públicos a ela. A Dataprev disse não ter contrato com a empresa apontada no relatório e afirmou pautar sua atuação pela colaboração com órgãos de fiscalização. A defesa do investigado qualificou a apuração como pesca probatória, negou irregularidades e sustentou que ele não atuou em benefício de ninguém no governo. O presidente declarou que o filho não terá privilégios: disse que ele terá de provar sua inocência e que, se for culpado, pagará como qualquer pessoa.
A divergência de cobertura aparece no significado atribuído ao episódio. Veículos de direita enfatizaram o custo político do caso e o vínculo simbólico com denúncias de corrupção que marcaram os governos anteriores do partido do presidente, tema ainda cobrado por figuras ligadas às operações anticorrupção. Nessa leitura, o acúmulo de três frentes em curto intervalo é sintoma de acesso privilegiado ao aparelho estatal por meio do parentesco, e o assunto tende a ser explorado na campanha de 2026. Do lado do governo, registra-se a desconfiança de que a sequência de pedidos tenha motivação eleitoral, além da ponderação de que o sigilo bancário e fiscal do investigado já foi quebrado no passado, em comissão parlamentar, sem que se encontrassem elementos para responsabilizá-lo. Veículos de esquerda não haviam publicado cobertura própria sobre o pedido até o fechamento desta reportagem, e o argumento que costuma organizar esse campo — presunção de inocência e autonomia da Polícia Federal como prova de que o Planalto não interfere em apurações — aparece aqui apenas pela voz da defesa e do próprio presidente.
O que ainda não se sabe é substancial. O terceiro inquérito não foi aberto e seu conteúdo não é público. Não há acusação formal, denúncia do Ministério Público nem prazo divulgado para conclusão de qualquer das apurações. Também não se conhece o volume de provas que sustenta a suspeita de tráfico de influência, nem se os contatos citados no pedido policial resultaram em qualquer decisão administrativa ou contrato efetivo. Sem esses elementos, o alcance jurídico do caso permanece indefinido, ainda que sua repercussão política já esteja em curso.