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A Polícia Federal deflagrou em 23 de junho de 2026 a Operação Miragem contra o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e dono da Record. Foram cumpridos nove mandados de busca em São Paulo, com bloqueio de até R$ 670 milhões. A investigação aponta manipulação de balanços, supervalorização de ativos e criação de receitas fictícias para ocultar a real situação financeira do banco. A PF compara o esquema ao do Banco Master, liquidado em 2025. Documentos mostram que prefeituras e o governo de São Paulo concentravam 85% dos consignados do banco.
A Polícia Federal deflagrou na terça-feira, 23 de junho de 2026, a Operação Miragem para investigar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional na gestão do Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da Record. Mais de 50 agentes cumpriram nove mandados de busca e apreensão em São Paulo, expedidos pela Justiça Federal, que também autorizou o afastamento de sigilos e o bloqueio de bens e valores de até 670 milhões de reais. Edir Macedo, que reside no exterior, figura entre os investigados.
Segundo a investigação, iniciada a partir de relatórios do Banco Central, os envolvidos teriam manipulado os demonstrativos contábeis para ocultar a real situação financeira do banco, com supervalorização deliberada de ativos e criação artificial de receitas. Os investigados podem responder por gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em balanços e operações de crédito vedadas. A apuração atinge dez empresas do grupo e oito pessoas físicas.
A cobertura de centro relatou que a Polícia Federal apontou semelhanças entre o Digimais e o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em 2025 num episódio descrito como a maior fraude bancária da história do país, com rombo de 52 bilhões de reais. Segundo os investigadores, o Digimais inflou o valor de ativos, ofereceu aplicações com remuneração acima do mercado e trocou auditorias sucessivamente para evitar ressalvas nos balanços. O banco chegou a adquirir ativos do próprio Master. Veículos de centro também registraram que o impacto ao Fundo Garantidor de Créditos pode chegar a 12 bilhões de reais e que o BTG Pactual deve abandonar as negociações para comprar a instituição.
Veículos de esquerda destacaram um ângulo adicional: a forte vinculação do banco ao poder público paulista. Documentos do próprio Digimais mostram que a Prefeitura de São Paulo e o governo do estado concentravam, juntos, 85% da carteira de consignados, com a capital respondendo sozinha por 60% da operação. A reportagem mapeou convênios e credenciamentos em ao menos oito municípios paulistas, comandados majoritariamente por aliados do governador Tarcísio de Freitas, em partidos como PL, Republicanos, MDB e PSDB. A cobertura de esquerda enfatizou ainda que o governo estadual autorizou o banco a oferecer consignado a mais de 80 mil policiais militares e que o Republicanos, partido do governador, tem ligação histórica com a Igreja Universal, compondo, segundo análise citada, um projeto de poder que une banco, partido, emissora e capelães na corporação.
Veículos de direita enfatizaram a dimensão de aplicação da lei e a integridade do sistema financeiro. A cobertura conservadora detalhou os números da operação, a tipificação pela Lei 7.492 de 1986, o histórico de tentativas frustradas de venda do banco e o rebaixamento de risco pela Fitch, situando a ação no contexto de maior vigilância do Banco Central sobre bancos médios após o colapso do Master. Esses veículos deram menos relevo à vinculação política estadual destacada pela esquerda. Ao mesmo tempo, a cobertura de centro lembrou que a investigação também respinga no campo governista, com o Planalto já dando como certa nova leva de apurações sobre a conexão entre o Banco Master e caciques do PT baiano, num movimento que pode atingir o ministro Rui Costa e o senador Jaques Wagner.
O que ainda não se sabe é o desfecho patrimonial e penal da operação, o tamanho real do eventual prejuízo ao Fundo Garantidor de Créditos e se haverá responsabilização por eventuais irregularidades nos convênios com o poder público paulista. A reportagem não identificou documentos que comprovem participação direta do Palácio dos Bandeirantes nos credenciamentos municipais, e as partes citadas, incluindo a Igreja Universal e o próprio banco, não haviam se manifestado de forma detalhada até o fechamento das edições.
Todos os lados reconhecem que a Polícia Federal, com base em relatórios do Banco Central, deflagrou a Operação Miragem contra o Banco Digimais de Edir Macedo, apontando manipulação de balanços e supervalorização de ativos, num esquema comparado ao do Banco Master.
Como cada lado cobriu
Veículos com viés à esquerda
O texto enfatiza a concentração de convênios em administrações da base de Tarcísio e detalha filiações partidárias de cada prefeito (PL, Republicanos, MDB, PSDB), framing que sugere captura política. Reconhece, porém, que não identificou participação direta do Palácio dos Bandeirantes. O foco em accountability de poder e na rede de aliados é característico de cobertura de esquerda.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas
Veículos com viés ao centro
Cobertura de agregação factual que atribui todas as informações a fontes nomeadas e cita ângulos de todos os lados: a fraude do Digimais, o convênio com o governo Tarcísio (e o arquivamento pelo MP), a conexão do Master com caciques do PT baiano e o risco à reeleição de Lula. A paridade entre críticas a campos opostos sustenta o perfil de centro, ainda que a citação da análise de Flávia Tavares carregue tom mais crítico ao projeto de poder da Universal.
Veículos com viés à direita
Veículo de perfil conservador que cobre a operação de forma sobretudo factual, com ênfase em accountability institucional (Banco Central, Polícia Federal, lei de crimes financeiros) e comparação com o rombo do Banco Master. Notavelmente omite o ângulo do convênio com o governo Tarcísio e a rede de aliados, enquadramento que dominou a cobertura de esquerda, o que sinaliza viés à direita por seleção de fatos.

A Prefeitura de São Paulo e o Governo do Estado concentravam, juntos, 85% da carteira de convênios do Banco Digimais, instituição financeira ligada ao bispo

Alvo de operação policial, a instituição do líder da Igreja Universal também teria inflado o valor de ativos e oferecido remuneração sobre aplicações muito acima do mercado, além de ter comprado ativos do banco de Daniel Vorcaro. Jaques Wagner chega a Brasília para tentar se manter como líder do governo no Senado, enquanto o Planalto já antevê novas denúncias envolvendo o Master e o PT baiano. Cristiano Ronaldo se torna o primeiro jogador a marcar gols em seis Copas do Mundo. Neil Young lança novo vídeo de show dirigido pela esposa Daryl Hannah. China supera os EUA e retoma liderança mundial em supercomputação após oito anos.

A Polícia Federal deflagrou no decorrer desta terça-feira (23) a Operação Miragem para investigar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional na gestão do Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo e empresário Edir
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Perspectivas omitidas
Perspectivas omitidas



